O nível do Rio Acre apresentou queda ao longo da segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, mas permaneceu acima da cota de transbordo em Rio Branco, mantendo em alerta as autoridades e as comunidades ribeirinhas, enquanto a Prefeitura segue com o Plano de Contingência em execução, remoção de famílias, funcionamento de abrigos e ações de saúde preventiva para reduzir os impactos da cheia sobre a população.
De acordo com boletim da Defesa Civil Municipal, o rio marcou 14,37 metros às 15h, após registrar 14,52 m às 5h19, 14,49 m às 9h e 14,44 m ao meio-dia, permanecendo acima da cota de transbordo, fixada em 14 metros, e também acima da cota de alerta, que é de 13,5 metros. Nas últimas 24 horas, o volume de chuva acumulado chegou a 8,6 milímetros, o que contribuiu para a manutenção do nível elevado das águas e para a continuidade do estado de atenção em áreas ribeirinhas da capital acreana.
Mesmo com sinais de vazante, a Prefeitura de Rio Branco manteve todas as diretrizes do Plano de Contingência e reforçou a assistência às famílias atingidas. Em reunião realizada na manhã do dia 19, o prefeito Tião Bocalom reuniu o secretariado municipal para alinhar estratégias e garantir a continuidade das ações emergenciais. Até aquele momento, 27 bairros haviam sido afetados pela elevação do nível do rio, com 631 famílias atingidas, o que corresponde a aproximadamente 2.286 pessoas. As áreas mais impactadas incluem os bairros Seis de Agosto, Cadeia Velha, Habitasa, Base e Ayrton Senna.
No sistema de abrigamento, a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil informou que seis famílias, totalizando 15 pessoas e três animais, estavam acolhidas no abrigo instalado no Parque de Exposições Wildy Viana. Outras sete famílias indígenas foram encaminhadas para a Escola Leôncio de Carvalho, onde funciona um segundo abrigo, e quatro famílias permaneciam desalojadas, somando 11 pessoas. Na zona rural, comunidades como Panorama, Belo Jardim, Liberdade, Catuaba e Vista Alegre já registravam impactos diretos, com cerca de 250 famílias afetadas, o equivalente a aproximadamente mil pessoas, enquanto 15 comunidades rurais seguiam sob monitoramento constante das equipes municipais.
Segundo o prefeito Tião Bocalom, a orientação é manter todas as famílias acolhidas nos abrigos públicos até que o período crítico da cheia seja superado. “Nossa prioridade é proteger vidas e garantir dignidade às famílias afetadas”, afirmou o prefeito durante a reunião de alinhamento das ações emergenciais.
As operações de remoção também continuaram em áreas de maior risco. No domingo, 18 de janeiro, equipes da Defesa Civil Municipal, da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) e da Secretaria Municipal de Agropecuária realizaram a retirada de três famílias do bairro Ayrton Senna, após a água alcançar a Rua Campo Novo. Uma das famílias foi encaminhada para a casa de parentes e as outras duas foram acolhidas no abrigo do Parque de Exposições. Naquele dia, o Rio Acre atingiu 14,57 metros às 15h, após uma elevação de dois centímetros no nível das águas, o que agravou a situação no bairro.
Paralelamente às ações de assistência social e logística, a Secretaria Municipal de Saúde intensificou orientações à população sobre os riscos sanitários associados à cheia. Com o Rio Acre acima de 14 metros, aumentaram os registros potenciais de doenças transmitidas por água contaminada e de acidentes em áreas alagadas. O secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, afirmou que a rede de saúde foi mobilizada para atender a população e reforçar a prevenção. “Com o avanço do rio, as ações de prevenção foram intensificadas para proteger a população. As águas das enchentes aumentam o risco de doenças e acidentes, por isso a rede de saúde está mobilizada, com Unidades de Referência em Atenção Primária em funcionamento para atender a população”, declarou.
A diretora de Vigilância Epidemiológica, Socorro Martins, alertou para o aumento do risco de doenças como diarreias, hepatite A e leptospirose, além do agravamento de doenças respiratórias e da maior ocorrência de acidentes, como quedas, afogamentos, choques elétricos e ferimentos. Segundo ela, o período de cheia exige atenção redobrada da população, especialmente em áreas alagadas.
Com a manutenção do nível do Rio Acre acima da cota de transbordo e a previsão de continuidade das chuvas, a Prefeitura informou que seguirá com o monitoramento permanente do rio e de seus mananciais, mantendo em funcionamento os abrigos, as equipes de remoção, os serviços de saúde e o atendimento humanitário às famílias atingidas. A Defesa Civil reforça que, apesar da leve tendência de recuo observada ao longo do dia 19, a situação ainda é de alerta, e novas remoções e ampliações da rede de acolhimento não estão descartadas caso o nível volte a subir.
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