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A cidade que não pode fechar os olhos – Foto de Sérgio Vale

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Em um canto discreto de Rio Branco, entre o meio-fio e um canteiro de terra ainda úmida, alguém tenta descansar do abandono de si. A cidade segue seu ritmo, carros passam, agendas se cumprem, decisões são tomadas. Mas ali, ao nível do chão, a vida acontece de outro jeito. A planta em primeiro plano quase encobre a cena, como se a paisagem tentasse esconder aquilo que se tornou comum demais: o corpo que encontra no espaço público o único lugar possível para dormir.

As cidades brasileiras vivem um tempo em que o concreto cresce mais rápido que as políticas de cuidado. O aumento da população em situação de rua deixou de ser exceção e passou a fazer parte da paisagem urbana. A cena não é apenas sobre uma pessoa deitada; é sobre um pacto social que precisa ser revisto. Apoiar essa pauta é reconhecer que moradia, saúde mental, trabalho e assistência social não são favores, mas estruturas básicas de dignidade. Enquanto houver alguém dormindo ao relento, a cidade inteira segue em vigília.

Foto: Sérgio Vale – @sergiovaleac

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Fotógrafo Sérgio Vale relata cobertura no Instituto São José e pede respeito às vítimas

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O fotógrafo Sérgio Vale publicou nesta terça-feira (5) um relato sobre a cobertura em frente ao Instituto São José, em Rio Branco, e cobrou cautela na divulgação de imagens diante de uma comunidade em luto. “Há dias em que a câmera pesa mais do que qualquer equipamento. Hoje, em Rio Branco, diante do Instituto São José, cada clique atravessou o corpo antes de virar imagem”, escreveu, ao descrever o que viu durante o atendimento de emergência e a espera de familiares por notícias.

Na mensagem, Vale disse que esteve “entre o medo, o silêncio, a correria, o choro contido e a espera angustiada” de quem buscava “um abraço” e “uma confirmação de que tudo ficaria bem”. Ele afirmou que a fotografia alcança “rostos, gestos e movimentos”, mas não registra “o aperto no peito de uma escola tomada pela dor”. “Por trás de cada fotografia existe uma família em aflição, um estudante marcado, um profissional tentando se manter firme, uma comunidade inteira ferida”, publicou.

O texto também foi um recado direto sobre o modo como a tragédia é acompanhada e compartilhada. “Neste momento, antes de qualquer imagem, fica o respeito. Respeito às famílias, aos alunos, aos trabalhadores da escola e a todos que foram atingidos por essa tragédia”, escreveu. Em seguida, pediu que “a solidariedade fale mais alto que o medo” e que “o cuidado seja maior que qualquer registro”, antes de encerrar com uma despedida: “Que as heroínas de hoje descansem em paz”.

O relato foi divulgado após a cobertura do ataque a tiros dentro do Instituto São José, no início da tarde de terça-feira (5), em Rio Branco. Quatro pessoas foram atingidas, entre elas três funcionárias e um aluno. Duas funcionárias morreram no local. Uma terceira funcionária, de 40 anos, e uma estudante, de 11, foram socorridas e levadas ao Pronto-Socorro da capital. A Polícia Militar apreendeu um adolescente de 13 anos, aluno da escola, que assumiu os disparos. O responsável legal pelo menor, proprietário da arma, foi detido. As aulas na rede estadual, municipal e particular foram suspensas por três dias, e o governo anunciou reforço de protocolos de segurança nas escolas, além de apoio psicossocial à comunidade escolar.

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Silêncio em Flor no Irineu Serra

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No Irineu Serra, em Rio Branco, a tarde parece se demorar entre flores lilases e galhos finos, como se a mata respirasse devagar para não romper o encanto. No meio dessa delicadeza, a ave escura pousada no silêncio lembra que a floresta também se sustenta na sombra, na espera e naquilo que quase passa despercebido.

Foto de Sérgio Vale – @sergiovaleac

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Beira do Rio, Lugar Comum

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No passo manso do fim de tarde, a vida segue inventando caminho, entre o calor do sol, o vento leve e o silêncio dos barcos ao longe.

Na beira do rio, o entardecer vai derramando ouro na água, e a vida segue devagarinho, no compasso manso de quem conhece o tempo da maré, do vento e do silêncio. As silhuetas caminham como quem leva consigo as histórias da beira, o calor da tarde, a conversa miúda e essa beleza funda que só a Amazônia entende bem: rio, céu e chão se misturando num mesmo encanto. É cena que parece nascer do banzeiro da memória, dessas paisagens que ficam morando na gente mesmo depois que a luz se vai. E, pra entrar de vez nesse clima, vá ouvir “Lugar Comum”, do nosso acreano João Donato.

Foto de Sérgio Vale – @sergiovaleac

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