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Política

Na política, o Acre é um país próprio 

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A filiação do senador Alan Rick ao Republicanos e o lançamento oficial de sua pré-candidatura ao governo do Acre marcam um momento relevante da política estadual. Mas, mais do que um ritual partidário, o evento expôs dinâmicas, tensões e fragilidades de um campo político que ainda busca compreender qual é, de fato, a sua identidade e a sua força no Acre contemporâneo.

Nos últimos anos, o estado viveu uma contradição curiosa: foi um dos que entregou algumas das maiores votações do país ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo em que permanece entre os maiores beneficiários de investimentos federais do governo Lula. Essa combinação revela algo profundo: as identidades políticas tradicionais, “esquerda” e “direita”, no sentido clássico, dificilmente explicam sozinhas o comportamento eleitoral ou a dinâmica do poder no Aquiri.

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É nesse contexto que a filiação de Alan Rick assume uma dimensão mais complexa. O discurso pode até se estruturar sob a bandeira conservadora, mas o que se vê é a tentativa de construir uma narrativa nacionalizada para um estado cuja política é essencialmente local. E foi justamente essa distância entre a retórica e a realidade acreana que ficou mais evidente no grande evento repleto de “celebridades” da política nacional, apresentado como o maior ato político da última semana.

A presença e o protagonismo de figuras externas ao Acre, como a senadora Damares Alves, ilustram bem essa desconexão. Poucos dias antes da filiação, Damares esteve no estado em agendas articuladas com o senador Márcio Bittar, um movimento que, mais do que apoio, sinaliza rearranjos internos de influência.

Até aí, política nacional e estadual sempre conviveram. O problema surge quando essa presença externa tenta ocupar o centro do palco, quase como porta-voz da consciência política do Acre.

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Articulação nacional é uma coisa, e faz parte do jogo. Mas política real se materializa no território: na leitura sensível das dinâmicas sociais, no contato com as comunidades, no diálogo contínuo com lideranças locais e na construção paciente de confiança. Sem isso, o discurso vira espuma. A tentativa de inflar protagonismos nacionais como forma de legitimar uma candidatura local apenas evidencia a falta de diálogo com as forças políticas do próprio estado.

Por isso, apesar do clima festivo e da tentativa de produzir a imagem de uma candidatura com “vitória antecipada” pelas pesquisas, muitos observadores comentam justamente o contrário: que “ainda falta ao senador Alan Rick aquilo que nenhuma pesquisa entrega, articulação política consistente”” Sem enraizamento, o risco é confundir viabilidade eleitoral com ilusão de superfície.

O Acre vive um momento em que a população, segue mais pragmática do que ideológica. Quem dialogar com isso, com a realidade concreta da gestão pública, com a necessidade de alianças amplas e maduras, terá mais chances de se sustentar. Quem insistir em operar apenas por narrativas externas, bordões nacionais ou imposições de “lideranças de fora” tende a tropeçar no terreno.

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A política acreana já mostrou ser capaz de surpreender e corrigir rotas. Entre esquerda e direita, entre Bolsonaro e Lula, entre igrejas e partidos, entre narrativas nacionais e práticas locais, o que mais pesa, e continuará pesando, é a capacidade de compreender a realidade do Acre, com suas dores, urgências e especificidades.

A pré-candidatura de Alan Rick ainda tem muito a mostrar. Mas os movimentos iniciais indicam que recorrer a figuras nacionais para suprir lacunas locais não substitui o que realmente constrói vitória: conexão com o território, clareza de projeto e articulação política real. No Acre, como sempre, é o chão, não o palco, que define os rumos.

Foto: Sérgio Vale

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Política

Nicolau Júnior fala sobre futuro político e admite sonho de comandar a Prefeitura de Cruzeiro do Sul

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Em entrevista recente ao Programa F5 com Josemir Melo, o presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), deputado Nicolau Júnior (Progressistas), abriu o jogo sobre suas articulações para as próximas eleições e comentou sobre a possibilidade de disputar o executivo de sua terra natal.

Ao ser questionado sobre os passos para o pleito de 2026 e se almejaria um cargo federal, Nicolau reafirmou seu compromisso com a reeleição para o legislativo estadual, mas deixou claro que sua postura é de alinhamento total com a sigla.”Eu sou candidato a deputado estadual, tô à disposição do partido. […] Eu sou partidário, eu sou Progressista, eu tenho lealdade ao nosso grupo político… eu sou um soldado do Progressista”, afirmou o parlamentar.

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O deputado também destacou a importância da união do grupo político liderado pelo governador Gladson Cameli, mencionando o respeito à hierarquia e aos nomes postos para a disputa majoritária, como o da vice-governadora Mailza Assis.

O sonho da Prefeitura de Cruzeiro do Sul

Um dos momentos de maior destaque da conversa ocorreu durante o quadro “Rapidinhas”, quando o apresentador tocou no tema “Prefeitura de Cruzeiro do Sul”. Nicolau Júnior não se esquivou e revelou que comandar o executivo municipal é um desejo pessoal, citando sua experiência à frente do legislativo estadual como credencial para o desafio. “Eu nasci em Cruzeiro, né… eu acho que todo político tem um sonho de ser candidato a prefeito da sua cidade. Eu particularmente administro o segundo poder do estado que é a Assembleia. Então tenho certeza que eu tenho capacidade também de ir pro executivo”, declarou.

Nicolau enfatizou sua visão de gestão pública, traçando um paralelo com sua origem no comércio e a responsabilidade com o erário. “A prefeitura é um órgão público. Aquele dinheiro que tá ali é público, tem que voltar… tem que ter cuidado e voltar pra população com boas ações”, completou o deputado.

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A entrevista completa, onde o parlamentar também discute o desenvolvimento do município de Mâncio Lima e a situação da BR-364, pode ser conferida no canal do Programa F5.

Vídeo: https://youtu.be/LOf-qJ_nKLs?si=6jubJQR7Q0rJO_zE

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Política

STF transfere Bolsonaro para a Papudinha após pedido de prisão domiciliar

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou, nesta quinta-feira (15), a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a chamada Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, após a defesa apresentar um pedido de prisão domiciliar de caráter humanitário. A decisão foi tomada no contexto do cumprimento da pena superior a 27 anos de prisão imposta ao ex-presidente, condenado por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado de 2023.

Bolsonaro estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em cela individual, desde o início do cumprimento da pena. No despacho que autorizou a transferência, o ministro registrou que o pedido da defesa alegava a inexistência de condições mínimas de dignidade no local onde o ex-presidente se encontrava, argumento reforçado por manifestações públicas de seus filhos. A partir dessa solicitação, Moraes decidiu pela mudança para a Sala de Estado Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecida como Papudinha, situada no interior do Complexo da Papuda.

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Na decisão, o ministro comparou as condições da custódia anterior com as do novo local. A cela da Polícia Federal, segundo o despacho, possuía cerca de 12 metros quadrados, com banheiro privativo, água aquecida, ar-condicionado, televisão, frigobar, atendimento médico permanente da própria corporação, autorização para acompanhamento médico particular, realização de fisioterapia, banho de sol diário exclusivo e regime diferenciado de visitas. Moraes destacou que tais condições já eram superiores às enfrentadas por outros réus condenados pelos mesmos crimes.

A nova unidade destinada a Bolsonaro na Papuda possui área total de 64,83 metros quadrados, com ambientes internos e área externa, incluindo quarto, sala, banheiro, cozinha, lavanderia e espaço ao ar livre. O local permite o preparo e armazenamento de alimentos, dispõe de geladeira, armários, cama de casal, televisão e chuveiro com água quente. De acordo com a decisão, o custodiado terá direito a cinco refeições diárias fornecidas pela unidade prisional e acesso a banho de sol em espaço reservado, com horário livre.

O despacho também registra que o espaço permite a instalação de equipamentos para atividade física, como esteira e bicicleta, além de área específica para visitas e atendimento de advogados e médicos. As visitas familiares estão autorizadas para a esposa Michelle Bolsonaro, os filhos Carlos, Flávio, Jair Renan e Laura Bolsonaro, além da enteada Letícia Marianna Firmo da Silva, com duração total de até três horas, a serem divididas entre os visitantes.

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Ao justificar a decisão, Moraes afirmou que as condições oferecidas na Papudinha não descaracterizam o cumprimento da pena nem configuram tratamento incompatível com a condenação imposta. O ministro também registrou críticas às reclamações apresentadas pela defesa e por familiares do ex-presidente, que incluíam questionamentos sobre o tamanho da cela, o regime de visitas, o banho de sol e até a substituição do aparelho de televisão por um modelo com acesso à internet.

Antes da análise definitiva do pedido de prisão domiciliar humanitária, o ministro determinou a realização de perícia por uma junta médica da Polícia Federal, que deverá avaliar a situação de saúde de Bolsonaro e indicar se há necessidade de adaptações adicionais para a continuidade do cumprimento da pena no novo local. A decisão estabelece que somente após esse laudo será apreciado o pleito da defesa.

Fonte: Agência Brasil

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Política

Bocalom diz que deve anunciar candidatura ao governo do Acre até a próxima semana

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O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, afirmou que deve anunciar até o início da próxima semana se colocará seu nome à disposição para disputar o governo do Acre nas eleições de 2026, após meses evitando antecipar o debate eleitoral e priorizando a execução de obras tanto na capital quanto no interior do estado. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Patrulha Cidade, da TV Amazônia, afiliada da RedeTV nesta quarta-feira, 14, em que o gestor explicou que, ao longo do último ano, optou por não entrar em discussões políticas por considerar o período como momento de trabalho administrativo, mas reconheceu que o calendário eleitoral agora impõe a abertura do debate.

Segundo Bocalom, a decisão de avaliar uma candidatura passou a ser considerada após ouvir manifestações recorrentes da população em diferentes regiões do estado, incluindo Rio Branco e municípios do interior. Ele relatou que, mesmo com outros nomes já colocados no cenário político, como o do senador Alan Rick e da vice-governadora Mailza Assis, tem sido cobrado por eleitores para participar da disputa. “Eu tenho andado o Estado inteiro e ouvido o apelo das pessoas, dizendo para colocar o nome”, afirmou, ao destacar que esses pedidos estão associados à sua trajetória administrativa, tanto no município de Acrelândia quanto na atual gestão em Rio Branco.

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O prefeito também ressaltou que, até o momento, não há decisão formalizada, mas confirmou que o anúncio deve ocorrer em breve para permitir que a população avalie seu nome ao longo do prazo legal. “Tenha paciência, que no início da semana que vem a gente faz o anúncio”, disse, acrescentando que o período até 4 de abril será suficiente para que o eleitorado manifeste se deseja ou não sua candidatura. Para ele, o processo deve ser conduzido de forma aberta, com espaço para debate público e acompanhamento das pesquisas de opinião.

Durante a fala, Bocalom citou levantamentos eleitorais recentes nos quais aparece entre os primeiros colocados, mesmo sem ter oficializado a intenção de concorrer. De acordo com ele, esse cenário reforça a percepção de que há demanda popular por sua participação no pleito. “Hoje o nome do Bocalom não foi colocado ainda, e mesmo assim aparece como segundo colocado, muito próximo do primeiro”, afirmou, ao defender que a inclusão formal do nome nas pesquisas permitirá uma avaliação mais precisa do cenário eleitoral.

O prefeito também retomou sua trajetória política, mencionando a eleição de 2010, quando concorreu ao governo do estado e foi derrotado após um desempenho desfavorável na região do Juruá. Segundo ele, atualmente tem ouvido manifestações de apoio naquela região, indicando uma mudança de cenário em relação ao passado. “Hoje o que eu escuto no Juruá é que agora pode contar com a gente”, disse, ao afirmar que essas sinalizações têm pesado na reflexão sobre atender ao que chamou de “chamado da população”.

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Ao tratar de suas motivações, Bocalom afirmou que sua atuação política está vinculada a um projeto voltado à produção e à geração de emprego no Acre, linha que, segundo ele, continua presente no debate público. Também destacou que sua trajetória na gestão pública não registra escândalos relacionados ao uso de recursos públicos, ponto que considera relevante no diálogo com os eleitores. “Estou na política para servir, não para ganhar dinheiro ou enganar as pessoas”, declarou, ao associar sua conduta à atuação pautada pela legalidade.

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