Dois parques localizados no interior do Acre foram incluídos no Catálogo de Experiências do Turismo de Observação de Aves no Brasil, publicação elaborada pelo Ministério do Turismo que reúne destinos indicados para a prática de birdwatching no país, após indicação feita pela Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo, com o objetivo de posicionar o estado no circuito nacional e internacional desse segmento turístico.
O reconhecimento contempla o Parque Estadual Chandless e o Parque Nacional da Serra do Divisor, áreas que concentram registros relevantes da avifauna amazônica e vêm sendo frequentadas, ao longo da última década, por observadores de aves, pesquisadores e operadores turísticos especializados. O catálogo funciona como um produto consultivo, reunindo informações técnicas e experiências voltadas a praticantes do turismo de observação de aves, atividade que tem crescido no Brasil e movimentado cadeias locais de serviços, transporte e hospedagem.
De acordo com o secretário de Turismo e Empreendedorismo do Acre, Marcelo Messias, o estado tem buscado estruturar o setor a partir de ações de promoção e capacitação. “Estamos inseridos na região amazônica, o que por si só já é uma atração turística internacional. Então temos trabalhado para fortalecer tanto o turismo interno quanto a promoção do Acre, além de promovermos capacitações de bem receber, para melhor atender entusiastas que vêm de todos os lugares do mundo para conhecer as espécies da região”, afirmou.
O Parque Estadual Chandless abrange áreas dos municípios de Manoel Urbano, Sena Madureira e Santa Rosa do Purus e tem histórico recente de registros inéditos para a ciência. Em janeiro do ano passado, o local foi cenário do primeiro registro fotográfico do tovacuçu-xodó, ave considerada rara e que até então não havia sido fotografada em ambiente natural. O registro foi feito pelo biólogo Ricardo Plácido, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, e repercutiu entre especialistas em ornitologia.
Já no Parque Nacional da Serra do Divisor, situado na região de fronteira do Acre com o Peru e a Bolívia, foi confirmada em 2025 a presença de uma nova espécie de inhambu, a sururina-da-serra, identificada entre 300 e 500 metros de altitude. A confirmação ocorreu após registros fotográficos realizados pelo pesquisador Luís Moraes, reforçando estudos iniciados anos antes por ornitólogos que já haviam identificado o canto da ave na região.
Segundo o diretor de Turismo da Secretaria de Turismo e Empreendedorismo, Jackson Viana, a inclusão dos parques no catálogo é resultado de um trabalho contínuo de promoção do segmento. “Nós participamos de feiras nacionais, levando operadores de turismo que trabalham com esse segmento, promovendo atividades de visitação a parques ambientais e locais onde existe a prática de observação de aves, bem como no Parque Nacional da Serra do Divisor”, explicou. Para ele, o catálogo consolida o Acre como referência nacional ao reunir informações técnicas fornecidas pelo estado e por pesquisadores que atuam na região.
Ricardo Plácido avalia que, embora a observação de aves seja uma atividade discreta, o fluxo de praticantes no Acre ocorre há mais de dez anos e vem sendo comprovado pelo aumento de registros em plataformas especializadas. “Esse fluxo já vem há mais de dez anos aqui no Acre e as plataformas de registros vêm demonstrando isso, com crescimento no número de espécies registradas e repercussão nacional, induzindo a vinda de mais pessoas ao longo de quase quinze anos”, afirmou.
O biólogo também destaca que a identificação de espécies raras e endêmicas amplia o debate sobre conservação ambiental e desenvolvimento econômico. Para ele, a sururina-da-serra pode atuar como espécie de referência para políticas de preservação associadas à geração de renda. “O desafio é tornar a conservação da natureza algo que gere renda para as comunidades locais, para o estado e para a região como um todo, e que essa movimentação ajude a proteger a espécie”, disse.
Localizado no extremo oeste do Brasil, o Acre abriga mais de 700 espécies de aves, incluindo endemismos da Amazônia e do Centro de Endemismo Inambari, o que representa mais de um terço das aves endêmicas do bioma amazônico. A presença de áreas como a Serra do Divisor, próxima à cordilheira dos Andes, contribui para essa diversidade e sustenta o interesse científico e turístico pela região.
Fonte: Agência de Notícias do Acre – Foto: Ricardo Plácido
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