O Estado do Acre, através de uma publicação no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira, 11, anunciou a implementação de uma nova lei, a lei nº 4.323, datada de 5 de janeiro de 2024. Esta legislação permite que o Poder Executivo estadual introduza o ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como um tema transversal nas escolas públicas do Acre.
O governador Gladson Cameli ratificou a lei, originalmente proposta pelo deputado Fagner Calegário e aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac) como o projeto de lei nº 139/2023. Essa nova legislação especifica que o ensino de Libras será incorporado ao currículo do ensino fundamental.
A nova lei também estabelece que professores surdos terão prioridade no ensino de Libras. Esta medida está alinhada com o decreto presidencial nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005.
Para implementar esta iniciativa, a equipe de educadores da Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esportes do Acre (SEE) planeja realizar reuniões com o objetivo de discutir estratégias eficazes para a execução da lei. Estão previstas várias etapas e considerações antes que a integração efetiva de Libras ao currículo escolar seja realizada.
O deputado Fagner Calegário, autor da proposta, expressou seu comprometimento com a inclusão e igualdade no Acre, enfatizando a importância de continuar trabalhando em prol de um futuro construído sobre esses valores. Suas declarações foram feitas através de suas redes sociais. “O nosso mandato continua trabalhando para um Acre mais inclusivo e igualitário para todos. Seguimos juntos na luta. Construindo o futuro, hoje!”, disse.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou em Brasília que os Estados Unidos cobraram do Brasil uma abertura ampla da economia brasileira, sem oferecer contrapartidas equivalentes aos produtos nacionais, durante as negociações sobre tarifas comerciais. A declaração foi dada em meio à tensão entre os dois países após Washington ampliar a cobrança sobre parte das exportações brasileiras.
Vieira disse que a proposta norte-americana exigia acesso irrestrito e exclusivo a setores do mercado brasileiro. Para o chanceler, aceitar esses termos significaria abrir mão da capacidade do país de defender seus próprios interesses. “Isso não é negociação, é capitulação”, afirmou.
O governo brasileiro contesta a justificativa usada pelos Estados Unidos para elevar tarifas contra produtos do Brasil. O Itamaraty sustenta que a medida não tem base comercial e vê motivação política na pressão feita por Washington.
O ministro também rebateu críticas do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Vieira afirmou que a posição brasileira busca proteger a soberania nacional, as empresas do país e os trabalhadores afetados por decisões unilaterais no comércio internacional.
As tratativas entre os dois governos começaram em março de 2025. Desde então, houve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone, além de contatos entre autoridades dos dois países. Mesmo assim, o impasse permaneceu diante das exigências apresentadas pelos Estados Unidos.
Vieira também citou os números da relação comercial bilateral. De acordo com o ministro, os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424 bilhões em bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Ele afirmou ainda que, em 2025, 76% das importações brasileiras de produtos norte-americanos entraram no país sem cobrança de imposto de importação.
O chanceler contestou ainda questionamentos ao Pix e à política ambiental brasileira. Ele afirmou que o sistema de pagamentos instantâneos é uma infraestrutura pública, administrada pelo Banco Central, e aberta às instituições financeiras que atuam no país. Sobre o meio ambiente, disse que o desmatamento caiu na Amazônia e no Cerrado desde 2022.
A ausência de uma candidatura identificada com a esquerda expõe uma crise de representação. O PT foi, por mais de três décadas, o único partido competitivo desse campo.
No Acre, nas eleições para o governo estadual, a esquerda nunca construiu uma alternativa eleitoral relevante fora do PT. A frase pode soar dura, mas a série histórica de 1990 a 2022 demonstra claramente e lhe dá sustentação. Não se trata de negar a existência de outros partidos, militantes ou tradições progressistas. Trata-se de reconhecer que, na disputa pelo Palácio Rio Branco, somente o PT conseguiu transformar identidade de esquerda em voto competitivo, organização duradoura e vitória.
O movimento começou antes da primeira vitória. Em 1990, Jorge Viana recebeu 28,34% dos votos válidos no primeiro turno, avançou à etapa decisiva e terminou com 45,39%. Quatro anos depois, Tião Viana alcançou 24,68%. O PT ainda não governava, mas já ocupava um espaço político reconhecível. Havia nome, partido, oposição e um eleitorado capaz de identificar quem representava aquele campo.
A virada veio em 1998, quando Jorge Viana venceu no primeiro turno com 57,70%. Em 2002, chegou a 63,58%, o ponto mais alto da série. Depois vieram Binho Marques, em 2006, e duas vitórias de Tião Viana, em 2010 e 2014. Foram cinco eleições consecutivas vencidas por candidatos do PT e vinte anos de governo. Todas as vitórias classificadas pelo relatório como de esquerda tiveram a mesma sigla.
Reprodução do gráfico “Esquerda x centro/direita”, do relatório Eleições para o Governo do Acre — análise histórica e ideológica, 1990 a 2022. (Elaborado por André Cajarana) O levantamento mostra a participação dos dois campos nos votos válidos do primeiro turno ao longo de 32 anos.
A dependência fica ainda mais clara quando se observam as demais candidaturas desse campo. O PSOL obteve 0,34% em 2006, 0,56% em 2014 e 0,26% em 2022. A REDE registrou 0,66% em 2018. Em 2022, Jorge Viana teve 24,21%, enquanto a soma de todas as candidaturas classificadas como de esquerda foi de 24,47%. Por cálculo, o PT respondeu por aproximadamente 98,9% desse voto. Eleitoralmente, na disputa pelo governo, o PT não foi apenas o maior partido da esquerda acreana: foi quase toda a sua expressão.
A série histórica pode ser resumida em quatro números: cinco vitórias consecutivas do PT, vinte anos de governo, um pico de 63,58% em 2002 e uma participação de 24,47% em 2022.
Isso não significa que a identidade petista permaneceu intacta. Depois do auge de 2002, a curva recuou. O campo de esquerda somou 50,29% no primeiro turno de 2014, caiu para 35,21% em 2018 e chegou a 24,47% em 2022, uma perda de 39,11 pontos percentuais desde o pico. A retração também foi territorial: em 2002, a esquerda superava 50% em 19 municípios; em 2022, não alcançou maioria agregada em nenhum. Naquele último pleito, ficou abaixo de 26% tanto em Rio Branco quanto no conjunto do interior.
Há, portanto, uma corrente histórica de eleitores que votou na esquerda, ou naquilo que reconhecia como esquerda, durante mais de três décadas. Essa corrente não surgiu de uma abstração. Ela foi organizada por candidaturas, símbolos, lideranças e uma narrativa de pertencimento. Pode ter diminuído, mas não pode ser declarada extinta apenas porque deixou de encontrar uma oferta eleitoral equivalente.
É justamente aí que 2026 adquire importância. No cenário político apresentado até agora, o PT não pretende lançar candidatura ao governo, e nenhum outro partido de esquerda ocupa esse espaço. Thor Dantas, por sua vez, não reivindica a representação desse campo e afirma não se alinhar nem à esquerda nem à direita. Se esse quadro chegar às urnas, a eleição não terá apenas uma esquerda enfraquecida: terá uma esquerda sem candidato que se apresente como tal.
A pesquisa Delta encomendada pela TV Gazeta, divulgada nesta sexta-feira, 17 de julho, registra o senador Alan Rick com 38,27% no cenário estimulado. A Governadora Mailza Assis aparece com 19,48% e Tião Bocalom com 19,28%, tecnicamente empatados. Thor Dantas tem 1,79%; brancos e nulos somam 4,08%, e 17,10% não sabem ou não responderam. Na espontânea, Thor é citado por 0,10%, enquanto 71,37% não sabem ou não respondem. O levantamento ouviu 1.006 pessoas nos municípios acreanos entre 11 e 15 de julho, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Esses números não provam que Thor tem baixo desempenho porque rejeita uma identidade ideológica. A pesquisa mede intenção de voto, não as causas de cada escolha. Seria imprudente transformar correlação em explicação. Mas o levantamento permite uma pergunta legítima: quem conversa hoje com o eleitor que, em 2022, ainda entregou quase um quarto dos votos válidos às candidaturas classificadas como de esquerda?
Dizer que não se é de esquerda nem de direita pode parecer uma tentativa de ampliar o eleitorado. Contudo, neutralizar a identidade não cria automaticamente uma síntese; às vezes apenas deixa órfãos os que procuravam representação. Eleição não é um seminário de teoria política, mas tampouco é uma disputa sem memória. O eleitor vota em pessoas, governos e circunstâncias, porém também vota em pertencimentos acumulados ao longo do tempo.
Identidade ideológica, sozinha, não garante vitória. O próprio declínio do PT demonstra isso. São necessários liderança, estrutura, credibilidade, programa e capacidade de interpretar o presente. Mas a ausência de identidade cobra um preço: dificulta explicar a razão de existir de uma candidatura, distingui-la das demais e conservar uma base quando o ambiente se torna adverso. Sem identidade, uma força política pode até receber votos; dificilmente constrói continuidade.
Para o PT, abrir mão da candidatura ao governo não seria apenas uma decisão tática. Significaria renunciar ao principal palco em que o partido construiu sua história no Acre. Um partido pode apoiar aliados, disputar cargos proporcionais e sobreviver institucionalmente. Ainda assim, quando deixa de apresentar ao eleitor uma interpretação própria do Estado, perde centralidade, voz e capacidade de formar novas lideranças.
Por isso, falar agora em fim definitivo do PT seria precipitado. Mas é possível dizer que politicamente: o ciclo iniciado em 1998 já terminou, e 2026 pode marcar o desaparecimento do PT como competitivo na eleição para o Governo do Acre.
A possível pá de cal não está apenas na derrota passada, mas na ausência presente. Em 2018 e 2022, a esquerda perdeu nas urnas; em 2026, corre o risco de nem disputar sua própria identidade. Para um campo político que já governou o Acre por vinte anos e chegou a reunir 63,58% dos votos válidos, esse vazio merece mais do que silêncio.
Merece uma reflexão direta: quando uma corrente de eleitores continua existindo, mas ninguém aceita representá-la pelo nome, o problema não é somente eleitoral. É uma crise de identidade, organização e futuro.
O pré-candidato ao governo do Acre, Tião Bocalom, iniciou nesta quarta-feira (15) uma nova rodada de agendas por municípios de difícil acesso do estado, com passagem por Santa Rosa do Purus, Jordão e Marechal Thaumaturgo. A viagem começou com a chegada a Santa Rosa do Purus, onde ele afirmou que pretende conversar com moradores, ouvir demandas locais e apresentar o projeto Produzir Para Empregar.
Bocalom viaja ao lado de Kelen Bocalom, pré-candidata a deputada federal, de Pedro Pascoal, pré-candidato a deputado federal, e de Emerson Leão, pré-candidato a deputado estadual. Nas redes sociais, o ex-prefeito de Rio Branco disse ter sido recebido em Santa Rosa do Purus por “um povo forte, trabalhador e cheio de esperança”.
A agenda marca uma nova etapa da pré-campanha de Bocalom ao governo estadual, com foco em regiões onde o acesso depende de logística mais complexa e onde os debates sobre infraestrutura, produção, saúde, transporte e geração de renda costumam ter peso direto na vida da população. “Sabemos dos desafios enfrentados por quem vive em uma região de difícil acesso, mas também vemos de perto a força e a determinação de quem acredita em um futuro melhor”, afirmou.
O discurso de Bocalom voltou a girar em torno da proposta de ampliar a produção como caminho para gerar empregos e desenvolver os municípios. “É uma alegria estar aqui para conversar, ouvir as pessoas e apresentar o projeto Produzir Para Empregar, que acredita no potencial de cada município para gerar desenvolvimento, oportunidades e qualidade de vida”, disse.
A visita ocorre no mesmo dia em que Bocalom elevou o tom contra os grupos que governaram o Acre nas últimas décadas. Em declaração publicada nesta quarta-feira, o pré-candidato afirmou que é preciso “salvar o Acre” e que a população “não aguenta mais os governos dos últimos 30 anos”. A fala reforça a estratégia de se apresentar como alternativa ao atual ciclo político estadual.
Nos últimos meses, Bocalom tem intensificado viagens, reuniões e encontros com lideranças locais depois de deixar a Prefeitura de Rio Branco para disputar o governo. A agenda em Santa Rosa do Purus, Jordão e Marechal Thaumaturgo amplia a presença do pré-candidato no interior e busca aproximar sua plataforma política das demandas dos municípios isolados.