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Direitos Humanos

Suíça monitorou e expulsou exilados brasileiros que denunciavam torturas da ditadura

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A polícia e a diplomacia da Suíça acompanharam de perto, registraram e reagiram contra brasileiros exilados que denunciavam violações cometidas pela ditadura militar no Brasil, incluindo expulsões e cassação de vistos, enquanto o país europeu mantinha relações econômicas e políticas com o regime.

Um dos casos centrais é o do então estudante Jean Marc Von der Weid, brasileiro com nacionalidade suíça, preso no Brasil entre agosto de 1969 e janeiro de 1971 e libertado no fim de 1970 no grupo de 70 presos políticos trocados pela libertação do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, sequestrado no Rio em 7 de dezembro de 1970 e solto 40 dias depois. No exílio, Von der Weid passou a relatar publicamente o que viveu. “Fui torturado por quatro dias. Quase sem parar. Não saí da câmara de tortura”, disse em entrevista à rádio e TV pública suíça RTS, descrevendo métodos como pau de arara, choques elétricos, espancamentos e a chamada “tortura hidráulica”.

A atuação de exilados e de redes de solidariedade virou alvo de vigilância formal. Pesquisadoras da Universidade de Lausanne, Gaelle Shclier e Gabriella Lima, localizaram relatórios que mostram o monitoramento de eventos e palestras feitos por opositores do regime. Um documento de 9 de março de 1971, com 36 páginas, traz transcrições de falas em uma conferência intitulada “Brasil, a democratização da tortura”, incluindo o relato de Von der Weid e registros sobre organizadores, cartazes e menções a empresas suíças associadas a ganhos no Brasil naquele período. “Esses eventos eram monitorados pela polícia”, afirmou Shclier ao descrever o material.

Além da vigilância, correspondências diplomáticas indicam que autoridades suíças tinham conhecimento das violações. Em um documento de outubro de 1973 intitulado “Tortura no Brasil”, o cônsul suíço no Rio de Janeiro, Marcel Guelat, escreveu ao Departamento de Política do Ministério das Relações Exteriores suíço que órgãos como o Dops eram conhecidos pela brutalidade e que unidades do Exército recorriam a “maus-tratos físicos, queimaduras, choques elétricos, câmara fria”. O texto também registra a avaliação de que seria improvável que a prática fosse desconhecida nos níveis mais altos do governo brasileiro.

Mesmo com esse acúmulo de registros, a reação não ficou restrita a acompanhar: exilados foram alvo de medidas administrativas. A dupla nacionalidade impediu a expulsão de Von der Weid, mas outros opositores, como Apolônio de Carvalho e Ladislau Dowbor, tiveram expulsão e cassação de vistos sob a justificativa de quebra da neutralidade suíça. Um informe do Ministério das Relações Exteriores do Brasil à Presidência, em novembro de 1970, relacionou a rapidez da decisão suíça a pressões e ao peso das relações políticas e econômicas entre os dois países.

No pano de fundo, pesquisas reunidas por Gabriella Lima e entrevistas colhidas para a série apontam que o ambiente de repressão no Brasil interessava a setores empresariais, com investimentos e atuação de multinacionais suíças durante o período. Em entrevista à RTS em 1970, o então presidente da Swisscam, Anton Von Salis, associou o pós-golpe a estabilidade e custos menores, enquanto estudos citados pelas pesquisadoras comparam salários pagos por grandes empresas e descrevem ganhos ligados ao enfraquecimento de sindicatos e à contenção de greves.

Questionada sobre a postura do país naquele contexto, a embaixada da Suíça no Brasil afirmou que uma resposta detalhada exigiria análises e pesquisas históricas aprofundadas no âmbito federal e disse que “saúda” estudos independentes sobre o passado. Com o avanço de investigações acadêmicas e novas divulgações de arquivos, a tendência é que aumente a pressão por acesso a documentos e por debates públicos sobre o papel de governos e empresas estrangeiras na sustentação internacional da ditadura brasileira.

Fonte: Agência Brasil

Direitos Humanos

Curso gratuito abre inscrições para formação em Direitos Humanos, diversidade e educação midiática

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Estão abertas as inscrições para a terceira edição do Curso de Aperfeiçoamento em Educação em Direitos Humanos, Diversidades e Educação Midiática: Práticas com a Escola. Gratuita, totalmente on-line e com carga horária de 225 horas, a formação recebe inscrições até 21 de junho de 2026 e é voltada prioritariamente a professores e profissionais da Educação Básica com vínculo formal escolar.

A proposta do curso é aproximar direitos humanos, diversidade e educação midiática da rotina das escolas, com foco em práticas pedagógicas conectadas aos desafios contemporâneos da educação. A formação foi estruturada para contribuir com a atuação de profissionais capazes de desenvolver ações críticas, acolhedoras e alinhadas à convivência democrática no ambiente escolar.

O conteúdo será dividido em uma unidade geral e cinco unidades temáticas, com atividades voltadas à construção de experiências formativas e propostas prático-pedagógicas. Entre os temas abordados estão educação midiática, direitos de crianças e adolescentes no ambiente digital, comunicação não violenta, diversidade sexual e de gênero, migrações internacionais no cotidiano escolar e enfrentamento à desinformação.

Ao longo do curso, os participantes terão acesso a videoaulas, textos-base, fóruns de discussão, atividades avaliativas, materiais complementares e sugestões de dinâmicas para aplicação junto à comunidade escolar. Segundo a coordenadora-geral da formação, Gláucia Carvalho Gomes, esta edição amplia o foco na prática pedagógica e nas experiências concretas vividas nas escolas, com estratégias e metodologias pensadas para dialogar diretamente com os desafios enfrentados no cotidiano escolar.

A iniciativa já alcançou milhares de profissionais em todo o país. Na edição de 2025, foram registrados 14.169 interessados, com 7.778 matrículas validadas e 6.528 participantes aprovados ao fim da formação. Os concluintes estavam distribuídos em 1.604 municípios brasileiros, com presença em todos os estados.

A nova edição surge em meio à ampliação dos debates sobre educação midiática, direitos humanos e convivência democrática nas escolas brasileiras. A proposta é fortalecer práticas educativas voltadas à promoção de direitos, ao enfrentamento da desinformação e à valorização das diversidades nos espaços escolares.

Inscrições >> https://cead.ufu.br/noticia/2026/05/edhdem

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Acre

MPAC cria centro para atender crianças e adolescentes vítimas de violência no Acre

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O Ministério Público do Estado do Acre criou o Centro Especializado em Atendimento às Vítimas Infantojuvenis, o Ceavi, para acolher crianças e adolescentes vítimas de crimes e outras violências no estado. A estrutura foi oficializada nesta segunda-feira, 25, e passa a funcionar com atendimento voltado a orientação jurídica, apoio psicológico e acompanhamento individualizado de casos, com foco especial em situações de violência sexual, maus-tratos e ocorrências semelhantes.

Ligado à Procuradoria-Geral de Justiça, o novo centro vai atuar por demanda, seja quando a vítima ou a família procurar o MPAC, seja por encaminhamento de órgãos da rede de proteção. Entre as atribuições estão o acolhimento especializado, a análise de casos concretos, o acompanhamento de inquéritos, medidas cautelares e protetivas e a articulação com outros setores do Ministério Público e instituições parceiras para acelerar respostas e ampliar a proteção às vítimas.

A medida também amplia a estrutura já mantida pelo MPAC para atendimento a vítimas em situação de vulnerabilidade. O Ceavi vai manter interlocução permanente com o Centro de Atendimento à Vítima, o CAV, além de outros órgãos auxiliares da instituição. A proposta inclui ainda a produção de dados estatísticos, a formação de membros e servidores, a realização de campanhas de conscientização e a construção de parcerias com universidades e entidades públicas e privadas para fortalecer o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes no Acre.

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Acre

Acre sobe para 9º no ranking nacional de políticas LGBTQIA+ e amplia rede de proteção

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O Acre chegou ao 9º lugar no ranking nacional de políticas públicas voltadas à população LGBTQIA+, avanço divulgado em fevereiro de 2026 e celebrado neste 17 de maio, Dia Nacional de Combate à Homofobia. O estado ocupava a 24ª posição em 2024. A mudança foi atribuída à estruturação de órgãos, criação de orçamento próprio, inclusão das políticas no Plano Plurianual e articulação com o sistema de Justiça.

O reconhecimento foi apresentado durante visita técnica do Programa Atena e do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTQIA+, em seminário realizado no Museu dos Povos Acreanos, em Rio Branco. No evento, a governadora Mailza Assis afirmou que o governo atua de forma integrada para ampliar o atendimento, abrir oportunidades, fortalecer a inserção no mercado de trabalho e proteger a vida da população LGBTQIA+.

Entre os fatores que impulsionaram a subida do Acre no ranking estão a consolidação de sete frentes: órgão gestor estruturado, conselho estadual em funcionamento, políticas incluídas no PPA, orçamento específico, articulação interinstitucional, fortalecimento da participação social e ações permanentes de cidadania e enfrentamento à violência. Entre 2024 e 2026, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos estruturou de forma permanente a Divisão de Promoção dos Direitos das Pessoas LGBTIQIA+, responsável pela formulação e execução dessas políticas.

A rede de proteção também foi ampliada. Em janeiro de 2025, a secretaria assinou termo de cooperação técnica com o Ministério Público do Acre para atendimento e acompanhamento de vítimas de violência motivada por LGBTfobia. A política passou a ser articulada de forma permanente com Defensoria Pública, Tribunal de Justiça do Acre, Procuradoria-Geral do Estado, secretarias estaduais, instituições federais e movimentos sociais. A PGE atuou na construção de normativas, na garantia do nome social e na segurança jurídica das ações afirmativas.

Em maio de 2025, o estado realizou a 4ª Conferência Estadual dos Direitos das Pessoas LGBTIQIA+, reunião que reuniu representantes do governo e da sociedade civil para discutir propostas de enfrentamento à violência e promoção da cidadania. Na área da empregabilidade, uma das principais medidas foi a criação, em março de 2025, do Comitê de Oportunidades Econômicas para Pessoas LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade social, voltado à formulação de ações de trabalho digno, incentivo à contratação e combate à exclusão econômica causada por discriminação.

O plano estadual de ação para empregabilidade LGBTQIA+ passou a prever inclusão no mercado formal, geração de renda, qualificação profissional e articulação com empresas públicas e privadas. No período, a secretaria também executou mutirão de retificação de nome e gênero para pessoas trans, atendimento multidisciplinar, ações de empregabilidade com o Sine Acre e o Ministério do Trabalho, formação continuada, campanhas educativas e iniciativas para enfrentar a evasão escolar de estudantes LGBTI+. “Nosso governo já tem feito e nosso objetivo é potencializar ainda mais as ações de promoção e defesa dos direitos humanos para ampliarmos a proteção e coibirmos as violações de direitos, especialmente da população LGBTQIA+”, disse o secretário João Paulo Silva.

A base legal desse processo começou a ser consolidada em agosto de 2023, com a sanção da Lei nº 4.158, que instituiu no Acre o Dia de Valorização, Respeito à Diversidade LGBTQIA+ e Combate à LGBTfobia. Em abril de 2026, o governo publicou o Decreto nº 11.878 para regulamentar a norma e definir diretrizes para campanhas educativas, atividades culturais e esportivas, formações para servidores públicos, mobilizações sociais e divulgação de canais oficiais de denúncia de discriminação. O texto também prevê programação mínima anual no dia 17 de maio e participação consultiva do Conselho Estadual de Combate à Discriminação contra a População LGBTQIAPN+.

O secretário executivo do conselho, Germano Marino, afirmou que o governo pretende ampliar a presença dessas políticas no interior do estado e enviar à Assembleia Legislativa projeto para criação do conselho com diretrizes permanentes para o segmento. Segundo ele, o objetivo é levar direitos a regiões que ainda não são alcançadas pelas ações de enfrentamento à LGBTfobia.

A data de 17 de maio marca a retirada da homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças pela Organização Mundial da Saúde, em 1990. No Brasil, o Dia Nacional de Combate à Homofobia foi instituído por decreto presidencial em 4 de junho de 2010. Apesar dos avanços, o cenário nacional ainda é de violência. Dados citados pelo governo apontam que uma pessoa LGBT é agredida por hora no país e que a expectativa de vida de pessoas trans é de 35 anos. Nesse contexto, o avanço do Acre passou a ser tratado pelo governo estadual como sinal de consolidação de uma política pública permanente voltada à proteção, à inclusão e à garantia de direitos.

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