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Educação

Enamed expõe falhas na formação médica e reforça debate sobre fiscalização

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O resultado da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgado em janeiro, reacendeu o debate sobre a qualidade dos cursos de medicina no Brasil ao apontar que cerca de 30% das faculdades tiveram desempenho insatisfatório, com menos de 60% dos estudantes alcançando a nota mínima de proficiência, em um cenário marcado pela predominância de instituições municipais ou privadas com fins lucrativos entre os piores resultados.

Aplicado em âmbito nacional, o Enamed avaliou a formação básica dos estudantes concluintes de medicina e passou a ser visto por especialistas como um instrumento adicional para revelar problemas já conhecidos no sistema de ensino superior. Embora seja a primeira edição do exame, os cursos de medicina, assim como os demais, já eram avaliados pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), o que indica que parte das fragilidades apontadas agora já vinha sendo registrada por outros mecanismos oficiais.

Para a professora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas, Eliana Amaral, o foco central da resposta institucional não deve estar apenas no desempenho em provas, mas no fortalecimento do sistema de regulação que fiscaliza as faculdades. “A faculdade que inventou de ter uma escola de medicina sabe que vai transformar a pessoa em médico e, portanto, assumiu essa responsabilidade com a sociedade. Mas o sistema de regulação tem que orientar qual poderia ser a solução, tem que estabelecer um plano de trabalho e fazer essa instituição se comprometer”, afirmou.

O Ministério da Educação anunciou sanções às faculdades com os piores desempenhos, enquanto entidades como o Conselho Federal de Medicina voltaram a defender a criação de um exame de proficiência obrigatório para recém-formados antes da concessão do registro profissional. Eliana Amaral pondera, no entanto, que é inadequado medir a qualidade de um curso apenas por uma prova, lembrando que o Enade já foi alvo de boicotes em diferentes períodos. Ela destaca que o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior combina resultados de exames com inspeções in loco para verificar infraestrutura, ensino prático e condições reais de formação oferecidas pelas instituições.

O debate sobre a expansão dos cursos também foi retomado. Para o presidente da Associação Médica Brasileira, César Eduardo Fernandes, houve uma abertura acelerada de vagas em medicina no país, colocando em risco o ensino prático, elemento central da formação profissional. Ele defende que a carência de médicos em determinadas regiões não deve ser enfrentada com a simples abertura de novas faculdades, mas com políticas de alocação de profissionais, melhoria da infraestrutura de atendimento e oferta de salários mais atrativos. “É uma ideia equivocada criar escolas médicas como bancos assistenciais. Muitas vezes elas são colocadas em municípios que não têm menor condição de assistir a sua população, muito menos de usar essas vagas assistenciais como campo de ensino para o médico. A melhoria da estrutura tem que vir antes”, disse.

Na avaliação de Eliana Amaral, a discussão em torno do Enamed pode funcionar como um ponto de inflexão para fortalecer a fiscalização das faculdades, sobretudo no que se refere ao ensino prático. Ela defende um “acordo de sociedade” que envolva ministérios, secretarias de Saúde e Educação e os próprios mantenedores dos cursos, para definir de forma responsável onde novas escolas médicas podem ser abertas e em que condições os estudantes terão acesso a estágios e cenários reais de aprendizagem.

Do ponto de vista dos estudantes, a prova também trouxe percepções sobre a formação recebida. Vanessa Conceição da Cruz, que se forma neste mês pela Universidade Federal de Viçosa, instituição que obteve nota máxima no Enamed, afirmou que a ênfase em estágios e no contato precoce com pacientes contribuiu para o bom desempenho dos alunos. “Quase metade do curso tem que ser feito em campo prático, e isso pressupõe bons laboratórios, bons ambulatórios de atenção básica, unidades de pronto atendimento e de atenção ambulatorial de média complexidade”, afirmou, defendendo uma fiscalização constante para garantir que esses requisitos sejam cumpridos.

Com os resultados da primeira edição do Enamed, a expectativa de especialistas é que as discussões levem a medidas concretas de fortalecimento da regulação, revisão de autorizações para novos cursos e maior articulação entre políticas educacionais e de saúde, com impactos diretos na qualidade da formação profissional e, no médio prazo, na segurança e no atendimento prestado à população.

No Acre, os dados do Enamed evidenciaram a disparidade entre as instituições locais. O curso de Medicina do Centro Universitário Uninorte, instituição privada, recebeu conceito 1, a nota mais baixa da escala de avaliação, enquanto a Universidade Federal do Acre (Ufac) alcançou conceito 4, acima da média mínima de proficiência exigida pelo exame, reforçando no contexto estadual o debate nacional sobre critérios de autorização, fiscalização e qualidade da formação médica.

Com informações da Agência Brasil

Acre

Acre convoca profissionais da Educação para contratação temporária e entrega de documentos até 22 de junho

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O governo do Acre convocou nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026, candidatos aprovados em processos seletivos simplificados para contratação temporária na rede estadual de ensino. A chamada foi publicada pelas secretarias de Administração e de Educação e Cultura e inclui profissionais que vão atuar em áreas urbanas e rurais, com vagas voltadas à Educação Especial, à Educação de Jovens e Adultos e ao programa Caminhos da Educação no Campo. Os convocados têm até 22 de junho para entregar a documentação e assinar contrato nos locais definidos para cada município de lotação.

O atendimento será feito das 7h30 às 13h30. Entre os municípios contemplados estão Cruzeiro do Sul, Sena Madureira, Senador Guiomard, Epitaciolândia, Porto Acre e Rodrigues Alves. A medida atende à reposição de profissionais apontada pela rede estadual para manter o funcionamento das atividades pedagógicas nas escolas.

Para efetivar a contratação, os candidatos precisam apresentar documentos pessoais, comprovantes de escolaridade, certidões exigidas em edital, comprovante de endereço, dados bancários e atestado médico admissional. Nas vagas destinadas à Educação Especial, também será exigida comprovação da formação específica prevista para cada função.

As declarações exigidas no processo estão disponíveis no portal da administração estadual. O governo também informou que dúvidas podem ser esclarecidas junto à Secretaria de Educação e Cultura.

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Educação

MEC abre consulta de vagas do Sisu+ para o segundo semestre de 2026

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O Ministério da Educação liberou nesta terça-feira, 9 de junho, a consulta às vagas do Sisu+, etapa complementar do Sistema de Seleção Unificada criada para ocupar vagas disponíveis no ensino superior público no segundo semestre de 2026. A pesquisa já pode ser feita no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, com filtros por curso, instituição, estado e município.

A nova etapa reúne vagas remanescentes de 34 instituições públicas de educação superior. Além da oferta de cursos, a plataforma mostra detalhes como turno, local de funcionamento e modalidades de concorrência, o que permite ao candidato verificar com antecedência as condições de disputa antes da abertura das inscrições.

Poderão participar os estudantes que concorreram na etapa regular do Sisu 2026 e fizeram ao menos uma das três últimas edições do Exame Nacional do Ensino Médio. Cada candidato poderá escolher até duas opções de curso.

As inscrições para o Sisu+ vão de 15 a 19 de junho. O resultado da chamada regular única será divulgado em 24 de junho. Na mesma data, será aberto o prazo para manifestação de interesse na lista de espera, que segue até 26 de junho. As matrículas da chamada regular começam em 25 de junho, e as convocações da lista de espera terão matrícula a partir de 1º de julho, conforme o edital de cada instituição.

Com a etapa complementar, o MEC tenta ampliar as chances de ingresso no ensino superior público dentro do mesmo processo seletivo e reduzir a sobra de vagas no segundo semestre.

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Educação

MEC lança plataforma gratuita de idiomas com acesso por portal e aplicativo

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O Ministério da Educação colocou no ar o MEC Idiomas, plataforma gratuita de ensino de inglês e espanhol voltada a estudantes e professores de todo o país. O acesso é feito pelo portal oficial do programa (https://www.gov.br/mec/pt-br/mec-idiomas) e pelo aplicativo da ferramenta, com login pela conta Gov.br. Depois de entrar, o usuário escolhe o idioma, faz o teste de nível e segue para a trilha de aprendizagem.

A plataforma reúne aulas para diferentes níveis de proficiência, exercícios, avaliações ao fim dos módulos e recursos de prática oral. Na fase inicial, o MEC abriu turmas de inglês e espanhol e anunciou a ampliação da oferta nos próximos anos. A proposta é alcançar principalmente alunos da rede pública e professores que já atuam com ensino de línguas.

Na prática, o programa tenta ocupar um espaço que, por anos, ficou concentrado em cursos pagos. Com acesso gratuito e remoto, o governo aposta em ampliar o alcance do ensino de idiomas sem depender de mensalidade, deslocamento ou matrícula em escola privada. O foco está em levar a formação para quem já estuda na rede pública ou precisa reforçar a qualificação para seleção acadêmica e oportunidades profissionais.

O funcionamento foi desenhado para ser direto: o usuário entra com a conta oficial do governo, escolhe o idioma e começa o percurso de aprendizagem a partir do nível indicado pela própria plataforma. A aposta do MEC é transformar esse modelo em porta de entrada para uma política mais ampla de formação em línguas, com uso contínuo e alcance nacional.

Foto: Paulo Francis

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