Na terça-feira, 12 de setembro, teve início em Cruzeiro do Sul, Acre, mais uma etapa do TCE Itinerante 2023, uma iniciativa do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), por meio da Escola de Contas Conselheiro Alcides Dutra de Lima. O programa tem como objetivo capacitar gestores públicos dos municípios do vale do Juruá e de outras regiões do estado.
A ação itinerante, que faz parte do Programa Aprimora Gestão, começou em agosto e irá percorrer diversas regiões do Acre até outubro deste ano. Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Rodrigues Alves são alguns dos municípios beneficiados por essa edição do programa.
Ao todo, mais de 160 vagas foram disponibilizadas para gestores públicos participarem das oficinas, que abordam quatro áreas de capacitação. O evento de abertura contou com a presença de autoridades locais, incluindo prefeitos e vereadores, além do presidente do TCE, conselheiro Ribamar Trindade, e a diretora da Escola de Contas, conselheira Naluh Gouveia.
O Aprimora Gestão visa aperfeiçoar a gestão pública, oferecendo treinamento e qualificação aos gestores e servidores municipais do Acre. O programa tem como objetivo contribuir para a melhoria da governança pública e reduzir erros por meio de orientação e suporte eficazes.
O presidente do TCE, conselheiro Ribamar Trindade, destacou o compromisso do tribunal em aperfeiçoar a gestão pública, tornando-a mais eficaz e eficiente. Ele enfatizou a importância de compartilhar conhecimento para transformar o órgão em referência nesse aspecto. “Buscamos aprimorar a gestão pública e ser uma referência no compartilhamento de conhecimento. Além de analisar prestações de contas, nosso papel é contribuir para a governança pública, reduzindo danos com orientação e suporte eficazes.” afirmou
“Vamos conduzir quatro oficinas simultâneas, abordando os seguintes temas: a nova lei de licitações, o papel dos conselheiros no controle dos gastos do FUNDEB, políticas públicas e a simplificação da prestação de contas.” conselheira Naluh Gouveia
A diretora da Escola de Contas, conselheira Naluh Gouveia, ressaltou a importância da atuação pedagógica do TCE e a abordagem didática das oficinas. O programa inclui tópicos como a nova lei de licitações, o papel dos conselheiros no controle dos gastos do FUNDEB, políticas públicas e simplificação da prestação de contas. “O Tribunal de Contas vem atuando no sentido de ajudar a trabalhar bem com o dinheiro público e com os recursos. ” pontuou a conselheira Naluh Gouveia.
O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, agradeceu a oportunidade oferecida pelo TCE Itinerante e destacou a importância do programa para os gestores públicos. Ele enfatizou o compromisso em cumprir a lei e buscar o uso correto dos recursos públicos, em conformidade com a legislação.
“Como gestores, agradecemos pela oportunidade de tornar esse processo itinerante possível” Zequinha Prefeito de Cruzeiro do Sul
“Estamos inaugurando um novo modo de relação entre prefeituras e Tribunal de Contas. A pandemia suspendeu as ações regionais que agora estão sendo retomadas. O TCE tem muita experiencia nessa área de gestão e muitas vezes nós gestores temos dificuldade ,e o TCE é esse órgão que vem orientar. De nossa parte buscamos cumprir a lei e se esforçar para não errar e o TC vem nos orientar nesse sentido”, disse o prefeito Zequinha Lima.
O TCE Itinerante 2023 continuará suas atividades em diversas regiões do Acre, encerrando suas ações em outubro. O programa representa um esforço conjunto para promover uma gestão pública mais eficiente e responsável no estado.
O pré-candidato ao governo do Acre, Tião Bocalom, iniciou nesta quarta-feira (15) uma nova rodada de agendas por municípios de difícil acesso do estado, com passagem por Santa Rosa do Purus, Jordão e Marechal Thaumaturgo. A viagem começou com a chegada a Santa Rosa do Purus, onde ele afirmou que pretende conversar com moradores, ouvir demandas locais e apresentar o projeto Produzir Para Empregar.
Bocalom viaja ao lado de Kelen Bocalom, pré-candidata a deputada federal, de Pedro Pascoal, pré-candidato a deputado federal, e de Emerson Leão, pré-candidato a deputado estadual. Nas redes sociais, o ex-prefeito de Rio Branco disse ter sido recebido em Santa Rosa do Purus por “um povo forte, trabalhador e cheio de esperança”.
A agenda marca uma nova etapa da pré-campanha de Bocalom ao governo estadual, com foco em regiões onde o acesso depende de logística mais complexa e onde os debates sobre infraestrutura, produção, saúde, transporte e geração de renda costumam ter peso direto na vida da população. “Sabemos dos desafios enfrentados por quem vive em uma região de difícil acesso, mas também vemos de perto a força e a determinação de quem acredita em um futuro melhor”, afirmou.
O discurso de Bocalom voltou a girar em torno da proposta de ampliar a produção como caminho para gerar empregos e desenvolver os municípios. “É uma alegria estar aqui para conversar, ouvir as pessoas e apresentar o projeto Produzir Para Empregar, que acredita no potencial de cada município para gerar desenvolvimento, oportunidades e qualidade de vida”, disse.
A visita ocorre no mesmo dia em que Bocalom elevou o tom contra os grupos que governaram o Acre nas últimas décadas. Em declaração publicada nesta quarta-feira, o pré-candidato afirmou que é preciso “salvar o Acre” e que a população “não aguenta mais os governos dos últimos 30 anos”. A fala reforça a estratégia de se apresentar como alternativa ao atual ciclo político estadual.
Nos últimos meses, Bocalom tem intensificado viagens, reuniões e encontros com lideranças locais depois de deixar a Prefeitura de Rio Branco para disputar o governo. A agenda em Santa Rosa do Purus, Jordão e Marechal Thaumaturgo amplia a presença do pré-candidato no interior e busca aproximar sua plataforma política das demandas dos municípios isolados.
Cruzeiro do Sul é uma cidade singular. É a capital do Juruá, o segundo maior colégio eleitoral do Acre e um território que costuma exercer papel decisivo na política estadual. Foi nesse cenário que, em 2024, acompanhei de perto uma das eleições municipais mais disputadas da história recente do município.
Vi o esforço das pessoas, a mobilização das lideranças, a militância nas ruas e a construção de uma frente política ampla. Por isso, ao observar o cenário atual, às portas de uma nova eleição estadual, é impossível não questionar o significado das escolhas que estão sendo feitas.
Zequinha Lima foi reeleito com 24.478 votos, equivalentes a 50,20% dos votos válidos. Jéssica Sales recebeu 24.281 votos, ou 49,80%. A diferença foi de apenas 197 votos. Não foi uma vitória folgada, individual ou construída isoladamente. Foi uma vitória coletiva, alcançada no limite e decidida por uma margem menor do que a população de muitas comunidades rurais de Cruzeiro do Sul.
Agora, em 29 de junho de 2026, Zequinha anunciou apoio ao senador Alan Rick na disputa pelo governo do Acre. Com isso, afastou-se do projeto eleitoral da governadora Mailza Assis, embora ambos filiados ao Progressistas. Zequinha afirmou que Alan representa o melhor projeto para o estado, alegou que vinha sofrendo tentativas de isolamento e declarou que não recebeu de Mailza o mesmo respeito que teria oferecido a ela. Ao mesmo tempo, manteve seu apoio a Gladson Cameli para o Senado.
Todo agente político possui liberdade para mudar de posição. Lealdade democrática não significa obediência cega, submissão permanente ou impossibilidade de discordar. O problema não está apenas em mudar de caminho. Está em esclarecer por que o caminho anterior, apresentado ao eleitor como uma união em defesa de Cruzeiro do Sul, deixou de ser adequado menos de dois anos depois da eleição.
A justificativa de que determinado candidato representa “o melhor projeto” é insuficiente quando não vem acompanhada de propostas, compromissos públicos e resultados esperados para a população.
Na política, gratidão não pode significar dependência eterna. Mas também não pode ser tratada como uma palavra descartável depois que a eleição termina.
Quem vence por apenas 197 votos precisa reconhecer que cada apoio foi determinante. Nenhuma liderança, partido, militante ou profissional pode reivindicar sozinho a propriedade daquela vitória. Da mesma maneira, o prefeito não pode ser tratado como propriedade do grupo que o apoiou.
Existe, porém, uma diferença entre independência e apagamento da história.
A autonomia política permite que Zequinha escolha outro palanque. A responsabilidade pública exige que ele reconheça as mãos que ajudaram a sustentá-lo quando sua reeleição estava ameaçada. Confiança não se rompe apenas quando alguém muda de candidato. Rompe-se principalmente quando as razões da mudança não são apresentadas com clareza suficiente.
A ironia política é evidente: a candidata derrotada por Zequinha passou a ocupar espaço justamente no grupo do qual o prefeito decidiu se afastar.
Enquanto as lideranças organizam seus palanques, a população continua avaliando ruas, unidades de saúde, escolas, limpeza pública, ramais e serviços básicos.
Reportagens locais vêm registrando reclamações sobre infraestrutura urbana, manutenção das vias e diferença entre anúncios e entregas. Esses registros não substituem uma pesquisa completa de opinião pública, mas mostram que existe cobrança social e que ela não pode ser ignorada.
Os 197 votos de diferença demonstram que quase metade do eleitorado preferia outra administração. Isso, por si só, deveria impor humildade, diálogo permanente e atenção redobrada às cobranças da sociedade.
Quem é, afinal, a grande liderança do Juruá?
Parte da imprensa política local apresenta Gladson Cameli como a principal liderança regional e atribui a ele papel decisivo na reta final da eleição de 2024. Sua participação foi relevante, mas a vitória de Zequinha Lima não pode ser creditada a uma única liderança. A campanha reuniu a então vice-governadora Mailza Assis, deputados federais e estaduais, entre eles Clodoaldo Rodrigues, Pedro Longo e Nicolau Júnior, além da vice Delcimar Leite, de Valéria Lima (eleita a vereadora mais votada do município) e de uma extensa rede de aliados dos setores político, empresarial e religioso, bem como lideranças comunitárias de bairros, ramais e comunidades. A lista de apoios é ampla e praticamente interminável, o que reforça um fato incontestável: a vitória foi resultado de uma construção coletiva, e não da força isolada de qualquer liderança.
Por fim, pude constatar, sem recorrer ao clichê, que a maior liderança do Juruá é o próprio eleitorado. Foram os eleitores que decidiram a eleição por uma diferença de apenas 197 votos. São eles que utilizam os serviços públicos, enfrentam diariamente os problemas da cidade e arcam com as consequências das alianças e das rupturas políticas. Lideranças passam por partidos, mudam de palanque e organizam seus interesses. A população permanece.
Zequinha tem o direito de escolher seu palanque. A população tem o direito de perguntar quais compromissos, interesses e projetos estão por trás dessa escolha. E, principalmente, tem o direito de decidir se o novo caminho representa Cruzeiro do Sul ou apenas só uma movimentação no tabuleiro eleitoral.
Por isso, o debate não deve ser apenas sobre quem Zequinha apoiará em 2026. A questão central é saber se ele está honrando a confiança recebida em 2024.
A política permite novos caminhos. Mas lealdade, compromisso, transparência, confiança e gratidão exigem que ninguém apague as pontes depois de atravessá-las.
Aos pré-candidatos e aos que já se consideram eleitos, fica o lembrete: todos têm a sua chance. Entre traídos, traidores, promessas e interesses, existe uma força maior, o povo. E, no fim, é o povo quem decide.
Todo ciclo eleitoral tem suas etapas. Há a das filiações, a das pesquisas, a das convenções e, antes de todas elas, a mais divertida: a temporada dos profetas eleitorais.
É quando surgem as análises definitivas, as sentenças irrefutáveis e as certezas absolutas sobre uma eleição que ainda nem começou de verdade. Basta um café, uma roda de conversa ou um artigo mais inspirado para decretar: “a eleição será decidida em Cruzeiro do Sul.” Ainda mais quando decisões recentes entram no roteiro, como o anúncio de apoio de Zequinha Lima a Alan Rick e as movimentações que colocam Jéssica Sales como provável vice na chapa de Mailza, como se essas definições fossem suficientes para encerrar o debate antes mesmo de ele começar.
Será?
Cruzeiro do Sul é, sem dúvida, um dos maiores colégios eleitorais do Acre. Tem peso político, tradição e lideranças influentes. Mas reduzir o resultado de uma eleição à vontade de um único município é uma simplificação que nem a matemática eleitoral consegue explicar.
Aliás, se a tese estiver correta, surge um pequeno problema: quem exatamente influencia e decide em Cruzeiro do Sul? Zequinha Lima e Jéssica Sales?
E Nicolau Júnior? E Gladson Cameli? E Delcimar Leite? E Clodoaldo Rodrigues?
E a vereadora Valéria Lima, a mais votada da última eleição municipal? E o presidente da Câmara, Elter Nóbrega? Eles deixaram de influenciar o eleitorado? Ou simplesmente desapareceram porque alguém resolveu resumir a política de Cruzeiro do Sul a um ou dois sobrenomes?
A verdade é que Cruzeiro do Sul não tem uma única liderança. Tem um alfabeto inteiro delas. Deputados, vereadores, ex-parlamentares, lideranças comunitárias, empresariais, religiosas e políticas formam um mosaico que nunca coube em uma manchete.
Quem enxerga apenas uma letra provavelmente ainda não aprendeu a ler a política do Juruá.
E isso vale para qualquer município do Acre. Toda eleição produz a tentação de encontrar um “dono” dos votos, um “grande eleitor” ou um atalho para explicar o comportamento do eleitorado. Mas a política real é muito menos conveniente do que as teorias prontas.
As eleições de 2026 não serão decididas por um artigo, por uma pesquisa isolada, por uma roda de conversa ou pela vontade de um único grupo político. Serão decididas nas urnas, voto a voto, em Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Sena Madureira, Tarauacá, Brasileia, Feijó, Xapuri, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e em todos os demais municípios acreanos.
Existe um detalhe que continua escapando a todas as profecias: o eleitor acreano não usa cabresto, não gosta de “já ganhou” e costuma reagir mal a qualquer tentativa de traição ou imposição.
Até lá, os profetas continuarão fazendo previsões. Faz parte do jogo. Só esqueceram de combinar com o eleitor.