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MEIO AMBIENTE

ONU reforça luta dos povos indígenas da Amazônia contra ameaças a direitos

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A 24ª sessão do Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas destacou a defesa dos direitos dos povos indígenas, com ênfase nas ameaças representadas pelo Marco Temporal e pela exploração de minérios em territórios indígenas.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que os direitos individuais e coletivos dos povos indígenas são “inegociáveis”. A declaração foi alinhada à mobilização histórica do movimento indígena brasileiro, especialmente da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), que atua pela proteção dos territórios e modos de vida tradicionais.

A Coiab participou como amicus curiae no julgamento do Recurso Extraordinário 1.017.365, que resultou na declaração de inconstitucionalidade da tese do Marco Temporal pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2023. Apesar da decisão, o Congresso Nacional aprovou a Lei 14.701/2023, recriando o Marco Temporal, o que levou a Coiab a atuar novamente em ações diretas de inconstitucionalidade.

A criação de uma câmara de conciliação pelo ministro do STF Gilmar Mendes, em 2024, foi criticada por organizações indígenas, que denunciaram a falta de representatividade e o risco de negociação de direitos. A Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) retirou-se do processo. A comissão permanece ativa, com sucessivas prorrogações.

Relatorias Especiais da ONU também manifestaram preocupação com o Marco Temporal e com a falta de participação indígena nas discussões.

Durante o Fórum, Guterres alertou sobre a ameaça crescente da mineração em terras indígenas. O secretário-geral destacou os impactos da contaminação por mercúrio, a exclusão social e os riscos à saúde das comunidades. Em paralelo, o Senado Federal anunciou a formação de um grupo de trabalho para propor uma regulamentação da mineração em terras indígenas, o que gerou novas críticas por parte da Coiab e outras lideranças.

Alessandra Munduruku denunciou na ONU a contaminação por mercúrio em mulheres indígenas grávidas na Amazônia, com base em estudos da Fiocruz.

Guterres também reconheceu o papel dos povos indígenas no combate à crise climática, ressaltando seus conhecimentos tradicionais como fundamentais para a conservação ambiental. A Coiab reforçou a importância da participação indígena nas negociações climáticas e lançou a campanha “A Resposta Somos Nós” no contexto da COP30, que ocorrerá na Amazônia em 2025.

As demandas indígenas incluem o reconhecimento da autoridade das lideranças indígenas em espaços de decisão e a criação de mecanismos de financiamento direto para os povos indígenas.

Segundo o coordenador-geral da Coiab, Toya Manchineri, a luta pelos direitos indígenas é parte de uma agenda global que conecta a proteção da Amazônia à estabilidade climática mundial.

MEIO AMBIENTE

Julie Messias participa da abertura dos trabalhos de 2026 do Conselho de Meio Ambiente da FIESP

Diretora da Aliança Brasil NBS integra o Cosema e destaca mercado de carbono, licenciamento e economia circular em primeira reunião do ano

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A diretora executiva da Aliança Brasil Nature-based Solutions (NBS), Julie Messias, participou da primeira reunião de 2026 do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), realizada em 29 de janeiro e que marcou a abertura oficial das atividades do colegiado neste ano.

Julie Messias foi designada como membro do Cosema para o mandato de 29 de janeiro a 31 de dezembro de 2026, conforme a Resolução nº 007/26. O conselho é um fórum da FIESP dedicado ao diálogo entre o setor industrial e temas ambientais relacionados à competitividade da indústria brasileira.

Presidido pelo ex-ministro do Meio Ambiente Joaquim Álvaro Pereira Leite e com vice-presidência de Marcelo Donnini Freire, o colegiado reúne representantes do setor produtivo e especialistas para discutir pautas como sustentabilidade, inovação, eficiência produtiva e segurança regulatória.

Durante a reunião, Julie Messias apresentou contribuições sobre o mercado de carbono. Em publicação em seu perfil profissional, ela registrou: “Iniciei minha participação trazendo contribuições sobre o mercado de carbono, tema estratégico para a indústria brasileira diante da consolidação do sistema regulado no país e das oportunidades de competitividade, inovação e transição para uma economia de baixo carbono”.

Na mesma postagem, a diretora também mencionou outros temas discutidos no encontro: “A pauta também contemplou temas centrais como licenciamento ambiental, economia circular e logística reversa, reforçando o papel do COSEMA na construção de soluções técnicas e equilibradas para 2026”.

Ao comentar sua participação no colegiado, Julie Messias escreveu: “É uma honra contribuir com esse colegiado em um momento decisivo para a agenda ambiental e industrial do Brasil”. A publicação está disponível em: https://www.linkedin.com/posts/juliemessias_parabenizo-a-fiesp-federa%C3%A7%C3%A3o-das-ind%C3%BAstrias-share-7432158063928950784-1Ugl

O Conselho Superior de Meio Ambiente da FIESP realiza reuniões periódicas para debater propostas e encaminhamentos relacionados à agenda ambiental e industrial ao longo do ano.

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MEIO AMBIENTE

Extrativistas na Resex Chico Mendes finalizam safra da castanha à espera de melhores preços

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Em vídeo divulgado nas redes sociais, jovem liderança detalha a logística do escoamento da produção, que exige o uso de trator adaptado e esforço físico no interior da floresta.

A safra da castanha-do-brasil está entrando em sua reta final na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes. Para mostrar os bastidores e o esforço físico exigido na etapa de coleta, o jovem extrativista Rian Barros publicou um registro em suas redes sociais detalhando a rotina de escoamento da produção do interior da floresta até as residências.

No vídeo, Barros explica que a maior parte da safra da comunidade já foi retirada da mata. O transporte das castanhas, que já se encontram quebradas e ensacadas, exige uma logística dividida em duas etapas. O trajeto pelos ramais e áreas mais abertas é feito com o auxílio de um veículo modelo Yamato E-C14, um microtrator agrícola apelidado carinhosamente pelos moradores de “Tobata”.

No entanto, as condições do terreno impõem limites à tecnologia. Quando a estrada termina e a mata fechada começa, o transporte mecanizado é interrompido. “Chegamos aqui onde o nosso amigo Tobata já não vai mais. Então agora a gente vai entrar na floresta e agora é na perna e o fio nas costas”, relata Rian, ilustrando o trabalho braçal necessário para carregar as sacas pesadas no trecho final da floresta.

Após a jornada, descrita por ele como “um dia de muito trabalho, muito suor, muito esforço” , as sacas de castanha são finalmente armazenadas nas casas das famílias extrativistas. A estratégia atual da comunidade é comercial: em vez de escoar a produção imediatamente para os compradores, o produto fica estocado à espera de uma valorização no mercado. “Nossa castanha ainda tá aqui, esperando a oportunidade de vender ela pelo preço ainda melhor”, afirma Barros, evidenciando a organização dos produtores em busca de uma remuneração mais justa.

Rian Barros na Resex Chico Mendes
Reportagem Especial
Filhos da Floresta: Rian Barros e a nova cara da luta na Resex Chico Mendes
Mergulhe no cotidiano da nova juventude extrativista. Descubra como a tecnologia, o associativismo e o ecoturismo se tornaram as novas ferramentas para proteger a Amazônia.
Ler Reportagem Completa

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MEIO AMBIENTE

Ibama inutiliza avião e destrói máquinas para cortar abastecimento do garimpo ilegal na divisa entre Pará e Amapá

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Uma operação de fiscalização realizada entre 3 e 8 de fevereiro de 2026 atingiu rotas de abastecimento usadas pelo garimpo ilegal em duas áreas protegidas na Amazônia, com a inutilização de uma aeronave e a destruição de maquinário pesado, embarcações e motores empregados na extração clandestina. A ação ocorreu na Estação Ecológica do Jari e na Floresta Estadual do Paru, em faixa de fronteira entre Pará e Amapá, com apoio da Polícia Federal.

O foco da operação foi a estrutura logística que sustenta a atividade, com atuação em aeródromos e nos portos de Tapeoara e Itacara, apontados como pontos usados para transportar máquinas, peças e mantimentos até o interior das unidades de conservação. Durante a fiscalização em uma pista de pouso em Laranjal do Jari, agentes interceptaram um monomotor Cessna 182P adaptado para carga e carregado com suprimentos destinados aos garimpos ilegais; o Ibama informou que a aeronave foi inutilizada no local “em conformidade com os protocolos de fiscalização ambiental”.

No balanço divulgado, o órgão apontou a destruição de quatro escavadeiras hidráulicas, dois tratores, um caminhão e 17 embarcações, além de 13 motores de popa, seis quadriciclos, cinco geradores e nove motores de garimpo. A operação também apreendeu 217,5 gramas de ouro e cerca de 43 mil litros de combustível, insumo usado para manter balsas, motores e maquinário em funcionamento nas frentes ilegais.

A área de fiscalização inclui a chamada Floresta dos Angelins Vermelhos Gigantes, onde o Ibama registrou 41 alertas de ocorrência de garimpo apenas em 2026, dado usado para justificar a intensificação das ações na região. No comunicado, o órgão destacou que a Estação Ecológica do Jari é uma unidade de proteção integral, com exploração mineral proibida, e que o objetivo da atuação integrada é “interromper a estrutura logística que sustenta a expansão do garimpo ilegal”.

Em uma das frentes da ofensiva, a operação resultou ainda na autuação de um piloto, multado em R$ 6,03 milhões por descumprimento de embargo da pista e por envolvimento com atividade garimpeira ilegal, conforme relato publicado a partir de informações do Ibama.

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