A FIEAC sediou, na manhã desta quarta-feira, 17, o Roadshow Brasil Mais Produtivo. O evento teve como objetivo divulgar e engajar o setor industrial acreano no programa, por meio do qual empresas de todo o país terão acesso gratuito ou subsidiado a diagnósticos e estratégias de gestão, consultorias e aperfeiçoamento profissional em manufatura enxuta, eficiência energética e transformação digital.
Além do 1º vice-presidente da FIEAC, João Paulo de Assis, o evento teve a presença da diretora da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Perpétua Almeida, além de outras autoridades políticas e empresariais. O vice-presidente da República e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, participou virtualmente do Roadshow.
Perpétua Almeida, da ABDI, destaca apoio crucial do governo federal às empresas industriais, com investimento no programa Brasil Mais Produtivo ampliado para R$ 2Bi
O Roadshow Brasil Mais Produtivo visa impulsionar a indústria acreana com consultorias e estratégias de gestão.
O Brasil Mais Produtivo é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e promove a produtividade e a transformação digital de micro, pequenas e médias empresas industriais brasileiras.
O programa conta com a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que se unem à Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e aos executores do programa, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), para a oferta de soluções que vão desde a sensibilização e engajamento, aumento de produtividade, aumento de eficiência energética até a transformação digital das indústrias.
O programa é coordenado pelo MDIC e apoiado por diversas entidades para promover a produtividade e a digitalização das empresas
Presente ao evento, o 1º vice-presidente da FIEAC, João Paulo de Assis, frisou que o programa é ousado e necessário. “Traz a oportunidade para que as empresas do setor industrial melhorem seus processos. Apoiamos as instituições renomadas inseridas no programa, que têm o apoio do governo federal. É uma ação transformadora”, avaliou.
A diretora da ABDI, Perpétua Almeida, ressaltou que as micro, pequenas e médias empresas necessitam do apoio do governo federal. “Por isso, o governo elevou o investimento do programa de R$ 50 milhões para R$ 2 bilhões. Assim, as empresas terão mais competitividade, poderão crescer e gerar emprego e renda, que é o que vem acontecendo com o Brasil”, assinalou.
Empresas que têm intenção de participar do programa Brasil Mais Produtivo podem se inscrever no site brasilmaisprodutivo.mdic.gov.br.
Cases de sucesso
O programa Brasil Mais Produtivo já beneficiou empresas acreanas. Uma delas, a indústria Bebidas Quinarí, recebeu consultoria do SENAI na área de produção. Segundo Carlos Michel Costa, diretor da empresa, a partir de então houve uma série de melhorias.
“Tivemos consultoria de eficiência energética, onde foi feito um raio X para que pudéssemos economizar recursos. Recebemos também uma consultoria na parte de processos, onde o consultor identificou pontos de ociosidade. Tudo isso veio em boa hora e trouxe impactos positivos. Por isso, somos muito gratos aos parceiros, sobretudo ao SENAI”, comentou.
Por Willey Araújo – Foto: Sérgio Vale / vale Comunicação
O Acre entrou pela primeira vez no circuito do Pint of Science, evento internacional de divulgação científica realizado simultaneamente em 27 países, e reuniu na terça-feira, 19 de maio, pesquisadores, estudantes, empresários e gestores públicos no restaurante Flutuante Malveira, em Rio Branco. A proposta foi aproximar a produção científica da população, com debates sobre pesquisas na Amazônia, empreendedorismo, transferência tecnológica e inovação aplicada à realidade acreana.
A programação foi montada para tirar a ciência do ambiente acadêmico e colocá-la no cotidiano das pessoas. As rodas de conversa e palestras trataram de temas ligados ao desenvolvimento regional e ao uso do conhecimento científico em diferentes atividades econômicas e sociais do estado. O evento também teve apresentações culturais e reuniu representantes de instituições públicas e privadas.
O secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia, Márcio Valter Agiolfi, afirmou que a realização do encontro coloca o Acre em uma rota global de conexão científica e reforça o potencial estratégico do estado. “Estamos na maior biodiversidade do planeta e precisamos transformar esse potencial em desenvolvimento, pesquisa e inovação. A bioeconomia é uma pauta muito discutida há anos, mas que ainda precisa avançar de forma prática no Acre”, disse.
Entre os participantes, o estudante de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Acre, Lucas Alexandre de Lima, relatou que o encontro abriu novas perspectivas para a formação acadêmica e profissional. “Além de conhecer pessoas e trocar experiências, a gente começa a enxergar caminhos e possibilidades para aplicar nosso conhecimento no futuro. Isso ajuda muito na formação acadêmica e profissional”, afirmou.
A coordenadora da Câmara Técnica de Tecnologia e Inovação do Fórum Empresarial, Hérika Montilha, defendeu o fortalecimento da produção científica amazônica e a presença maior de pesquisadores locais nos estudos sobre a região. “Muitas vezes as pesquisas sobre a Amazônia são feitas por pessoas de fora. Precisamos estimular nossos estudantes e pesquisadores a produzirem conhecimento sobre a realidade que eles vivem e conhecem”, afirmou. A escolha de um flutuante às margens do Rio Acre também buscou reforçar a identidade regional da iniciativa.
Para a pró-reitora de Inovação e Tecnologia e vice-reitora eleita da Ufac, Almecina Balbino, o formato do Pint of Science ajuda a reduzir a distância entre universidade e sociedade e pode ampliar o interesse dos jovens pela pesquisa. “A ciência ainda é vista por muitas pessoas como algo distante, e esse formato adotado pelo evento ajuda justamente a aproximar o conhecimento da sociedade. Esperamos que esse evento desperte o interesse dos jovens pela pesquisa, pela universidade e pela inovação”, declarou.
Devedores com cobranças na Justiça passaram a enfrentar um bloqueio mais rápido e duradouro de valores em conta com a nova fase do Sisbajud, sistema usado pelo Judiciário para localizar e restringir ativos financeiros. Em projeto-piloto já em operação desde a semana passada, cinco instituições financeiras começaram a cumprir ordens judiciais em até duas horas, com processamento em duas janelas diárias, às 13h e às 20h. A mudança também permite que a ordem fique ativa por até um ano, o que abre espaço para retenção automática de novos depósitos até o valor da dívida ser alcançado.
Na prática, o bloqueio deixou de atingir apenas o saldo disponível no exato momento da decisão judicial. Agora, a restrição pode continuar valendo ao longo dos meses e alcançar entradas futuras de dinheiro na conta. O projeto começou com Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Nubank e XP Investimentos, e a expectativa do Conselho Nacional de Justiça é ampliar o modelo gradualmente para todo o sistema financeiro.
O CNJ afirma que a mudança busca acelerar a recuperação de dívidas e evitar que recursos sejam transferidos para terceiros antes do cumprimento da ordem. Em ações de cobrança, a medida costuma ser determinada por liminar, sem aviso prévio ao devedor, justamente para impedir a retirada antecipada dos valores. Por isso, em muitos casos, a pessoa só descobre o bloqueio ao tentar usar cartão, fazer transferência ou movimentar a conta.
A legislação continua protegendo salários, aposentadorias, pensões, benefícios do INSS e valores de até 40 salários mínimos em poupança, mas essa proteção não impede discussões judiciais caso o dinheiro seja alcançado de forma indevida. Nessas situações, o prazo para reagir é curto. Depois da intimação, o devedor pode pedir revisão e desbloqueio, desde que comprove que a quantia retida compromete a sobrevivência da família ou está amparada por proteção legal.
Há exceções. Dívidas de pensão alimentícia, empréstimos consignados e ativos acima dos limites protegidos podem ser alcançados. Desde abril de 2023, o Superior Tribunal de Justiça também admite penhora parcial de salários abaixo de 50 salários mínimos, desde que a medida não comprometa a subsistência do devedor e de sua família.
Com o novo desenho do sistema, advogados recomendam monitoramento frequente de processos no CPF, organização de comprovantes de renda e separação entre conta-salário e conta usada no dia a dia. A orientação é procurar assistência jurídica imediatamente em caso de bloqueio e evitar transferências para terceiros após tomar conhecimento da cobrança judicial, porque esse movimento pode ser tratado como fraude à execução e agravar a situação.
A prevenção da violência escolar passa, na avaliação da juíza Vanessa Cavalieri, por identificar causas, interromper ciclos de conflito e reorganizar a resposta de escolas, famílias e sistema de Justiça antes que episódios mais graves aconteçam. Esse será o eixo da palestra que a magistrada fará na sexta-feira, 22 de maio, no Acre, ao apresentar o Protocolo Eu Te Vejo, iniciativa voltada à prevenção da violência nas escolas e à adoção de práticas restaurativas no ambiente educacional.
Titular da Vara da Infância e da Juventude da Capital do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e coordenadora do Cejusc de Justiça Restaurativa, Vanessa sustenta que o protocolo “busca conscientizar as escolas, famílias e o sistema de Justiça sobre as causas da violência escolar” e criar estratégias para enfrentar o problema com foco em diálogo, acolhimento e reconstrução de vínculos. Na formulação da magistrada, a meta é transformar as relações dentro das escolas e tornar o ambiente mais respeitoso, acolhedor e inclusivo.
A proposta reúne mediação escolar, Justiça Restaurativa e articulação com a rede de saúde mental. O protocolo foi estruturado para compreender as causas da violência extrema nas escolas, melhorar o clima escolar, ampliar a inclusão, acelerar fluxos de atendimento e fortalecer mecanismos de proteção a crianças e adolescentes. O debate também alcança bullying, violência de gênero, transtornos psiquiátricos, inclusão de alunos neurodivergentes e o atendimento a adolescentes envolvidos em ataques a escolas.
A fala da juíza deve girar menos em torno de reação a casos consumados e mais na construção de rotinas permanentes de prevenção. A ideia central do protocolo é que sinais de ruptura, isolamento, escalada de agressões e falhas de escuta precisam ser enfrentados de forma coordenada, com participação da comunidade escolar e da rede de proteção, antes que o conflito se converta em violência extrema.