AtlasIntel/Bloomberg e Real Time Big Data mostram liderança numérica, mas revelam empate técnico no segundo turno, desaprovação elevada e dificuldade de expansão eleitoral
Por Zé Américo Silva*
As análises recentes sobre a sucessão presidencial de 2026 estão ancoradas, principalmente, em dois levantamentos nacionais divulgados nos últimos dias: a pesquisa AtlasIntel em parceria com a Bloomberg e a pesquisa Real Time Big Data, registrada sob o nº BR-09353/2026 e divulgada em 03 de março de 2026.
Os dois estudos convergem num ponto central: Lula mantém posição competitiva no primeiro turno, mas enfrenta forte estreitamento quando o cenário evolui para o segundo turno — especialmente diante de Flávio Bolsonaro.
Na pesquisa Real Time Big Data, realizada com 2.000 entrevistas, margem de erro de dois pontos percentuais e 95% de confiança, Lula aparece entre 39% e 40% nos cenários estimulados de primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro oscila entre 32% e 34%. A vantagem existe, mas não é confortável.
No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o levantamento aponta 42% para Lula e 41% para o adversário — empate técnico dentro da margem de erro. Trata-se de um dado politicamente relevante: um presidente no exercício do mandato, com ampla exposição institucional, não consegue abrir distância consistente no confronto direto.
A pesquisa também revela um indicador estrutural preocupante: 51% dos entrevistados desaprovam o governo federal, enquanto 44% aprovam. Na avaliação qualitativa, 46% classificam a gestão como ruim ou péssima, contra 26% que a consideram ótima ou boa.
Esses números ajudam a explicar por que a vantagem numérica no primeiro turno não se converte automaticamente em segurança eleitoral.
A AtlasIntel/Bloomberg, divulgada no fim de fevereiro, apresentou tendência semelhante: Lula lidera cenários iniciais, mas aparece em empate técnico em eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro. O padrão se repete — base consolidada, porém dificuldade de expansão.
Quando se analisam os recortes da Real Time Big Data, o diagnóstico se aprofunda. Lula mantém ampla vantagem no Nordeste, mas enfrenta disputa mais equilibrada no Sudeste, Sul e Centro-Oeste . Entre eleitores de renda mais alta, a diferença diminui significativamente. A rejeição consolidada também é elevada: parcela expressiva declara conhecê-lo e não votar nele.
Esses dados não apontam derrota iminente, mas evidenciam limitação estratégica. O problema não está apenas na matemática eleitoral, mas na conversão comunicacional. Um governo com orçamento robusto, presença institucional diária e máquina pública operando deveria apresentar indicadores de aprovação capazes de ampliar sua margem.
A troca recente no comando da comunicação federal tinha como objetivo reverter ruídos, ampliar presença digital e melhorar performance nas redes sociais. Contudo, as pesquisas indicam que a percepção pública permanece tensionada. A narrativa governamental continua enfrentando dificuldade para transformar realizações administrativas em sentimento majoritário de aprovação.
A conclusão que emerge da combinação AtlasIntel/Bloomberg + Real Time Big Data é inequívoca: Lula permanece competitivo, mas vulnerável. Lidera, mas não consolida hegemonia. Avança no primeiro turno, mas encontra barreira no segundo.
Em termos estratégicos, a comunicação segue sendo o ponto mais sensível do governo. E em uma eleição polarizada, vulnerabilidade narrativa pode custar mais caro do que qualquer oscilação conjuntural de dois ou três pontos percentuais.
*Zé Américo Silva é jornalista e consultor de marketing político
Foto: Ricardo Stuckert / PR
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