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Unicef aponta aumento da violência contra crianças e adolescentes na Amazônia Legal

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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgaram dados que indicam índices mais altos de violência sexual e letal contra crianças e adolescentes na Amazônia Legal em comparação ao restante do país. O levantamento, com base em registros de 2021 a 2023, aponta que seis dos dez estados brasileiros com maiores taxas de violência sexual contra menores estão na região, que concentrou mais de 31 mil casos de estupro nesse período.

Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Pará, Tocantins e Acre lideram o ranking regional, com taxas que variam de 163,7 a 234,2 casos para cada 100 mil crianças e adolescentes. Municípios localizados até 150 quilômetros das fronteiras brasileiras apresentaram incidência superior à média da região. Em 2023, a taxa na Amazônia foi de 141,3 casos por 100 mil, 21,4% acima do índice nacional.

O estudo também revela que a violência letal contra jovens de 15 a 19 anos em centros urbanos amazônicos é 27% maior do que em áreas urbanas de outras regiões. No período analisado, a região registrou quase 3 mil mortes violentas intencionais de menores de idade, com taxa 31,9% superior nas cidades amazônicas em relação ao restante do país.

As desigualdades raciais são marcantes. Entre as vítimas de estupro na região, 81% eram negras e 2,6% indígenas. Crianças e adolescentes negros estão três vezes mais expostos à violência letal, incluindo mortes por intervenção policial, que atingiram 91,8% de vítimas negras em 2023. A violência sexual contra crianças indígenas mais que dobrou no triênio, com aumento de 151%.

Os dados também mostram 10.125 casos de maus-tratos registrados na região entre 2021 e 2023, sendo que, em 2023, a maioria das vítimas era menina, negra, com idade entre 5 e 9 anos, e agredida por um familiar dentro de casa.

Segundo Nayana Lorena da Silva, oficial de Proteção contra a Violência do Unicef, a vulnerabilidade social, os conflitos territoriais, a extensão das fronteiras e a incidência de crimes ambientais criam um cenário complexo que exige ações específicas para garantir os direitos da infância na região. Para o pesquisador Cauê Martins, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as políticas públicas precisam considerar as particularidades amazônicas para serem efetivas.

Entre as recomendações, estão o fortalecimento dos registros e monitoramento de casos, capacitação de profissionais para o atendimento às populações indígenas, controle do uso da força policial, enfrentamento ao racismo estrutural e à desigualdade de gênero, além da ampliação de políticas de proteção ambiental e combate a ilícitos.

O levantamento utilizou dados das secretarias estaduais de Segurança Pública e do Ministério da Saúde. Desde 2023, o governo federal atua no enfrentamento à exploração sexual na região por meio do Plano Amazônia: Segurança e Soberania e da Operação Caminhos Seguros, que já resultou em prisões, apreensões e resgates de vítimas.

O Unicef reforça que a redução desses índices depende de ação integrada de governos e sociedade, com foco nas especificidades territoriais e culturais da Amazônia Legal para garantir a proteção integral de crianças e adolescentes.

Rio Branco

Justiça libera ônibus da Ricco e transporte coletivo deve ser normalizado em Rio Branco

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A Justiça liberou o retorno de ônibus da Ricco Transportes ao sistema de transporte coletivo de Rio Branco após uma disputa contratual entre empresas privadas retirar veículos de circulação e afetar a oferta do serviço na capital. Nesta sexta-feira (17), 28 ônibus começaram a ser reincorporados à operação, e a expectativa é que as linhas voltem gradualmente à normalidade até segunda-feira.

A medida foi viabilizada após atuação da Procuradoria-Geral do Município em Brasília. Durante a negociação, a Prefeitura realizou um depósito judicial para permitir a volta dos veículos enquanto o conflito contratual continua em análise pela Justiça. O valor do depósito não foi informado.

Com os ônibus novamente à disposição do sistema, a gestão municipal espera ampliar a oferta de coletivos e reduzir os transtornos enfrentados pela população nos últimos dias. A crise atingiu passageiros que dependem do transporte público para deslocamentos diários ao trabalho, à escola e a serviços essenciais.

O superintendente da RBTrans, Marcos Roberto da Silva Coutinho, afirmou que uma equipe emergencial foi montada para acompanhar a situação e buscar uma solução que preservasse o atendimento aos usuários. “A Prefeitura mediou a negociação entre as empresas e garantiu a liberação da frota apreendida, permitindo a retomada da normalidade no transporte”, disse.

Coutinho também afirmou que a nova empresa responsável pelo transporte coletivo deve começar a operar em aproximadamente 60 dias. A previsão é que a futura operadora disponibilize 120 ônibus para atender os usuários do sistema.

O representante da Ricco Transportes, Leonardo Frederico, disse que a população já deve perceber melhora no serviço a partir desta sexta-feira. “É uma coisa de cada vez, mas a gente resolveu boa parte dos problemas, dos conflitos. Agora, a população, a partir de hoje, já vai notar a diferença e, na segunda-feira, já vai poder ver a normalidade”, afirmou.

A regularização completa ainda deve ocorrer de forma gradual, conforme os veículos liberados retornem às linhas e os ajustes operacionais sejam concluídos.

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Justiça do Acre

TJAC aprova licença por maternidade, paternidade e adoção para estagiários

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O Tribunal Pleno Administrativo do Tribunal de Justiça do Acre aprovou, por unanimidade, em Rio Branco, a minuta de um anteprojeto de lei que garante a estagiárias e estagiários do Judiciário acreano o direito ao afastamento por maternidade, paternidade e adoção. A proposta mantém o pagamento da bolsa-estágio durante a licença e seguirá para análise da Assembleia Legislativa do Acre.

A medida beneficia estudantes do ensino médio, da graduação e da pós-graduação que atuam no TJAC. Durante o período de afastamento, a bolsa deverá ser paga integralmente, sem descontos e sem mudança na natureza educativa do estágio.

O anteprojeto foi elaborado para suprir uma lacuna da legislação atual. A Lei do Estágio não assegura automaticamente licença-maternidade ou licença-paternidade a estagiários, porque o contrato de estágio não cria vínculo empregatício.

A proposta também leva em conta discussões em andamento no Congresso Nacional e decisões recentes do Supremo Tribunal Federal sobre proteção à parentalidade de estudantes. A minuta tem três artigos, com disposições gerais, regras de aplicação e vigência.

A decisão foi tomada no Processo Administrativo nº 0102114-42.2025.8.01.0000, relatado pelo desembargador Júnior Alberto. O julgamento foi presidido pelo desembargador Laudivon Nogueira e contou com a participação dos desembargadores Samoel Evangelista, Roberto Barros, Denise Bonfim, Francisco Djalma, Regina Ferrari, Júnior Alberto, Elcio Mendes e Nonato Maia.

Com a aprovação pelo Tribunal Pleno Administrativo, o texto ainda precisa passar pela Assembleia Legislativa do Acre antes de virar lei.

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Economia e Empreender

ApexBrasil prepara plano de R$ 130 milhões para reduzir impacto de tarifa dos EUA

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A ApexBrasil vai lançar em agosto um plano de R$ 130 milhões para ampliar os destinos das exportações brasileiras e reduzir os efeitos da tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos do país. A medida foi apresentada nesta sexta-feira, 17, em Brasília, após a confirmação da nova taxação norte-americana, que passa a valer em 22 de julho.

O plano será executado em parceria com 57 setores econômicos e deve atender 2,4 mil empresas exportadoras apoiadas pela agência. A estratégia mira mercados com maior potencial de crescimento e menor dependência das compras dos Estados Unidos, hoje um dos principais destinos dos produtos brasileiros.

Entre as prioridades estão a União Europeia, países da Associação de Nações do Sudeste Asiático, como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã, além de mercados da Ásia Central, entre eles Cazaquistão e Uzbequistão. A avaliação da ApexBrasil é que esses países têm crescimento econômico mais acelerado, população jovem e demanda por produtos que o Brasil já vende ao exterior.

O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirmou que a agência já trabalha na abertura de novos destinos desde as primeiras tarifas impostas pelos Estados Unidos. “A expansão para outros mercados a gente já faz. O que a gente vai trabalhar agora é a diversificação. É um novo olhar sobre novas oportunidades a partir de um novo cenário do comércio internacional”, disse.

A tarifa adicional foi confirmada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, que alegou práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil. O governo brasileiro rejeita a justificativa e trata a medida como política.

Os produtos atingidos pela nova taxação somaram US$ 7,2 bilhões em vendas aos Estados Unidos em 2025. No total, o Brasil exportou US$ 38 bilhões para o mercado norte-americano no ano passado. Durante as negociações, a lista de produtos isentos passou de 615 para 699 itens, o que elevou o valor livre da tarifa de US$ 20,6 bilhões para US$ 22,8 bilhões.

No primeiro semestre deste ano, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram cerca de US$ 2,6 bilhões. No mesmo período, houve aumento de US$ 3,1 bilhões nas vendas para a Europa, de US$ 2,5 bilhões para a Índia e de US$ 10,5 bilhões para a China.

A ApexBrasil também vê nas negociações do Mercosul com Índia, Japão e Canadá uma chance de acelerar a redistribuição das vendas externas. A agência afirma que 72% das empresas apoiadas que exportam para os Estados Unidos acrescentaram pelo menos um novo destino entre junho de 2025 e maio de 2026.

A diversificação deve ocorrer em ritmos diferentes, conforme o setor e o mercado de destino. Em alguns casos, a entrada pode ser mais rápida. Em outros, será necessário criar demanda para produtos brasileiros ainda pouco conhecidos no exterior, como determinados tipos de rochas ornamentais.

Müller afirmou ainda que o Brasil tem sido procurado por outros países como fornecedor estável e destino de investimentos. Em 2025, o país recebeu US$ 77 bilhões em investimentos estrangeiros, ficou na quinta posição mundial entre os maiores receptores e teve crescimento de 22% na atração de recursos.

Fonte: Agência Brasil

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