O governo do Acre assinou nesta sexta-feira, 13 de março de 2026, em Assis Brasil, a ordem de serviço de R$ 2 milhões para a construção de oito poços artesianos em aldeias da Terra Indígena Cabeceira do Rio Acre, com a meta de garantir água potável a comunidades indígenas atingidas pela seca severa no estado. A medida deve atender cerca de 1.250 famílias, mais de 5,2 mil pessoas, e integra o conjunto de ações para enfrentar a estiagem prolongada e os impactos das mudanças climáticas na região de fronteira.
A assinatura foi feita pela vice-governadora Mailza Assis, ao lado da secretária Extraordinária dos Povos Indígenas, Francisca Arara. “O acesso à água é um direito básico e fundamental. Essa ação representa cuidado com a vida das pessoas e respeito aos povos indígenas que vivem nessas regiões. Estamos trabalhando para garantir melhores condições de vida para essas comunidades”, disse Mailza. A iniciativa é coordenada pela Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi) e tem foco em segurança hídrica para comunidades em situação de vulnerabilidade.
O ato reuniu o prefeito de Assis Brasil, Jerry Correia, o presidente da Assembleia Legislativa, Nicolau Júnior, a deputada federal Socorro Neri, além de lideranças indígenas e representantes de instituições parceiras. Para a Sepi, a obra responde a uma demanda antiga e se conecta ao planejamento de adaptação às secas mais frequentes. “Em 2023 estivemos aqui e ouvimos das comunidades a necessidade de perfuração de poços artesianos e de ações para garantir segurança alimentar. Estamos vivendo um momento de mudanças climáticas e precisamos nos preparar para períodos de seca cada vez mais severos. Esses poços vão atender oito comunidades e já temos planejamento para levar essa ação também para outras regiões do estado”, afirmou Francisca Arara.
Os poços serão construídos em aldeias da Terra Indígena Cabeceira do Rio Acre, incluindo Nova União, Maria Montesa, Três Cachoeiras, Ananás, Liberdade, Vida Nova, Morada Nova e Apuí. As comunidades atendidas pertencem ao povo Jaminawa, e o alcance da ação inclui áreas onde vivem grupos indígenas em isolamento voluntário na cabeceira do Rio Acre, em zona de fronteira entre Brasil e Peru. A expectativa é que o abastecimento regular reduza riscos sanitários e ajude a prevenir doenças associadas ao consumo de água imprópria, além de dar suporte às rotinas de produção e cuidado das famílias em áreas remotas.
A assinatura foi acompanhada por lideranças Jaminawa e por Sabá Manchineri, cacique da Aldeia Twatwa, na Terra Indígena Mamoadate, em Sena Madureira. Santos Raimundo Jaminawa, presidente da Associação Nuku, que representa 11 aldeias em Assis Brasil, afirmou que a obra responde a uma espera prolongada nas comunidades. “Esses oito poços são um grande alívio para as nossas comunidades. Esperamos há muitos anos por essa melhoria. A água é essencial para beber, para produzir e para cuidar das nossas famílias. Tenho certeza de que esse investimento vai trazer mais saúde e qualidade de vida para o nosso povo”, disse.
Homologada em 1998, a Terra Indígena Cabeceira do Rio Acre fica em Assis Brasil, abriga o povo Jaminawa e é considerada estratégica para a proteção de populações indígenas na faixa de fronteira. Com a ordem de serviço assinada, a previsão é que as perfurações e a instalação da estrutura avancem como resposta emergencial à seca e como medida de adaptação para reduzir a dependência de fontes superficiais em períodos de estiagem, ampliando a segurança hídrica nas aldeias atendidas.