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34 anos de Sebrae Acre: trajetória, resultados e futuro do empreendedorismo no estado

Instituição celebra mais de três décadas de atuação com foco em inovação, desenvolvimento sustentável e fortalecimento dos pequenos negócios

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O Sebrae Acre completa 34 anos impulsionando o empreendedorismo e o desenvolvimento sustentável do estado, após três décadas de inovação, impacto e compromisso com os pequenos negócios.

O Acre muda, e o Sebrae está presente em cada passo dessa transformação. Desde sua criação, em 1991, a instituição tem sido o braço que impulsiona sonhos, fortalece negócios e conecta ideias ao desenvolvimento econômico e social do estado.

Ao completar 34 anos de atuação, o Sebrae Acre celebra não apenas sua trajetória, mas o papel estratégico que desempenha na construção de um Acre mais empreendedor, inovador e sustentável.

De uma atuação focada em capacitação e orientação empresarial nos anos 1990, o Sebrae evoluiu para uma instituição multifacetada, capaz de atuar simultaneamente na gestão pública, inovação tecnológica, sustentabilidade e bioeconomia, pilares que sustentam o presente, valorizam o passado e constroem o futuro do estado.

Programas como o ALI (Agentes Locais de Inovação) e o Sebraetec modernizaram a forma de empreender no Acre, enquanto iniciativas como o Cidade Empreendedora, hoje presente nos 22 municípios acreanos, consolidaram a presença da instituição em 100% do território estadual.

Em 2020, ao aderir ao Pacto Global da ONU, o Sebrae Acre reafirmou seu compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), conectando o empreendedor acreano às metas globais de um mundo mais equilibrado.

A presença ativa na Expoacre, principal vitrine do agronegócio, da cultura e do empreendedorismo do estado, é outro símbolo dessa atuação. O Sebrae já realizou mais de 3 mil atendimentos em uma única edição, promovendo rodadas de negócios, capacitações e oportunidades de visibilidade para centenas de empreendedores locais.

O evento também se tornou palco de histórias inspiradoras, como a de artesãos acreanos premiados nacionalmente com apoio do Sebrae, que levaram o nome do Acre a feiras e exposições em todo o país.

Além da Expoacre, a instituição amplia sua participação em eventos nacionais e internacionais, abrindo espaço para que produtos regionais e negócios inovadores conquistem novos mercados e parcerias.

O legado em números e resultados

Ao longo dessas três décadas, o Sebrae Acre construiu um legado de resultados concretos. Atualmente, atende mais de 32% das micro e pequenas empresas acreanas e em um estado onde 85% das empresas se enquadram nesse segmento, o impacto é direto na economia local e na geração de empregos.

Somente em 2023, foram mais de 117 mil atendimentos voltados à gestão, inovação e acesso a crédito, demonstrando a capacidade da instituição de se reinventar e responder aos novos desafios do mercado.

Mais do que estatísticas, o Sebrae Acre representa pessoas, histórias e transformações. De produtores rurais a startups de tecnologia, o Sebrae tem sido a ponte entre o talento acreano e as oportunidades que surgem em um cenário cada vez mais digital e competitivo.

O Sebrae do presente e o futuro que se constrói agora

Os desafios do empreendedorismo mudaram, e o Sebrae Acre tem acompanhado essas transformações com agilidade.

O avanço da transformação digital, o acesso a crédito inteligente, a busca por gestão eficiente e a necessidade de sustentabilidade tornaram-se demandas centrais dos pequenos negócios.

Para isso, a instituição aposta em tecnologia e capilaridade.

Com 3 escritórios regionais, 3 pontos de atendimento nas OCA’s, 10 Salas do Empreendedor e mais de 30 agentes de desenvolvimento territorial em campo, o Sebrae está presente em cada canto do estado, inclusive nas regiões de difícil acesso.

O Sebrae Itinerante leva conhecimento e consultoria a comunidades rurais e ribeirinhas, enquanto ferramentas digitais como o aplicativo Sebrae e o portal DataSebrae garantem acesso à informação e inteligência de mercado para todos.

O Sebrae é feito de gente – “Projetar um futuro de ainda mais impacto faz parte da ousadia do Sebrae”

Por trás de cada número e programa, há pessoas que acreditam na força transformadora do empreendedorismo.
O Sebrae é feito por gente: técnicos e consultores que percorrem longas distâncias para orientar negócios, de parceiros que acreditam no desenvolvimento local e, principalmente, de empreendedores que ousam sonhar, inovar e crescer.

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É essa rede de pessoas, movidas por propósito, que faz do Sebrae Acre uma instituição viva, humana e essencial para o desenvolvimento do estado.

E é nessa perspectiva, humana e de futuro, que conversamos com o diretor técnico do Sebrae/AC, Cleber Campos Júnior, que reflete sobre o legado, os avanços e os próximos passos da instituição.

Leia ENTREVISTA Com Kleber Campos Júnior – Diretor técnico Sebrae Acre

1.⁠ ⁠O Sebrae Acre completa 34 anos de atuação. Olhando para essa trajetória, quais foram os momentos mais marcantes e os principais avanços que a instituição alcançou nesse período?

Ao longo de seus 34 anos de atuação, o Sebrae Acre consolidou-se como uma instituição de vanguarda, sempre à frente do seu tempo. Guiado por um direcionamento estratégico claro e uma visão de futuro ousada, o Sebrae tem sido protagonista no fortalecimento dos pequenos negócios no estado. Desde sua criação, em 1991, a instituição tornou-se referência no apoio ao empreendedorismo, promovendo inovação, competitividade e desenvolvimento sustentável.

Entre os marcos dessa trajetória, destaca-se a implantação dos Programas ALI (Agentes Locais de Inovação), que levam orientação empreendedora personalizada a milhares de empresas, promovendo ganhos reais em produtividade e inovação. Em 2020, o Sebrae Acre aderiu ao Pacto Global da ONU, reforçando seu compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A presença ativa nas edições da Expoacre, com mais de 3 mil atendimentos em uma única edição, demonstra o engajamento com o setor produtivo local. Além disso, a parceria com o Governo do Estado e a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) permitiu a implementação do programa Cidade Empreendedora em todos os 22 municípios acreanos. A promoção da educação empreendedora em todo o estado também é um dos pilares da atuação do Sebrae, impactando positivamente jovens e futuros empresários.

2.⁠ ⁠Desde o início, o Sebrae tem sido um parceiro dos pequenos negócios. Como o senhor avalia o impacto do Sebrae no desenvolvimento econômico do Acre e na vida dos empreendedores locais, especialmente nas regiões mais distantes da capital?

O Sebrae Acre tem papel fundamental no desenvolvimento econômico do estado. Atualmente, atende mais de 32% das micro e pequenas empresas acreanas anualmente. Considerando que 85% das empresas do Acre são pequenos negócios, a instituição se consolida como o principal agente de apoio a esse ecossistema.

Somente em 2023, foram realizados mais de 117 mil atendimentos, com foco em inovação, gestão e acesso a crédito. O programa Cidade Empreendedora tem fortalecido a gestão pública e o ambiente de negócios, especialmente nos municípios mais distantes da capital. Para ampliar o alcance, o Sebrae investe em tecnologia: o aplicativo Sebrae, a central de relacionamento e o portal institucional garantem atendimento mesmo nos locais mais remotos do estado.

3.⁠ ⁠O cenário atual apresenta novos desafios para quem empreende. Quais são hoje as principais demandas dos pequenos negócios acreanos e como o Sebrae tem atuado para apoiar esses empreendedores diante das transformações do mercado e das novas tecnologias?

De acordo com estudos como o Atlas dos Pequenos Negócios 2025 e a Pesquisa de Transformação Digital nos Pequenos Negócios – 2023, os principais desafios enfrentados pelos pequenos negócios no Brasil incluem a transformação digital, capacitação em gestão, acesso a crédito, sustentabilidade e inclusão digital.

Hoje, 90% dos pequenos negócios já utilizam smartphones e internet, 57% usam o WhatsApp Business para vendas, e 47% adotam softwares de gestão. Ainda assim, muitos empreendedores enfrentam dificuldades com planejamento, finanças e marketing, além de barreiras para acessar crédito formal.

Para enfrentar esses desafios, o Sebrae oferece programas de transformação digital, como o Brasil Mais Produtivo e o ALI, além de cursos online e presenciais como o Empretec e a Semana do MEI. O Sebraetec subsidia até 70% do custo de consultorias em inovação, design e sustentabilidade. Parcerias com bancos facilitam o acesso a crédito, enquanto plataformas como o DataSebrae oferecem inteligência de mercado para tomada de decisão.

4.⁠ ⁠De que forma a instituição tem conseguido levar capacitação, consultoria e inovação a municípios mais isolados ou com acesso mais difícil?

O Sebrae Acre tem presença em 100% dos municípios por meio do programa Cidade Empreendedora. As ações incluem oficinas, workshops, consultorias técnicas e apoio à elaboração de planos diretores municipais. Os pontos de atendimento físicos como os 3 escritórios regionais, 3 pontos de atendimentos nas OCAsm e as 10 salas do empreendedor reforçam a orientação e a capacitação. A tecnologia é uma aliada fundamental nesse processo: o aplicativo Sebrae, a central de atendimento e o portal digital garantem acesso mesmo nas regiões mais remotas. O projeto Sebrae Itinerante leva produtos e serviços diretamente às comunidades, enquanto o protagonismo empresarial é fortalecido por meio de parcerias com associações comerciais, sindicatos rurais e núcleos da indústria. Atualmente, mais de 30 agentes de desenvolvimento territorial atuam em campo.

5.⁠ ⁠Inovação e sustentabilidade são temas cada vez mais presentes no empreendedorismo. Como o Sebrae Acre tem trabalhado para incentivar práticas inovadoras e sustentáveis entre os pequenos negócios?

A inovação e a sustentabilidade são pilares estratégicos do Sebrae Acre. Por meio dos programas ALI, Sebraetec e projetos de inovação e tecnologia, a instituição promove práticas inovadoras e sustentáveis em setores como comércio, serviços e indústria. O Relatório de Sustentabilidade 2020–2022 reforça o compromisso com os ODS da ONU. Além disso, o Sebrae desenvolve projetos como a pré-aceleração e aceleração de startups, estimula ecossistemas locais de inovação em Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Alto Acre, e participa ativamente do Grupo Gestor de Inovação vinculado ao Fórum de Desenvolvimento do Acre. Em parceria com a FIEAC e o SENAI, também promove o programa de Indústria Mais Eficiente e Competitiva.

6.⁠ ⁠Olhando para o futuro, quais são as prioridades e metas do Sebrae Acre para os próximos anos? Há novas frentes, programas ou parcerias que o público deve conhecer?

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O Sebrae pretende focar em programas e projetos que atendam às suas três missões principais:

•⁠  ⁠Cuidar das Empresas: Fortalecer o atendimento e relacionamento com as empresas, ampliando o atendimento para o interior.

•⁠  ⁠Ambiente de Negócios: Simplificar o ambiente de negócios para facilitar o empreendedorismo.

•⁠  ⁠Ecossistemas: Fortalecer os ecossistemas e biomas, com foco na bioeconomia.

Essas prioridades sugerem que o Sebrae está comprometido em apoiar o desenvolvimento econômico sustentável e o empreendedorismo no nosso Acre

projetar um futuro de ainda mais impacto, faz parte da ousadia do Sebrae . Em parceria com o Governo do Estado e parceiros  está previsto investimentos para impulsionar a economia acreana ,  criação da Sala do Empresário, ampliação do acesso a crédito e inovação, e fortalecimento do ecossistema de startups e exportações, além das cadeiras produtivas prioritárias .

A expansão dos programas ALI, Sebraetec e Cidade Empreendedora está entre as prioridades, assim como o fortalecimento da internacionalização de negócios locais, preparando os empreendedores acreanos para competir em mercados nacionais e internacionais. Grandes eventos também estão na pauta, exemplos das expoacres e o inova Amazônia summit. O foco é no cliente,  na entrega de soluções assertivas em prol da sustentabilidade dos negócios . 

7.⁠ ⁠Para encerrar: que mensagem o senhor deixaria aos empreendedores acreanos que estão começando agora ou pensando em abrir o próprio negócio?

O Sebrae/AC, tem orgulho de caminhar ao lado de vocês na jornada do desenvolvimento, inovação e superação. O sucesso dos pequenos negócios do Acre são histórias de coragem, transformação e impacto real na vida de quem empreende. O legado do Sebrae/AC é o reflexo da força do empreendedor acreano: inovador, resiliente e comprometido com o desenvolvimento sustentável da nossa terra. Seguimos juntos, prontos para apoiar cada novo sonho, cada novo negócio e cada nova conquista.

Conte sempre com o Sebrae/AC para crescer, inovar e transformar o Acre.  Vamos juntos avançando na construção de um Sebrae melhor.

Reconhecimento e futuro

Celebrar 34 anos é celebrar pessoas, conquistas e o poder de transformar o Acre por meio do empreendedorismo.
O Sebrae Acre chega a essa marca com maturidade institucional e espírito inovador, reafirmando o compromisso com o desenvolvimento sustentável e com cada empreendedor que sonha, arrisca e realiza.

Mais do que uma data comemorativa, os 34 anos do Sebrae representam um marco de confiança e parceria com o povo acreano.
E se o passado foi construído com esforço e visão, o futuro promete ser guiado por novas ideias, coragem e propósito porque, no Acre, empreender é acreditar que o desenvolvimento se faz de mãos dadas, com gente que transforma sonhos em realidade.

epope.com.br
Por Alexandre N Nobre
Fotos: Acervo/Cedidas/Secom-PMRB – e  Arison Jardim e Sérgio Vale

Amazônia

Secas mais longas e chuvas irregulares já avançam na Amazônia e acendem alerta para risco de fogo em 2026 e 2027

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A Amazônia brasileira já vive um cenário que, até pouco tempo, era tratado como projeção de décadas à frente: a estação seca está mais longa e o regime de chuvas mudou, com efeito direto no déficit hídrico e no avanço de incêndios e degradação florestal, segundo dois estudos liderados por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e divulgados pela Agência FAPESP.

Uma das pesquisas aponta que a estação seca pode se estender de quatro para até seis meses, com aumento do déficit hídrico acumulado acima de 150 milímetros. O trabalho também descreve mais instabilidade no clima e maior ocorrência de eventos extremos fora do padrão sazonal, além de associar o agravamento do quadro ao crescimento da degradação da floresta ligada ao fogo.

O alerta se volta especialmente para 2026 e 2027, diante da possibilidade de um “super El Niño”, fenômeno marcado pelo aquecimento do Pacífico equatorial que, em episódios mais intensos, pode elevar a temperatura em mais de 2 °C acima da média e alterar a circulação atmosférica e as chuvas em escala global.

A análise climática foi feita com foco no sudoeste da Amazônia, área que inclui o Acre e partes do Amazonas e de Rondônia. A região tem trechos com mais de 90% de cobertura florestal, mas convive com pressão crescente de desmatamento. Para medir o estresse hídrico, os pesquisadores usaram o máximo déficit hídrico acumulado (MCWD, na sigla em inglês), indicador trabalhado há anos na literatura científica, combinado a dados e simulações do CMIP6, a base de modelos climáticos usada em avaliações alinhadas aos cenários socioeconômicos (SSPs) discutidos no IPCC. Em cenários de altas emissões, o estudo projeta déficits mais intensos na seca, sobretudo no sudoeste da floresta, com estresse hídrico mais forte entre junho e setembro e valores que podem ultrapassar 21 milímetros por mês até o fim do século no cenário mais pessimista.

A consequência imediata é o aumento da vulnerabilidade da floresta em pé. Com menos água disponível por mais tempo, cresce a mortalidade de árvores, a perda de biodiversidade e a degradação florestal, além da redução da capacidade da Amazônia de funcionar como sumidouro de carbono — um ciclo que retroalimenta o aquecimento global. Para melhorar a capacidade de prever riscos e orientar políticas públicas, o grupo defende análises integradas que levem em conta mudanças no uso da terra, anomalias na circulação atmosférica e a interação entre incêndios e secas.

O segundo estudo se apoia no que já ocorreu recentemente. Ao analisar a seca de 2023 e 2024 — período em que o Brasil também foi afetado pelo El Niño — os pesquisadores mapearam estresse hídrico, degradação florestal e dinâmica do fogo. Os resultados mostram aumento médio de 9% nas áreas queimadas e de 19% nos alertas de degradação, com até 4,2 milhões de hectares atingidos por fogo no pico da seca. A conclusão é que o ciclo “seca–fogo–degradação” ganhou força e reduz a capacidade de recuperação do ecossistema, com o fogo cada vez mais ligado ao enfraquecimento da floresta em pé, e não apenas a áreas recém-desmatadas.

A engenheira ambiental e sanitarista Débora Dutra, doutoranda no Inpe e primeira autora dos dois artigos, resume a mudança de patamar: “Estamos observando que os extremos de anomalia mais pessimistas estão acontecendo no presente”. Já a pesquisadora Liana Anderson, orientadora de Dutra e também do Inpe, liga o diagnóstico científico ao desafio de resposta: “Estamos em um momento crucial, com metas nacionais e internacionais a cumprir até 2030. Se colocarmos os esforços nessa direção, temos condição de atingi-las”.

No campo operacional, a conexão entre pesquisa e combate ao fogo vem ganhando corpo. As pesquisadoras participam da iniciativa “Fogo em Foco”, parceria com forças de prevenção e combate — como corpos de bombeiros — e instituições de pesquisa, que lançou um relatório sobre a temporada 2024–2025 e manteve a articulação para 2026. Anderson resume o objetivo da ponte com quem atua na linha de frente: “Essa aproximação é uma forma de aliar o que a ciência consegue entregar com a realidade de quem atua na ponta”.

Com a perspectiva de secas mais longas, maior déficit hídrico e aumento do risco de incêndios e degradação, o avanço do problema tende a pressionar a biodiversidade, a disponibilidade de água e a própria resiliência da floresta, ampliando impactos sociais e econômicos em cidades amazônicas e fora delas. A janela para 2026 e 2027, apontada pelos estudos, coloca em jogo a preparação de sistemas de alerta, a coordenação institucional e políticas que tratem fogo, degradação e mudanças climáticas como partes do mesmo problema.

Fonte: Fapesp

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Rio Branco

Rio Branco decreta emergência em 15 bairros e cria benefício em dinheiro para famílias atingidas por enxurradas

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A Prefeitura de Rio Branco decretou situação de emergência em 15 bairros da capital e anunciou a criação do Benefício Emergencial Municipal (BEM), um auxílio financeiro para famílias que tiveram perdas provocadas pelas enxurradas registradas nos últimos dias. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, durante coletiva de imprensa conduzida pelo prefeito Alysson Bestene, com a promessa de acelerar tanto o atendimento social quanto a recuperação de áreas danificadas.

O decreto, de nº 724, abre caminho para medidas imediatas de infraestrutura e assistência, com possibilidade de contratações mais rápidas para serviços urgentes e reforço nas ações coordenadas pela Defesa Civil. “Estamos decretando a situação de emergência em 15 bairros devido às enxurradas que afetaram várias famílias na região da Baixada da Sobral. Nossa equipe está pronta para intervir com urgência, oferecendo assistência, desde a coleta de lixo até o suporte com cestas básicas e o cadastramento das famílias”, disse Bestene.

O BEM foi apresentado como resposta direta às perdas dentro das casas, com foco em famílias que ficaram sem itens essenciais. “Com o apoio da Câmara Municipal, estamos instituindo o BEM, que será um aporte financeiro para as famílias afetadas. Esse auxílio ajudará aquelas que perderam seus utensílios domésticos, alimentos e outros bens essenciais”, afirmou o prefeito. O projeto de lei que cria o benefício deve ser enviado à Câmara Municipal até a próxima quarta-feira, 22 de abril.

A Secretaria Municipal de Finanças informou que o pagamento será feito por transferência direta para contas bancárias, após levantamento dos domicílios atingidos e das perdas. “Já estamos fazendo o levantamento dos domicílios afetados e dos recursos necessários. O objetivo é realizar os pagamentos o mais rápido possível”, declarou o secretário Wilson Lima.

Na linha de frente das operações, a Defesa Civil municipal informou que o decreto dá mais agilidade à resposta. “O decreto facilita o nosso trabalho, permitindo uma resposta mais rápida e eficiente para atender as famílias afetadas. Estamos mobilizados para ampliar as ações de assistência”, afirmou o coordenador do órgão, coronel Cláudio Falcão.

Entre os bairros incluídos na situação de emergência estão Bom Sucesso, João Eduardo II, João Paulo, Plácido de Castro, Loteamento São Sebastião, Boa União, Boa Vista, Glória, Sobral, Bahia Velha, Bahia Nova, Carandá, Ayrton Sena, Cabreúva e Bairro da Pista. A prefeitura também informou que o decreto permite, em situações emergenciais, o uso de propriedades privadas e prevê o início de processos de desapropriação em áreas consideradas de risco.

Durante a coletiva, o vereador Felipe Tchê cobrou encaminhamentos para reduzir a repetição de tragédias em períodos de chuva. “Precisamos trabalhar também em soluções de infraestrutura para a Baixada da Sobral. Muitas ocupações irregulares ainda precisam ser resolvidas, e esse é um desafio que exigirá apoio do Ministério Público e de outras esferas do governo”, disse.

Com o decreto em vigor e o projeto do benefício emergencial prestes a chegar ao Legislativo, a prefeitura aposta na combinação de assistência imediata e intervenções de recuperação para reduzir os impactos das enxurradas e dar condições para que as famílias atingidas retomem a rotina, enquanto as próximas etapas devem depender do ritmo de cadastramento das perdas e da tramitação do auxílio na Câmara.

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Notícias

Justiça obriga governo do Acre a regularizar tratamento de paciente internado no Hosmac desde 2022

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A Defensoria Pública do Estado do Acre conseguiu na Justiça uma decisão que obriga o governo estadual a regularizar o atendimento de um paciente internado há longo período no Hospital de Saúde Mental do Acre (Hosmac), em Rio Branco, depois de falhas no acompanhamento e na adoção de medidas terapêuticas compatíveis com o quadro clínico. A determinação foi divulgada nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026.

O caso envolve um jovem de 24 anos, internado desde 2022, com histórico de sucessivas internações. A ação foi conduzida pelo Núcleo de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos da População Imigrante e Refugiada, População em Situação de Rua e Saúde Mental (Nupirps), chefiado pela defensora pública Flávia Nascimento. No processo, a Defensoria apontou atendimento fragmentado, sem acompanhamento psicológico regular, com avaliações psiquiátricas concentradas em momentos de crise e sem um Plano Terapêutico Singular efetivo.

A análise de prontuários também registrou períodos sem visitas médicas e a manutenção do paciente em isolamento prolongado, sem estratégia estruturada de reabilitação. A Defensoria afirmou que o tratamento ficou, em grande medida, restrito ao uso de medicação, sem atuação integrada de equipe multiprofissional.

Na decisão, o Judiciário reconheceu falhas no atendimento e afirmou que o cuidado em saúde mental precisa ser contínuo, humanizado e feito por equipe multidisciplinar. O despacho também relacionou a ausência de acompanhamento regular e de um plano terapêutico estruturado ao risco de agravamento do quadro e ao dever do Estado de garantir o direito à saúde.

Com isso, a Justiça determinou que o Estado do Acre adote medidas para regularizar o atendimento, incluindo a elaboração ou atualização do Plano Terapêutico Singular, a apresentação de relatório clínico detalhado e a garantia de acompanhamento psiquiátrico e psicológico compatível com o quadro clínico. A decisão foi fundamentada na Lei nº 10.216/2001, que orienta a política de saúde mental no país e prevê tratamento integral com foco no cuidado contínuo e na reinserção social.

O caso reforça a pressão sobre a rede pública para manter rotinas de assistência regular em internações prolongadas e tende a ampliar a judicialização de demandas de saúde mental quando faltam plano terapêutico, equipe multiprofissional e acompanhamento contínuo.

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