A União Europeia aprovou nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, a assinatura do acordo comercial com o Mercosul, encerrando um processo de negociações iniciado há 25 anos e abrindo caminho para a formação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, envolvendo Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai e os 27 países do bloco europeu.
A decisão foi confirmada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após votação favorável da maioria dos Estados-membros da União Europeia. Segundo as regras do bloco, o acordo precisava do apoio de pelo menos 15 países que representassem, juntos, no mínimo 65% da população europeia, critério que foi alcançado mesmo com votos contrários de países como França, Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia. Com a aprovação, a Comissão Europeia poderá avançar para a etapa de assinatura formal do tratado com os países do Mercosul, o que deve ocorrer nos próximos dias, no Paraguai, atual presidente pro tempore do bloco sul-americano.
No Brasil, o anúncio foi comemorado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou a aprovação como uma vitória do diálogo e da negociação internacional. Em manifestação pública, Lula afirmou que o acordo representa um sinal em favor do comércio internacional e do multilateralismo, destacando que, somados, os dois blocos reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto estimado em US$ 22,4 trilhões . O presidente brasileiro teve atuação direta na fase final das negociações, especialmente no período em que o Brasil exerceu a presidência do Mercosul em 2025.
O acordo prevê a redução imediata de tarifas para produtos industriais como máquinas, equipamentos de transporte, motores, geradores de energia e aeronaves, além de reduções graduais, até a eliminação total, para uma série de commodities sujeitas a cotas. Também estão incluídos setores como couro, peles, produtos químicos, pedras de cantaria, facas e lâminas, ampliando o acesso de produtos sul-americanos ao mercado europeu e vice-versa.
A repercussão no setor econômico brasileiro foi imediata. A ApexBrasil informou que o acordo cria um mercado estimado em quase US$ 22 trilhões e pode ampliar as exportações brasileiras para a União Europeia em cerca de US$ 7 bilhões. Para o presidente da agência, Jorge Viana, a dimensão do mercado envolvido posiciona o bloco UE-Mercosul atrás apenas da economia dos Estados Unidos, superando o Produto Interno Bruto da China, além de reforçar a inserção internacional de produtos industriais brasileiros, que já representam mais de um terço das exportações do Brasil para a Europa.
Antes de entrar plenamente em vigor, o acordo ainda precisará ser analisado pelo Parlamento Europeu e submetido aos parlamentos nacionais dos países do Mercosul. A implementação, no entanto, poderá ocorrer de forma individual, sem a necessidade de aprovação simultânea por todos os membros do bloco sul-americano. A expectativa é que o tratado tenha impactos diretos sobre fluxos comerciais, investimentos, cadeias produtivas e relações diplomáticas entre América do Sul e Europa nos próximos anos, consolidando um novo marco nas relações econômicas entre os dois blocos.