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Direto ao ponto

Entre a liberdade e a pressão política

“Entre contradições e estratégias: Quem define o rumo das alianças e escolhas no xadrez”

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Flaviano Melo afirmou que a escolha do vice para compor a chapa do MDB para prefeitura de Rio Branco nas próximas eleições seria prerrogativa de Marcus Alexandre, pré-candidato a prefeito (MDB). Contudo, surpreendentemente, ou nem tanto, por meio de notas em colunas políticas, expressou o interesse em buscar um nome de “centro” para compor “sua chapa”. Um jogo de palavras que revela a complexidade das estratégias políticas.

Se a responsabilidade pela escolha recair sobre seus ombros, de Marcus Alexandre, ele tem a chance única de selecionar um vice-candidato ou vice-candidata, capaz não apenas de trazer tranquilidade à chapa, mas também de somar habilidades complementares à sua visão administrativa para a cidade. Nesse contexto, a seleção de um parceiro ou parceira, que compartilhe dos mesmos valores e objetivos, aliado a uma competência que preencha lacunas e fortaleça a capacidade de gestão, torna-se fundamental.

A escolha não deve ser apenas uma decisão política, mas uma estratégia que contribua para a construção de uma equipe coesa e apta a enfrentar os desafios da administração pública com resiliência e eficiência. Há quem diga que Marcus Alexandre, sobre escolher o seu vice, “…já sabe a dor e a delícia de poder escolher e de lhe ser imposto uma vice”.

Enquanto isso, o “MDB”, ou melhor, Flaviano, segue sua busca por um nome de “centro”, ainda que, ironicamente, algumas dessas possíveis parcerias se alinhem mais à extrema direita, como PL, União Brasil e Republicanos. Estaria o medo do “fantasma do comunismo” impulsionando tais alianças?

O debate político na capital acreana necessita de nomes qualificados, mas também de questionamentos críticos. É vital que as discussões se concentrem nas propostas, capacidades e experiências dos candidatos, deixando de lado rótulos políticos e considerando o potencial transformador que cada liderança pode oferecer.

O cenário político do Acre se agita com a expectativa das escolhas e alianças. Resta-nos aguardar e observar atentamente como essas peças se movem no tabuleiro político, conscientes de que a democracia se fortalece com debates intensos, transparentes e desafiadores.

É desafiador. Por que desafiando a mesmice das estratégias políticas dos cabeças brancas, espera-se que enfrentem o desafio de um debate substantivo e verdadeiramente inclusivo. Em vez de se prenderem a convenções estéreis ou temores ideológicos ultrapassados, é hora de mergulhar em discussões transparentes e substanciais.

Agora, Flaviano Melo afirma que o MDB não está com pressa e optará por aguardar. No entanto, é incerto se a decisão final recai sobre o MDB como um todo, Flaviano Melo ou Marcus Alexandre.

No tabuleiro político do Acre, as declarações contraditórias de Flaviano Melo, e toda a sua influência, levantam um dilema crucial: quem detém o poder de decisão?

Direto ao ponto

Comunicação digital vira aposta no debate político do Acre

Lideranças políticas ocupam plataformas digitais, mas desafio é falar para além da própria bolha

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A comunicação política já não passa apenas por palanques, entrevistas, rádio e televisão. Nos últimos anos, setores da direita ocuparam com força redes sociais, canais de vídeo e aplicativos de mensagem, criando uma relação direta com suas bases e influenciando o debate público fora dos espaços tradicionais da imprensa. Diante desse cenário, lideranças do campo progressista passaram a investir mais em podcasts, lives e plataformas digitais, não apenas para marcar presença, mas para tentar disputar interpretação, audiência e vínculo social em um território onde a ausência também tem custo político.

No Acre, o ex-governador Jorge Viana estreou o “Aqui Tem Acre Cast”, projeto em formato de podcast que pretende discutir temas ligados à história recente do estado, aos desafios atuais e às perspectivas para o futuro.

O primeiro episódio foi ao ar no YouTube e contou com a participação do ex-governador Binho Marques, do jornalista Toinho Alves e da jornalista Marcela Jansen. A conversa abordou temas como política, desenvolvimento, educação, saúde, juventude, economia e os caminhos possíveis para o Acre nos próximos anos.

A iniciativa acompanha uma mudança na forma como figuras públicas se comunicam com a população. Em vez de depender apenas dos espaços tradicionais da imprensa, podcasts e canais próprios têm permitido conversas mais longas, com menos interrupções e maior liberdade para contextualizar temas complexos.

Apesar do potencial desses formatos, a simples presença nas plataformas digitais não garante, por si só, ampliação real de audiência nem construção de influência política. Um dos riscos é transformar podcasts, lives e canais próprios em espaços de reafirmação, voltados quase exclusivamente para quem já acompanha, concorda ou faz parte do mesmo campo político. Nesse caso, o formato muda, mas a lógica continua antiga: fala-se muito, escuta-se pouco e a comunicação passa a circular dentro da própria bolha.

Esse debate é recorrente entre profissionais da comunicação política. Marcelo Vitorino, especialista em marketing político digital, costuma chamar atenção para o equívoco de tratar a internet apenas como um novo canal para distribuir mensagens antigas. A crítica é pertinente: no ambiente digital, não basta levar para as redes o mesmo discurso pensado para televisão, palanque ou reunião política. É preciso adaptar linguagem, ritmo, público, território e forma de circulação.

Na mesma direção, o publicitário Juarez Guedes tem defendido que presença e relacionamento são elementos centrais para gerar validação social. A presença digital, portanto, só ganha sentido quando constrói conexão. Estar no YouTube, no Instagram ou em qualquer outra plataforma não significa, necessariamente, dialogar com a sociedade. Pode significar apenas falar para os mesmos grupos, com os mesmos argumentos e para uma audiência que já está previamente convencida.

Em recente publicação em suas redes sociais, o marqueteiro Zé Américo resume bem esse desafio: “O que ganha eleição é transformar história em confiança, experiência em solução e presença em voto.” No contexto da comunicação digital, a ideia ajuda a separar visibilidade de influência. Um podcast pode registrar memória, organizar narrativas e apresentar ideias, mas só se torna politicamente relevante quando consegue traduzir trajetória em confiança, experiência em resposta concreta e presença em vínculo real com o público.

A crítica, portanto, não diminui a importância dos podcasts e canais próprios. Ao contrário, reforça que esses espaços podem ser relevantes quando não se limitam à autopromoção ou à defesa de trajetórias pessoais. Para alcançar públicos mais amplos, é preciso combinar conteúdo, escuta, linguagem, cortes, distribuição, presença nas redes e capacidade de falar também com quem não acompanha diariamente o debate político. No ambiente digital, curtida não é voto, visualização não é adesão e engajamento, sozinho, não garante construção de reputação. Essa distinção entre métrica de rede e força política real também aparece em análises recentes sobre campanhas que confundem produção de conteúdo com comunicação política. 

Durante o episódio, Jorge Viana e os convidados falaram sobre experiências de gestão, mudanças vividas pelo Acre nas últimas décadas e questões que continuam presentes no cotidiano da população. A proposta do programa é reunir diferentes vozes para discutir o estado a partir de sua história, de seus problemas e de suas possibilidades.

O “Aqui Tem Acre Cast” está disponível no canal Jorge Viana Acre, no YouTube.

📍 Assista ao episódio:


Foto: Marcos Vicentti/Secom

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Direto ao ponto

A crença nas pesquisas e as contradições dos números no Acre

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Quando os levantamentos parecem congelar a política, o eleitor precisa olhar além dos percentuais e compreender o contexto real da disputa eleitoral acreana de 2026

As pesquisas eleitorais ocupam hoje um espaço central no debate político brasileiro. Elas ajudam a medir tendências, identificar movimentos do eleitorado e compreender o ambiente de uma disputa. O problema começa quando parte da opinião pública passa a tratar pesquisas como previsão definitiva de resultado eleitoral e não como um retrato momentâneo de um cenário em constante transformação.

É exatamente esse debate que precisa ser feito no Acre em 2026.

Não se trata de questionar institutos, metodologias ou a idoneidade das pesquisas divulgadas pela imprensa acreana. O ponto central é outro: analisar politicamente os números apresentados e compreender se eles dialogam com a realidade dinâmica da política do estado.

A mais recente pesquisa Delta divulgada no Acre chama atenção por um aspecto bastante peculiar: o cenário aparece praticamente congelado. O líder apresentado mantém índices extremamente estáveis ao longo das sucessivas rodadas, enquanto os demais candidatos não demonstram qualquer capacidade de crescimento significativo, mesmo após acontecimentos políticos relevantes ocorridos nos últimos meses.

Na prática, a pesquisa desenha um quadro de eleição praticamente consolidada antes mesmo do início oficial da campanha.

E é justamente aí que surgem as contradições.

O senador Alan Rick aparece como líder absoluto e incontestável da disputa. É um nome competitivo, conhecido, com presença consolidada na política acreana e forte inserção no interior do estado. Portanto, não há qualquer estranheza em aparecer liderando pesquisas neste momento.

O que chama atenção é a ausência quase total de oscilação no cenário.

A política não funciona em linha reta. A política é movimento. E movimentos políticos costumam produzir alterações, ainda que pequenas, na percepção do eleitorado.

Nos últimos meses, por exemplo, a governadora Mailza Assis assumiu efetivamente o comando do Estado, intensificou agendas institucionais, passou a ocupar diariamente o noticiário político e começou naturalmente a ser identificada pela população como candidata à reeleição.

Qualquer manual básico de ciência política ensina que a ocupação do poder produz visibilidade. E visibilidade costuma gerar crescimento de conhecimento popular, fortalecimento de imagem e ampliação de recall eleitoral.

Ainda assim, as pesquisas praticamente não registram alteração positiva consistente para a governadora.

E isso gera um questionamento político legítimo.

A máquina estadual possui capilaridade, comunicação institucional, presença nos municípios e capacidade de pautar o debate público. Mesmo governos mal avaliados costumam registrar algum tipo de crescimento inicial quando o ocupante do cargo assume plenamente o protagonismo político da gestão.

Mas no cenário apresentado, quase nada muda.

O mesmo raciocínio vale para Tião Bocalom.

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Bocalom deixou a Prefeitura de Rio Branco após uma gestão amplamente divulgada, marcada por forte exposição de obras, programas e ações administrativas. Sua saída da prefeitura gerou intensa repercussão política e consolidou definitivamente sua entrada na disputa pelo governo.

Além disso, Bocalom é um político veterano, conhecido em praticamente todo o Acre, com histórico eleitoral consolidado e forte identidade junto a parcelas importantes do eleitorado conservador e do setor produtivo.

Após deixar a prefeitura, intensificou agendas no interior, ampliou articulações políticas e passou a circular como pré-candidato em diversas regiões do estado.

Naturalmente, isso deveria produzir algum tipo de oscilação positiva.

Mas novamente o cenário permanece praticamente imóvel.

E é exatamente esse “congelamento político” que chama atenção.

Porque campanhas eleitorais não se movem apenas no período oficial da propaganda. Pré-campanha também produz fato político, visibilidade e disputa de narrativa.

Outro aspecto interessante da própria pesquisa é a avaliação positiva do prefeito Alysson Bestene.

Os levantamentos mostram que Alysson inicia a gestão municipal com índices importantes de aprovação. E isso é compreensível. Afinal, ele assumiu uma prefeitura estruturada financeiramente, com caixa robusto, obras em andamento, programas implantados e uma máquina administrativa funcionando.

Além disso, Alysson conseguiu imprimir um estilo próprio, manter ritmo administrativo e dar continuidade a ações que já vinham sendo executadas na capital.

Mas aí surge outra contradição política relevante.

Se a população aprova a continuidade administrativa da Prefeitura de Rio Branco, é razoável imaginar que parte desse ambiente favorável também dialogue diretamente com o legado político e administrativo de Tião Bocalom.

Ou seja: a gestão aprovada é fruto de um processo político iniciado anteriormente.

Então como explicar que o sucessor tenha boa avaliação administrativa e, ao mesmo tempo, o principal líder político desse grupo não apresente crescimento proporcional nas pesquisas estaduais?

Esse tipo de contradição não invalida pesquisas. Mas exige interpretação política madura.

Porque pesquisa não pode ser lida apenas pela superfície dos números.

É preciso compreender o ambiente em que os dados estão inseridos.

Outro detalhe importante está nos índices elevados de indecisos e eleitores que ainda não manifestam espontaneamente preferência eleitoral. Isso demonstra que a eleição acreana está longe de possuir um cenário completamente consolidado.

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E esse talvez seja o principal ponto ignorado por parte da cobertura política: eleições majoritárias raramente permanecem estáticas quando a campanha efetivamente começa.

O Acre possui histórico de disputas altamente dinâmicas, com mudanças bruscas de tendência, crescimento de candidaturas durante o processo eleitoral e reconfigurações políticas provocadas por debates, alianças e movimentações de campanha.

A política acreana nunca foi território de vitória antecipada.

Por isso, talvez o maior erro seja transformar pesquisa em instrumento de construção de inevitabilidade.

Muitas vezes, mais importante do que medir intenção de voto é criar no imaginário coletivo a sensação de que a disputa já terminou antes mesmo de começar.

E isso produz efeitos psicológicos importantes sobre parte do eleitorado, sobre lideranças políticas e até sobre o ambiente de alianças partidárias.

Mas a história recente da política brasileira mostra justamente o contrário: campanhas mudam cenários. Debates alteram percepções. Exposição eleitoral modifica níveis de conhecimento. E a rua continua sendo um fator decisivo nas eleições.

No Acre, isso tende a ser ainda mais intenso.

Porque o eleitor acreano acompanha política de perto, debate política no cotidiano e costuma tomar decisões mais definitivas apenas quando a disputa entra efetivamente na fase quente da campanha.

Por isso, pesquisas devem ser vistas como ferramenta de análise — não como sentença eleitoral.

Elas ajudam a compreender o momento. Mas não encerram o debate político.

Principalmente quando os próprios números apresentados revelam contradições que merecem reflexão.

Afinal, numa eleição real, a política raramente permanece imóvel por tanto tempo.

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Direto ao ponto

O debate não é sobre nostalgia. É sobre futuro.

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A possibilidade de Binho Marques compor, como suplente, uma eventual chapa de Jorge Viana ao Senado pelo PT coloca no debate um nome importante da história política recente do Acre. A hipótese foi noticiada pelo ContilNet, a partir da presença de Binho em agendas recentes do partido e de sua citação como possível suplente na chapa petista de 2026.

Caso seja confirmado, não se tratará apenas de uma fotografia de campanha nem de um aceno à memória da Frente Popular. A suplência ao Senado tem peso político real: os suplentes integram a chapa e podem assumir o mandato em caso de afastamento ou impedimento do titular.

Antes que a discussão seja reduzida ao domicílio eleitoral, é preciso evitar simplificações. Para disputar pelo Acre, o ponto central não é morar cotidianamente em Rio Branco, mas possuir domicílio eleitoral na circunscrição exigida pela legislação. A própria Justiça Eleitoral reconhece que esse conceito é mais amplo do que residência civil e pode considerar vínculos familiares, profissionais, sociais, afetivos ou políticos.

Mas a política não se encerra na formalidade jurídica. Mesmo que todos os requisitos legais estejam preenchidos, permanece uma pergunta legítima: qual é, hoje, o vínculo concreto de Binho Marques com o Acre real, com seus problemas atuais e com a agenda que o Estado precisa construir para os próximos anos?

Binho tem história. Foi governador, educador, gestor público e participou de um ciclo em que a educação ocupou lugar central no projeto político acreano. Essa trajetória não precisa ser apagada nem diminuída. Mas também não deve ser usada apenas como memória.

Foto Gleilson Miranda/Gestao Escolar

O Acre de 2026 não é o Acre dos anos 1990 nem dos anos 2000. Os desafios mudaram. A educação já não pode ser discutida apenas em termos de acesso, matrícula, prédios escolares ou reorganização administrativa. A nova agenda passa por aprendizagem real, alfabetização na idade certa, permanência dos estudantes, ensino médio conectado ao mundo do trabalho, formação técnica, tecnologia, valorização dos professores e capacidade de preparar uma geração para viver, produzir e inovar no próprio Estado.

É nesse ponto que a presença de Binho no debate pode ganhar relevância pública. A pergunta não é apenas se ele pode ser suplente. A pergunta mais importante é: o que ele tem a dizer sobre o futuro do Acre?

Se Binho vier apenas para recompor uma chapa, a discussão será pequena. Se vier para ajudar a formular uma nova agenda para a educação, para a juventude e para o desenvolvimento do Estado, a conversa muda de nível.

O mesmo vale para Jorge Viana e para o PT. Reunir nomes históricos pode ter força eleitoral, mas também traz uma cobrança inevitável: o que essa geração ainda tem a oferecer ao Acre de agora?

O debate, portanto, não é sobre nostalgia.

A presença de Binho Marques como suplente de Jorge Viana só terá densidade política se vier acompanhada de respostas. Que diagnóstico ele traz? Que pontes pode construir? Que projeto ajuda a formular? Que Acre ele enxerga para os próximos dez anos? (FUTURO) e esse futuro começa hoje!

A legalidade de uma eventual candidatura será examinada pela Justiça Eleitoral, se houver registro e questionamento. A pertinência política será julgada pelo eleitor.

Binho tem passado no Acre. Isso é fato. A questão, agora, é saber se sua volta ao centro da política acreana aponta para uma nova agenda ou apenas para a repetição de uma antiga fotografia.

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