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Cidadania

Artigo de Patrícia Rêgo liga discursos de culpabilização ao feminicídio no Acre

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Um artigo assinado pela procuradora de Justiça Patrícia de Amorim Rêgo, corregedora-geral do Ministério Público do Estado do Acre, publicado na manhã desta quinta-feira (19), no stie AC24h, retoma uma pergunta que, segundo ela, ouve “com muita frequência”: “Por que as mulheres continuam sendo mortas por homens no Acre?”. A autora parte da repercussão, durante o feriado de Carnaval, de uma notícia sobre a suspeita de estupro coletivo envolvendo atletas vinculados a um clube de futebol do Acre, caso que, conforme o texto, está sob investigação policial formalmente instaurada, com apuração e respeito ao devido processo legal e ao contraditório.

No artigo, Patrícia afirma que “não vou me deter ao caso específico”, porque o episódio, na leitura dela, “ultrapassa o fato” e exige reflexão para além da responsabilização penal, incluindo “a necessidade de acolher e garantir integralmente todos os direitos das vítimas”. O foco do texto recai sobre a reação pública ao noticiário e, em especial, sobre a declaração do treinador da equipe, descrita como amplamente repercutida na imprensa e nas redes sociais. Segundo a autora, o técnico tratou a situação como consequência de serem “homens longe de casa”, disse que mulheres teriam “invadido o alojamento” e recorreu ao estereótipo “Maria Chuteira”, enquanto comentários em sites e postagens teriam reforçado a mesma visão.

Ao relacionar essas falas ao debate sobre violência de gênero, Patrícia propõe que a sociedade observe o efeito das palavras na forma como se distribui responsabilidade. “Quando se invoca a condição de ‘homens longe de casa’, sugere-se que circunstâncias atenuam escolhas”, escreve, antes de concluir: “Mas responsabilidade ética não se relativiza com a geografia. Nenhuma distância física reduz a autonomia da decisão individual”. Para ela, a linguagem também opera como julgamento prévio: “Quando se afirma que mulheres teriam ‘invadido o alojamento’, o verbo escolhido não é neutro”, porque “enquadra moralmente a narrativa antes mesmo da apuração dos fatos”, deslocando o foco “da decisão masculina para a presença feminina” e “apontando diretamente o dedo para a vítima”.

O artigo afirma ainda que, quando se usa o rótulo “Maria Chuteira”, “a mulher deixa de ser sujeito de direitos e passa a ser categoria”, e que “categorias são mais fáceis de desumanizar do que pessoas”. A partir disso, Patrícia sustenta que essas expressões não se limitam a opiniões, mas funcionam como mensagens que antecedem a violência concreta: “Essas expressões não são meras opiniões. São enunciados que operam no plano simbólico — e o plano simbólico precede a violência concreta”. Em seguida, ela registra a tese central do texto: “A violência de gênero não começa no ato extremo; começa na narrativa que o autoriza — e o torna tolerável.”

Na análise, a autora associa o tema à posição do Acre em indicadores de violência e menciona que o estado figura reiteradamente entre os que têm maiores taxas proporcionais de feminicídio e estupro, citando como referência páginas públicas como o Feminicidômetro e o Anuário de indicadores de violência do Acre. Para Patrícia, esses registros apontam padrões e não ocorrências isoladas: “Esses dados não são desvios episódicos. São padrões que estruturam a vida social”. Em um dos trechos centrais, ela sintetiza a ligação entre números e discursos: “Se as estatísticas revelam mortes e violência desmedida, discursos como esses revelam permissões.”

O texto também menciona que, no mesmo período, circulou na imprensa local a possibilidade de contratação, pelo mesmo clube, do goleiro Bruno, condenado em caso de feminicídio com repercussão nacional, e usa esse contexto para questionar “que cultura estamos legitimando — e que vínculo ela mantém” com os índices de feminicídio, estupro e violência doméstica. Na argumentação, Patrícia afirma que, quando a culpabilização da vítima encontra justificativas sociais, “enfraquece-se a cultura do consentimento” e, quando a responsabilidade do agressor é deslocada para circunstâncias ou para o comportamento feminino, “reforça-se exatamente o padrão que os números evidenciam”, ampliando risco social e a exposição das mulheres à violência.

Ao abordar responsabilidades institucionais, a autora afirma que “não basta apenas reagir ao fato consumado” e que é necessário revisar “as estruturas simbólicas” que antecedem a violência. Nesse ponto, ela inclui agremiações esportivas no debate, defendendo que instituições que formam juventudes e influenciam modelos de masculinidade não podem tratar “a dignidade das mulheres como variável discursiva”, porque falas e decisões comunicam valores e interferem no ambiente cultural em que direitos são fortalecidos ou fragilizados.

No trecho em que cita medidas do Ministério Público do Estado do Acre, Patrícia afirma que, desde 2014, o MPAC colocou a vítima “na centralidade” da estratégia institucional; que, desde 2016, a violência de gênero contra mulheres e pessoas LGBTQIA+ passou a contar com uma porta de entrada específica para acolhimento; e que, em 2018, o Ministério Público brasileiro instituiu a Ouvidoria da Mulher voltada à escuta qualificada de vítimas. Ela acrescenta que, “neste ano”, essa agenda assume dimensão estratégica na gestão institucional do MPAC e integra um esforço que envolve instituições públicas e o movimento de mulheres.

Ao final, o artigo defende avanço na implementação de políticas públicas, com atenção ao orçamento, e conclui que o enfrentamento da violência de gênero exige “estrutura, investimento, priorização, educação em direitos e gênero”, mas “sobretudo, RESPONSABILIDADE COLETIVA, do setor público e do privado, do indivíduo e das organizações”. Patrícia fecha retomando a pergunta que abre o texto e afirmando que a sociedade precisa “olhar e podar a raiz”, porque “o que começa na palavra, muitas vezes, termina nos fatos” e “se converte em estatísticas”, e que nenhuma sociedade democrática pode aceitar que mulheres continuem sendo violentadas e morrendo “literal ou simbolicamente” pelo fato de serem mulheres.

Assessoria

Amor que salva: ação da prefeitura de adoção de pets na Expoacre traz sorriso e alegria de volta a família que perdeu cachorrinha

Dona Lucélia viu no novo pet a esperança de devolver o sorriso do filho; feia foi um sucesso

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Durante a ação Petinder, onde a Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, trouxe para o estande da Expoacre alguns animais para a adoção, uma adoção se destacou. Dona Lucélia escolheu um dos filhotes e, ao ser questionada sobre a importância da ação, contou também a história que motivou esse momento tão bonito.

Lucélia conta que seu filho havia perdido uma cachorrinha e apresentava problemas que afetavam seu dia e desempenho na escola. Ao ver a feira de adoção, logo se adiantou para garantir o seu e poder trazer de volta a alegria da casa, com seu filho tendo novamente um amigo de quatro patas para cuidar e se alegrar.

“Meu filho perdeu a cachorrinha. Ele tem sete anos e perdeu a cachorrinha que amava demais. Na escola ele tava tendo dificuldades, entrou em depressão por causa dessa cachorrinha, me pedia todos os dias e hoje ele fez esse pedido, e eu disse ‘meu filho, pelo amor de Deus, eu vou ver o que faço’. Quando a gente passou aqui e ela (a amiga) falou ‘olha Lu, a feira de adoção’ eu já corri aqui”.

Lucélia elogiou a atuação da Saúde de Rio Branco que, em parceria com as equipes de Zoonoses, promoveu a feira, que foi um sucesso: dezenas de novos pets tiveram acesso a um novo lar e ganharão uma nova vida. “Então, eu acho muito importante (a feira de adoção) porque faz a alegria não só da gente, mas deles (os animais) também, pois eles também têm sentimentos. É um sentimento que a gente tem por eles e eles pela gente”, contou Lucélia.

Esse momento especial só reforça o quão importante é adotar animais, prover um espaço de amor e carinho para eles e poder contar com um amigo para toda vida. Adoção é amor, e amor salva vidas. Lembre-se: não compre, adote! Salve a vida de um animal e garanta um companheiro para cuidar de você sempre.

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Cidadania

Prefeitura de Rio Branco realiza ação de conscientização contra o trabalho infantil na Expoacre

Atividades educativas reforçam a importância da proteção integral de crianças e adolescentes durante a feira

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Durante a Expoacre, a Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SASDH), desenvolve ações educativas com foco na conscientização sobre o enfrentamento ao trabalho infantil. As equipes percorrem os estandes e áreas de circulação do parque de exposições com abordagens voltadas à orientação da população sobre a importância de garantir a proteção de crianças e adolescentes contra toda forma de negligência, exploração e violência.

A técnica de referência do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, Nívea Melo, afirma que a responsabilidade pela proteção começa na família. “Toda criança deve ser protegida contra todo tipo de violação de direitos. A obrigação começa em casa, com uma família que a guarde de todo perigo.”

Utilizando microfone e caixa de som portátil, Rodrigo Martins conduziu a ação com o público, reforçando a mensagem de que “criança não trabalha, criança dá trabalho”. Ele ressaltou que as crianças podem participar de pequenas tarefas no ambiente doméstico, mas não devem assumir atividades pesadas ou com responsabilidades de adultos. “Mas em casa é onde ela precisa aprender pequenas tarefas como organizar suas coisas, ajudar os pais em atividades em que ela possa dar conta, ao invés de assumir o lugar de um adulto em tarefas pesadas e perigosas.”

De acordo com Nívea Melo, o trabalho infantil expõe crianças a riscos de acidentes e compromete o desempenho escolar, podendo resultar em evasão.

Durante a feira, as equipes da SASDH realizam diariamente mais de cem abordagens, com encaminhamentos aos serviços de proteção e atendimento às famílias.

O diretor de Políticas e Assistência Social, Ivan Ferreira, destacou a atuação contínua da secretaria. “A nossa secretaria é a única da Prefeitura que funciona 24 horas por dia. É um trabalho delicado, complexo e altamente humanizado.”

A iniciativa faz parte das estratégias contínuas da gestão municipal para garantir os direitos da infância e fortalecer a rede de proteção social no município

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