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Direto ao ponto

O purgatório entre a memória e o futuro

A esquerda no Acre será capaz de converter a memória de 20 anos de poder em um futuro político real em 2026?

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A esquerda no Acre vive um dilema. Em público, seus discursos falam de unidade, mobilização e esperança. Nos bastidores, porém, a realidade é menos animadora: faltam diálogo, articulação e, sobretudo, disposição para construir um projeto coletivo que vá além das vaidades individuais. O desafio não é apenas de uma sigla, mas de todo o campo progressista, que precisa transformar a memória de duas décadas de poder em propostas capazes de dialogar com a sociedade de hoje.

Esse período de hegemonia foi liderado pelo PT, com Jorge Viana, Binho Marques e Tião Viana à frente. Jorge transformou Rio Branco quando prefeito e promoveu mudanças estruturais no estado em seus dois mandatos como governador; no Senado, consolidou projeção nacional. Binho fez um governo de consenso, conciliador e distante das disputas políticas. Já Tião Viana deu continuidade ao projeto, mas foi criticado por excessos políticos, ao construir alianças em detrimento de antigos aliados. Muito do que o Acre vive hoje é fruto direto desse ciclo. Essa história não pode ser apagada e, gostem ou não, ainda pesa na balança eleitoral.

O problema é que a esquerda parece presa a esse passado. Em vez de dialogar com a sociedade de hoje, acomoda-se na memória de ontem. O próprio Jorge Viana reconheceu que muitos viraram as costas ao partido que liderou o processo, mas o que não se diz é que a esquerda também virou as costas para antigos aliados, apoiadores e até para suas próprias bases. A consequência é clara: perdeu capacidade de diálogo e já não consegue articular um projeto coletivo.

Há nomes respeitados, sim. Dentro da federação PT–PCdoB–PV figuram lideranças com trajetórias sólidas: Perpétua Almeida (PCdoB), Raimundo Angelim (PT), Aníbal Diniz (PT), Sibá Machado (PT), Nazaré Araújo (PT), Daniel Zen (PT), Shirley Torres (PV), Dr. Dudu (PCdoB) e Binho Marques (PT). Experiência não falta, muitos já foram testados nas urnas e têm capacidade de atrair votos. O que falta é uma liderança capaz de unificar essa diversidade em torno de um projeto maior do que disputas internas e cálculos individuais. Para além disso, é preciso incorporar a inclusão como prática concreta: ser diverso não é suficiente se essa diversidade não se traduzir em participação efetiva, diálogo amplo e renovação de ideias.

O desafio de 2026 está lançado. Ou a esquerda acreana rompe com o saudosismo e reencontra a capacidade de diálogo, ou ficará reduzida a uma frente nostálgica, que sobrevive de lembranças em vez de propostas. O Acre precisa de futuro. Cabe aos partidos progressistas decidir se serão parte dele ou apenas uma nota de rodapé em sua própria história.

O certo é que o futuro chega com o novo e, para isso, é impreterível ouvir, abrir espaço e deixar que ele aconteça.

Foto: Reprodução Instagran

Direto ao ponto

“Não existe talvez alguém mais direita do que eu” – A cartada em Brasília para dobrar o PL e implodir o cerco de Márcio Bittar

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Nesta segunda-feira (2), o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, colocou as cartas na mesa sobre o seu futuro político e o racha interno no Partido Liberal a poucos dias do fechamento da janela partidária, em entrevista a Contilnet. A disputa pelo controle da chapa majoritária para o governo do Acre em 2026 converteu os bastidores da sigla em um campo de batalha entre o gestor municipal e o grupo político comandado pelo senador Márcio Bittar. A guerra interna ocorre em um cenário onde o domínio do maior fundo eleitoral do país (um montante que chegou a R$ 886 milhões distribuídos nacionalmente pela sigla no último pleito) e a hegemonia do tempo de televisão definem o poder de fogo para a corrida eleitoral no estado.

A crise de poder arrasta o peso da história política do prefeito. Com raízes que remontam à Arena em 1983 e ao PDS, Bocalom ancora sua permanência na legenda na identificação ideológica. Na trincheira do discurso, ele apela aos sentimentos do eleitorado conservador ao afirmar que “não existe talvez alguém mais direita” do que ele próprio. A tática de Bocalom confronta a frieza dos cálculos e dos orçamentos partidários com uma retórica focada na defesa da família, no combate às drogas e na aversão ao aborto. Do outro lado, a máquina do diretório estadual opera uma estratégia de isolamento para barrar a pré-candidatura ao governo. A pancada veio na forma de uma carta da executiva local, despachada para constranger e forçar a saída do prefeito da legenda.

A principal batalha por essa fatia de poder saiu da capital acreana e foi travada diretamente em Brasília. Ao perceber a manobra para puxar o tapete do seu projeto majoritário, Bocalom entregou a carta do diretório nas mãos do presidente nacional do partido. A tática de esvaziamento das lideranças estaduais quebrou o sigilo das costuras feitas às portas fechadas. O comando nacional “ficou até mesmo triste em ver aquela carta” e colocou o senador Márcio Bittar contra a parede para dar explicações. A partir de agora, os movimentos internos perdem o escudo do sigilo e vão ser publicados e jogados no debate popular. Se os caciques locais optarem por sufocar a candidatura, terão de assumir a responsabilidade diante da população e justificar a derrubada de um aliado.

O relógio corre até o dia 4 de abril, data que encerra o prazo para as filiações. Se o bloqueio continuar e a zebra se confirmar na permanência no PL, a resposta automática é a desfiliação. A rota alternativa está desenhada por meio de alinhamentos com o Avante e com o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves. A concretização dessa debandada redesenha o mapa de alianças no Acre, cria uma nova força de embate aos planos da atual base governista e fragmenta a estrutura de votos conservadores, elevando o custo político para a ocupação do Palácio Rio Branco.

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Direto ao ponto

“Corpo inteiro” no MDB ou espaço cativo do PL? O disse me disse de Gladson e Mailza

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A política acreana viveu mais um capítulo de discursos desencontrados nesta sexta-feira (27), durante agendas em Cruzeiro do Sul. No mesmo palanque, governador e vice-governadora apresentaram termômetros diferentes para medir a temperatura da aliança governista com o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) visando as eleições de 2026.

O “Disse me Disse” no Juruá

Enquanto o otimismo ditou o tom de um lado, o pragmatismo marcou o outro:

A garantia de Gladson: Durante a entrega de títulos de terra, o governador fez questão de afirmar que a aliança com o MDB para apoiar a candidatura de Mailza ao governo está “certa e segura”. Usando sua retórica característica, disparou: “O MDB já está com a perna, os dois braços, as duas pernas e o corpo inteiro já nessa aliança”.

O freio de Mailza: A vice-governadora, no entanto, adotou um discurso mais cauteloso. Embora confirme que as tratativas estejam avançadas, ela deixou claro que o espaço que o MDB ocupará ainda não está definido: “Olha, o MDB é um partido importante, estamos dialogando há muito tempo. Claro que todo partido que chega precisa ser acolhido e ter seu espaço, mas isso ainda não está definido”, explicou.

A Matemática Majoritária e o Gargalo do Senado

O centro do impasse não está na aliança em si, mas no custo dela. Lideranças do MDB exigem não apenas o apoio do Palácio Rio Branco às suas candidaturas para a Câmara Federal e para a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), mas também a garantia de participação na chapa majoritária. O nome na mesa é o de Jéssica Sales para o Senado.

O problema é que a matemática eleitoral é implacável. Como o próprio Gladson Cameli é apontado como o nome natural para a primeira vaga ao Senado, a disputa se afunila para a segunda e última cadeira. Mailza afirma que esse assunto ainda está em discussão, mas os bastidores do governo já indicam um caminho diferente.

A Chegada do PL e a Pergunta que Fica

A prioridade do Governo para essa segunda vaga, segundo fontes do Palácio Rio Branco, é o senador Márcio Bittar. O principal peso dessa escolha é o fato de que o Partido Liberal (PL) já integra a base de apoio à pré-candidatura de Mailza. A própria vice-governadora reconheceu a complexidade desse xadrez ao afirmar que as conjunturas precisam ser avaliadas, citando nominalmente “a chegada do PL” ao lado do MDB na mesa de negociações.

Diante desse cenário, a crônica política do momento deixa uma pergunta incontornável no ar:

Se a aliança governista já tem Gladson Cameli consolidado para a primeira vaga ao Senado, e se a chegada do PL garante a Márcio Bittar o favoritismo do Palácio para a segunda vaga majoritária, que espaço real sobrará para o MDB? Se o corpo inteiro do partido já está na aliança, como diz o governador, como ficará a situação de Jéssica Sales nessa equação onde, aparentemente, faltam cadeiras para acomodar tantos convidados de peso?

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Direto ao ponto

Anotação de Flávio Bolsonaro contraria PL local e inclui Bocalom

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Direto ao Ponto: O Paradoxo Bocalom
É Pop | Direto ao Ponto
Política

Em menos de 24 horas, o prefeito de Rio Branco recebe uma carta de “despejo” do PL estadual, enquanto anotações vazadas de Flávio Bolsonaro o colocam como o nome do partido para o governo do Acre. No meio do fogo cruzado, a sombra de uma pesquisa que ditará os rumos da legenda.

Na política, 24 horas podem abrigar uma eternidade de contradições. O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, vive hoje o ápice de um paradoxo partidário: no Acre, o Partido Liberal mostra-lhe amigavelmente a porta da rua; em Brasília, o comando nacional reserva-lhe o protagonismo.

A articulação local agiu rápido. Uma carta assinada por Edson Siqueira, presidente da executiva regional do PL, oficializou o que os bastidores já sussurravam. O texto, escrito com polidez, afirma ter orgulho de contar com o prefeito reeleito nas suas fileiras, mas decreta que a prioridade do partido é a manutenção da aliança local, a pré-candidatura nacional de Flávio Bolsonaro e, de forma vital, a reeleição do senador Márcio Bittar.

O recado final não deixa margem para interpretações: se Bocalom quiser procurar outra legenda para disputar o Governo do Estado, o PL “compreende”. Na prática, é um convite educado para que ele arrume as malas e desocupe o espaço.

O Curto-Circuito no PL

A Tese Local (Acre)

A carta da executiva regional afirma que a prioridade é a reeleição de Márcio Bittar e diz “compreender” caso Bocalom procure outro partido para disputar o governo.

A Tese Nacional (Brasília)

Anotações vazadas do próprio punho de Flávio Bolsonaro listam Tião Bocalom e o PL na primeira linha da disputa para o Governo do Acre em 2026.

Contudo, enquanto o PL acreano tentava fechar as portas à candidatura majoritária do prefeito, o cenário foi reaberto por um descuido fotográfico na capital federal. Documentos com anotações de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que agora conduz o projeto presidencial da sigla, vieram a público revelando o xadrez do partido para os estados.

Lá estava o contraponto perfeito à carta de Edson Siqueira. Na secção dedicada ao Acre, sob o subtítulo “Governo”, o primeiro nome escrito de forma clara no papel é: “Tião Bocalom (PL)”, dividindo as atenções com Alan Rick (UB). Após visitar o pai na prisão, o próprio Flávio confirmou que as anotações são da sua autoria, elaboradas durante reuniões da cúpula partidária, embora tenha ponderado que refletem também “sugestões de pessoas”.

O contraste entre o ultimato local e o aval nacional escancara a queda de braço. A peça que liga estas duas frentes é justamente a declaração do senador Márcio Bittar, registada apenas um dia antes. Pressionado por conversas com Flávio Bolsonaro, Bittar havia quebrado o seu silêncio para anunciar que encomendaria pesquisas quantitativas e qualitativas, com entrega prevista para antes de 10 de março, e que só depois anunciaria os palanques que o PL iria integrar.

Se a decisão sobre os palanques estava condicionada aos números de março, por que motivo a executiva estadual se antecipou com uma carta de liberação hoje?

A cronologia dos fatos sugere que a carta soa a uma manobra preventiva. O grupo que comanda o PL no Acre tenta isolar Bocalom antes que os números dessas pesquisas — ou ordens diretas de Flávio Bolsonaro — tornem a sua candidatura um fato consumado e irreversível.

Após a notificação, Bocalom declarou ter recebido a posição do diretório estadual com tristeza, mas reiterou o seu “sonho legítimo” de governar o Acre, mantendo o diálogo aberto com outras legendas. O texto da sua declaração demonstra a paciência de quem aguarda que a poeira assente, sem declarar um rompimento imediato.

O dilema do prefeito é agora um teste de força nos bastidores: aceita o “compreendemos” da direção estadual e procura um novo teto partidário, ou usa a tinta da caneta de Flávio Bolsonaro para enfrentar o diretório local e exigir o comando do seu destino político no Acre? A resposta, muito provavelmente, chegará nos próximos dias, quando as pesquisas desembarcarem na mesa do partido.

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