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Direto ao ponto

Projeto inédito de concessão da BR-364 em Rondônia é Encaminhado ao TCU

Desenvolvimento, desafios e potencial exportador do Acre na Rota do Arco Norte

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Em uma iniciativa inovadora, o Ministério dos Transportes enviou ao Tribunal de Contas da União (TCU) o plano de outorga para concessão da BR-364/RO, estabelecendo um marco histórico para a infraestrutura rodoviária em Rondônia. A rodovia, que conecta Porto Velho a Vilhena, desempenha um papel crucial no corredor logístico do Arco Norte, favorecendo o escoamento de exportações.

Com uma extensão de 729 quilômetros, a BR-364/RO é a rota principal para o transporte de grãos, especialmente soja, milho e farelo de soja, entre o oeste de Mato Grosso, Rondônia e Acre. A previsão para 2024 é que o fluxo de grãos atinja aproximadamente 12 milhões de toneladas, destacando a importância estratégica da concessão.

O Ministro dos Transportes, Renan Filho, ressalta a relevância do projeto, que envolve investimentos expressivos. “Com a concessão, estamos falando de quase R$ 7 bilhões em obras, incluindo 113 quilômetros de duplicação, e mais R$ 4 bilhões em serviços operacionais. Isso trará não apenas segurança, mas também desenvolvimento para a região”, afirmou o ministro, mantendo a expectativa de levar o projeto a leilão no segundo semestre, após a análise do TCU.

Potencial Exportador do Acre: Preparando-se para Novos Desafios

O Acre, buscando ampliar suas opções de exportação, investe na produção de grãos como soja e milho, além de café, castanha, açaí e, potencialmente, na exportação de carnes bovina, suína e de aves. A BR-364/RO desempenha um papel crucial nesse cenário, sendo essencial para o estado se adaptar às novas oportunidades e desafios.

No entanto, o Acre enfrenta diversos desafios, incluindo questões políticas relacionadas a incentivos, a necessidade de manutenção das estradas, tanto na BR-364 quanto nas estradas estaduais, e desafios tecnológicos. Um exemplo disso é a falta de preparo total para a nova realidade logística, com a ausência de tecnologias como balanças dinâmicas, pesagem em movimento e monitoramento de tráfego. Essas lacunas precisam ser abordadas para assegurar que o estado esteja devidamente equipado para lidar com o aumento do fluxo logístico e tirar o máximo proveito das oportunidades de desenvolvimento econômico.

A modernização da infraestrutura e a adoção de tecnologias avançadas são fundamentais para o Acre alinhar-se com a crescente demanda, especialmente considerando a rota do Pacífico e as perspectivas de expansão econômica para a região. As atuais limitações tecnológicas ressaltam a necessidade de investimentos e parcerias estratégicas para impulsionar o estado em direção a um futuro mais próspero e conectado.

Foto BR 364 : Sérgio Vale/Vale Comunicação

Direto ao ponto

Quem muito se oferece vira xepa: o ocaso do MDB do Acre

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Depois de meses oferecendo apoio a todos os lados, o partido chega às convenções sem protagonismo, sem rumo e correndo o risco de aceitar o papel que lhe restar.

Na feira, a xepa é o momento em que se vende o que sobrou. Na política, a lógica não é muito diferente. E, às vésperas das convenções de 2026, o MDB do Acre parece ter aceitado esse papel: o de quem espera que alguém, por conveniência, resolva levá-lo para casa.

Durante meses, o partido transitou entre o governo e a oposição. Conversou com Mailza Assis, alimentou expectativas de indicar o vice, abriu diálogo com Alan Rick, voltou a conversar com o governo, retomou as tratativas com a oposição e, ao final desse longo processo, conseguiu um feito raro: deixou de ser disputado para passar a ser visto como um problema pelos dois lados da disputa.  

A política segue uma regra simples: quem tem convicção escolhe; quem não escolhe acaba sendo escolhido. E, pior, nas condições impostas pelos outros. O MDB desperdiçou meses tentando aumentar seu poder de barganha e terminou reduzindo seu próprio valor político.

A situação ficou tão constrangedora que a indefinição já não está apenas entre permanecer com Mailza ou migrar para Alan Rick. Nem dentro da própria legenda parece existir unidade. Enquanto uma ala sinaliza em uma direção, outra aponta para o caminho oposto. O partido transmite a imagem de uma embarcação sem leme, incapaz de definir o próprio destino.  

O mais irônico é que o MDB ainda possui história, estrutura e tempo de televisão. Mas nenhum desses ativos substitui aquilo que o partido perdeu ao longo dessa negociação interminável: autoridade política. Autoridade não se mede apenas pelo tamanho da legenda, mas pela capacidade de tomar decisões e inspirar confiança.

Hoje, em vez de ser cortejado, o MDB espera ser chamado. Em vez de estabelecer condições, aguarda que alguém lhe diga quais condições aceita oferecer. Em vez de protagonizar a eleição, tornou-se personagem secundário de uma novela que ele próprio escreveu.

Talvez ainda embarque em uma chapa competitiva. Mas isso já não altera a percepção construída ao longo dos últimos meses. Na política, reputação também é patrimônio. E patrimônio se desvaloriza quando é colocado em liquidação.

No fim, resta uma lição tão antiga quanto a própria atividade política: quem passa tempo demais oferecendo o próprio apoio acaba descobrindo que, no encerramento da feira, sobra apenas o espaço reservado à xepa.

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Direto ao ponto

Ideologia não é problema. A falta de coerência, sim.

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Em tempos de campanhas e discursos moldados pelas pesquisas de opinião, uma pergunta merece ser feita: um político deve mudar suas convicções para conquistar votos ou ampliar sua capacidade de diálogo sem renunciar à própria identidade?

A resposta passa por um conceito frequentemente tratado de forma equivocada: ideologia.

Toda liderança política possui uma base ideológica. Trata-se do conjunto de princípios, valores e crenças que orienta suas decisões. Não existe política sem visão de mundo. Até mesmo quem afirma não ser de direita, de esquerda ou de centro está fazendo uma escolha política e ideológica. A neutralidade absoluta é mais um discurso do que uma realidade.

O problema, portanto, não está na ideologia. Está na incoerência.

Democracias maduras esperam que seus líderes dialoguem, negociem, construam consensos e estejam dispostos a rever estratégias. Mas dialogar não significa abandonar princípios. Amadurecer politicamente não é apagar a própria história.

Existe uma diferença clara entre evoluir e se reinventar por conveniência eleitoral. Um líder pode atualizar propostas, reconhecer erros, incorporar novas ideias e adaptar soluções aos desafios do presente. Isso faz parte da política. O que exige explicação é a mudança de discurso que parece responder apenas ao interesse de ampliar o eleitorado.

Princípios não são o mesmo que posições. Princípios são permanentes. Posições podem mudar conforme as circunstâncias, as evidências e as necessidades da sociedade. É possível rever caminhos sem abandonar os valores que sustentam uma trajetória pública.

O eleitor não deve exigir que um político permaneça imutável. Deve exigir coerência. Mudanças fazem parte da vida pública, desde que sejam justificadas com transparência e compatíveis com os valores que o próprio candidato sempre afirmou defender.

Nos últimos anos, tornou-se comum assistir a políticos que, diante de novos cenários eleitorais, passam a negar antigas bandeiras, antigos aliados e até antigas convicções. Quando isso ocorre sem uma explicação consistente, a percepção pública deixa de ser a de evolução e passa a ser a de oportunismo.

O debate político brasileiro talvez esteja fazendo a pergunta errada. A questão não é se alguém deixou a esquerda, aproximou-se da direita ou migrou para o centro. A pergunta que realmente importa é outra: essa mudança nasceu de uma reflexão honesta ou de um cálculo eleitoral?

A confiança do eleitor não se constrói sobre a ausência de ideologia. Constrói-se sobre a coerência. Afinal, liderar não é dizer aquilo que cada plateia deseja ouvir. É manter fidelidade aos próprios princípios, dialogar com quem pensa diferente e demonstrar que convicção e capacidade de construir consensos podem caminhar juntas.

Foto: Sérgio Vale

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Direto ao ponto

O PT que fez Jorge Viana agora não cabe na campanha dele

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Jorge Viana afirma que não está negando sua história no PT. Mas, ao mesmo tempo, diz que não pretende colocar o partido em sua campanha. A frase parece conciliadora, mas é politicamente dura: ele conserva o PT como origem, mas o rejeita como identidade eleitoral.

Não se trata de qualquer filiado tentando ampliar seu eleitorado. Jorge Viana foi eleito prefeito de Rio Branco, governador do Acre por dois mandatos e senador da República pelo PT. É filiado ao partido desde os anos 1980 e sua trajetória se confunde com a construção da força petista no Acre.

Por isso, quando diz que sua candidatura “é do Acre” e não “do PT”, Jorge não está apenas fazendo uma escolha de marketing. Está dizendo que a marca partidária que o levou à Prefeitura, ao Palácio Rio Branco e ao Senado passou a ser um problema para sua própria campanha.

O PT que lhe deu estrutura, militância, palanque e identidade política agora deve desaparecer da propaganda para que ele possa buscar votos. Jorge quer os votos do Acre, mas não quer disputar a eleição sob a bandeira do partido que construiu sua carreira.

A contradição é evidente. Ele afirma que não nega sua história, mas evita apresentá-la integralmente. Afinal, não há Jorge Viana prefeito, governador e senador sem PT. Sua biografia política não foi construída apesar do partido; foi construída dentro dele.

O ponto também de destaque está na tentativa de responsabilizar “parte do PT” pela derrota de 2018. Jorge pode criticar disputas internas, divergências e erros de condução. Mas não pode transformar o partido em culpado exclusivo quando lhe convém e, depois, pedir que esse mesmo partido permaneça como retaguarda silenciosa de sua candidatura.

Se houve erros, quais foram? Quem os cometeu? Que decisões concretas levaram à derrota? E qual foi a responsabilidade de Jorge Viana, uma das maiores lideranças do grupo, naquele processo?

A autocrítica não pode ser seletiva. Não basta dizer que “teve muitos erros” e, ao mesmo tempo, preservar para si os acertos do período em que o PT governou o Acre. Quem foi protagonista de um ciclo político não pode se colocar apenas como vítima de suas consequências.

A fala de Jorge também coloca o PT diante de uma escolha constrangedora. O partido aceita ser reduzido a uma legenda de cartório, útil para garantir filiação, tempo político e estrutura, mas invisível na campanha de seu principal nome? Ou pretende sustentar publicamente seu programa, sua história e suas responsabilidades?

Porque, se Jorge Viana afirma que sua candidatura não é do PT, o PT precisa explicar qual é, então, a sua candidatura.

O risco é o PT ficar sem candidato, sem discurso e sem coragem de defender a própria trajetória, justamente para proteger aquele que mais se beneficiou dela.

Jorge Viana pode querer ser o candidato do Acre. Mas não pode exigir que o Acre esqueça quem o fez prefeito, governador e senador.

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