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MEIO AMBIENTE

Funai aprova delimitação da TI Riozinho do Iaco e amplia estudos para novos territórios no Acre

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A Fundação Nacional dos Povos Indígenas aprovou nesta terça-feira (18), durante atividades da COP30 em Belém, a identificação e delimitação da Terra Indígena Riozinho do Iaco, localizada no Acre, marcando um avanço no processo de regularização territorial no estado. A aprovação integra um pacote de seis áreas distribuídas entre Acre, Amazonas e Rio Grande do Sul, que juntas somam mais de 4 milhões de hectares e representam a proteção direta de 14 povos indígenas. Segundo a Funai, essa etapa encerra o primeiro ciclo de estudos multidisciplinares que fundamentam o reconhecimento oficial das áreas, requisito previsto na legislação federal que trata da demarcação de terras tradicionalmente ocupadas.

O anúncio foi feito na Zona Verde da COP30 e ocorre em um momento em que o governo federal acelera processos de análise territorial. A TI Riozinho do Iaco passa a integrar o conjunto de nove territórios delimitados pela atual gestão da Funai desde 2023. O mecanismo de delimitação envolve estudos antropológicos, ambientais, históricos e cartográficos, que verificam a ocupação tradicional e as condições necessárias para a reprodução física e cultural dos povos que reivindicam a área. Após a publicação do relatório nos diários oficiais, abre-se uma fase de 90 dias para contestações, seguida de prazo para respostas da Funai. A partir daí, o processo pode ser encaminhado ao Ministério da Justiça para decisão sobre os limites e autorização da demarcação física.

Além da aprovação dos estudos, a Funai criou sete novos Grupos Técnicos responsáveis por levantar informações sobre territórios em avaliação, incluindo a TI Chandless, também no Acre. Esses grupos atuarão em áreas reivindicadas por povos como Nadëb, Maraguá-Mawé, Tuyuka, Rio Paracuní, Curupira, Kanamari do Jutaí e Deni do Rio Cuniuá, ampliando o alcance das ações de identificação territorial. Para a presidenta da Funai, Joenia Wapichana, o avanço das etapas de identificação e a criação de novos GTs estão alinhados à diretriz da autarquia na COP30, que defende a demarcação de terras como estratégia central de enfrentamento da crise climática. “A proteção dos territórios garante condições ambientais necessárias para políticas de conservação e segurança territorial dos povos indígenas”, afirmou.

O Acre aparece em posição de destaque no conjunto de medidas anunciadas. A delimitação da TI Riozinho do Iaco reforça a presença do estado no debate territorial e climático apresentado na conferência. Em paralelo, o governo federal homologou recentemente outras quatro terras indígenas, elevando para 20 o número de territórios homologados desde 2023. A Funai também constituiu dez Reservas Indígenas e avança no registro de áreas já homologadas junto à Secretaria de Patrimônio da União. O processo completo de regularização segue as etapas definidas pelo Decreto nº 1.775/1996, que vão desde os estudos iniciais até o registro cartorial da terra sob usufruto exclusivo dos povos indígenas.

As ações anunciadas refletem a prioridade dada ao tema dentro da agenda climática da conferência e reforçam o papel das terras indígenas na proteção ambiental. Para o Acre, a aprovação da delimitação e a inclusão de novas áreas em estudo ampliam a perspectiva de segurança territorial, contribuindo para políticas públicas de conservação e gestão ambiental. A expectativa é de que os próximos passos avancem conforme os prazos previstos em legislação, com participação de comunidades, estados e demais interessados ao longo das fases administrativas.

Fonte: Funai

MEIO AMBIENTE

MPF denuncia dois homens por invasão, desmatamento e pecuária ilegal na Resex Chico Mendes, no Acre

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O Ministério Público Federal denunciou dois homens por crimes ambientais e ocupação irregular dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes, no interior do Acre, após investigação que levou à apreensão de mais de 1.400 cabeças de gado mantidas na área protegida e no entorno da unidade.

A acusação aponta invasão de terras da União inseridas na Resex, inserção de informações falsas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), além de danos ambientais ligados a desmatamento e uso de fogo. A denúncia inclui ainda a manutenção irregular de rebanho bovino em área protegida e em áreas adjacentes, atividade considerada incompatível com o regime de proteção da reserva.

Além das penas previstas para os crimes listados, o MPF pediu à Justiça Federal que determine a desocupação das áreas pelos denunciados e que eles sejam proibidos de exercer atividades econômicas incompatíveis com os objetivos da unidade de conservação, como a agropecuária.

No mesmo caso, outros três investigados firmaram acordos de não persecução penal após confessarem formalmente os fatos e assumirem obrigações voltadas à reparação dos danos e à regularização ambiental. Entre as medidas previstas estão adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), apresentação de Projetos de Recuperação de Áreas Degradadas e/ou Alteradas (PRADA), recomposição de áreas de preservação permanente e de reserva legal, cumprimento de termos de compromisso ambiental com a autoridade estadual e entrega de bens no valor de R$ 250 mil ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para reforçar fiscalização e gestão da reserva.

Para o MPF, “a celebração dos acordos integra a estratégia institucional de priorizar a reparação efetiva do dano ambiental e a responsabilização adequada dos envolvidos, sem prejuízo da tutela judicial, quando necessária”.

O avanço do processo pode resultar em ordens de retirada de ocupantes, restrições a atividades econômicas e novas medidas de recuperação ambiental, com impacto direto na proteção da Resex e na pressão sobre áreas destinadas ao extrativismo e ao uso sustentável por populações tradicionais.

Foto: Secom/AC

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MEIO AMBIENTE

Seca extrema revela recifes inéditos de ostras de água doce no rio Muru no Acre

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A seca histórica que atingiu a Amazônia baixou o nível do rio Muru, no município de Tarauacá, no Acre, e deixou expostas plataformas de calcário cobertas por agregações densas da ostra de água doce Bartlettia stefanensis. O fenômeno revelou pequenos recifes formados pelos moluscos, um habitat aquático até então desconhecido na região, que ficou visível com a retração severa das águas durante os meses de estiagem excepcional.

Os blocos de calcrete afloraram e mostraram uma formação estrutural sem precedentes para a bacia amazônica. As ostras formaram colônias fixadas exclusivamente nesse tipo de solo rochoso, ignorando troncos submersos ou estruturas metálicas próximas. A presença dos animais agrupados em forma de recife mudou a percepção sobre a ecologia bentônica da área. “O rio estava muito baixo e os afloramentos de calcrete chamavam a atenção, até que notei que havia conchas em alguns. Sou do litoral de São Paulo e conheço bem bancos de ostras e mexilhões. Quando vi aquilo, pensei: o que isso está fazendo aqui?”, relata o biólogo Fabio Olmos.

A descoberta mobilizou especialistas para documentar a estrutura biológica diretamente no leito do rio. A formação densa e concentrada exigiu uma varredura nas informações existentes sobre o ecossistema local para compreender a magnitude do cenário. “Eu nunca havia ouvido falar em bancos ou recifes de ostras na Amazônia. Documentamos o achado e, ainda em campo, consultamos colegas e a literatura científica. Não encontramos nada sobre esses recifes de ostras expostos ali”, acrescenta Olmos.

A repetição de secas prolongadas ameaça a sobrevivência da espécie a médio e longo prazo. As alterações bruscas na hidrologia local elevam a frequência de mortalidade em massa das ostras e dificultam a recolonização dos habitats afetados pelas variações climáticas. O cenário força uma reavaliação urgente do status de conservação da Bartlettia stefanensis e de outras espécies da fauna de água doce, exigindo novas medidas de monitoramento para proteger ecossistemas que correm o risco de colapsar.

Fonte: https://oeco.org.br/ – Foto: Fabio Olmos

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MEIO AMBIENTE

Operação do Ibama apreende mais de 60 redes de pesca irregulares nos rios Moa e Juruá

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O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em ação conjunta com a Polícia Militar, apreendeu 67 redes de pesca operadas ilegalmente nos rios Moa e Juruá, em Cruzeiro do Sul, nesta quinta-feira, 26. A ofensiva integra a Operação Rios Federais, deflagrada com o propósito de combater a atividade pesqueira irregular durante o período de defeso, época em que a captura comercial é suspensa para garantir a reprodução dos peixes e proteger a biodiversidade aquática.

Os equipamentos confiscados mediam entre 10 e 50 metros de comprimento e eram manuseados por pescadores flagrados em plena infração. O amparo legal para a autuação é o Decreto nº 6.514/2008, que prevê a aplicação de multas com valores variando entre R$ 700 e R$ 100 mil, além da apreensão de todos os materiais utilizados. Durante a vigência do defeso, que se estende de 15 de novembro a 15 de março, apenas a pesca de subsistência, executada exclusivamente com linha de mão, vara e anzol para consumo próprio, possui permissão. Profissionais devidamente registrados recebem o auxílio-defeso, uma ajuda financeira para compensar a paralisação da atividade comercial.

A execução da força-tarefa contou com o suporte do Grupamento de Operações Especiais da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) da Polícia Militar. Segundo o comandante em exercício da corporação em Cruzeiro do Sul, capitão Thales Campos, “O grupamento de operações especiais, que atua muito na área ribeirinha, deu esse apoio por parte da nossa CPE, Companhia de Policialmente Especializado e aproveitou para fazer levantamentos de criminosos, rotas de tráfico etc”. O Ibama declarou que “A Operação Rios Federais é essencial para proteger os recursos naturais da região. A fiscalização garante que os peixes possam se reproduzir livremente e que a fauna e a biodiversidade local sejam preservadas para as futuras gerações. Sem ações como esta, corremos o risco de comprometer o equilíbrio ambiental e a sobrevivência de espécies fundamentais para a Amazônia”.

As incursões de fiscalização continuarão ativas em diferentes trechos dos rios da região do Juruá ao longo de todo o período restritivo. A manutenção das operações busca preservar a biodiversidade, um fator fundamental para garantir a segurança alimentar das famílias que dependem da atividade pesqueira no Acre a longo prazo.

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