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Política

Terceirização do Hospital do Alto Acre segue suspensa após reunião na Aleac

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A terceirização do Hospital Regional do Alto Acre, em Brasiléia, entrou nesta terça-feira (24) em um novo capítulo de disputa pública, com trabalhadores e parlamentares cobrando a interrupção do edital de chamamento e o governo do Acre confirmando que não dará continuidade ao processo na esfera administrativa, embora a questão ainda esteja judicializada.

A discussão ocorreu durante reunião da Comissão de Saúde Pública e Assistência Social da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), convocada pelo presidente do colegiado, deputado Adailton Cruz (PSB), para tratar do modelo proposto para a unidade que atende municípios da regional. No encontro, participaram parlamentares, trabalhadores do hospital e representantes da sociedade civil, com foco no edital e nos impactos para assistência e direitos trabalhistas.

Logo na abertura, Adailton Cruz defendeu a suspensão do processo e a reavaliação do caminho escolhido, citando preocupação com a assistência à população e com os servidores. Ele também mencionou a atuação do Conselho Estadual de Saúde, que teria recomendado a suspensão por resolução ainda pendente de publicação no Diário Oficial no momento da reunião.

Representando trabalhadores, Jacson Manoel Rocha, apontado como porta-voz de cerca de 300 servidores, afirmou que a categoria analisou o chamamento público e identificou lacunas e inconsistências, além de falta de garantias para usuários e profissionais. Ele buscou afastar a mobilização de disputa política e resumiu a posição do grupo: “Nosso objetivo foi esse edital que está cheio de lacunas, cheio de falhas, que não traz nenhuma garantia para a população nem para os servidores”.

Um dos pontos levantados foi o intervalo entre a publicação do edital, em 1º de dezembro, e o chamamento marcado para o dia 12 do mesmo mês, prazo que os servidores consideraram curto, somado à ausência de audiência pública antes da publicação. Na reunião, Jacson defendeu que a discussão com a sociedade deveria anteceder qualquer formalização do modelo de gestão, por se tratar de tema com impacto regional e custo para o sistema de saúde.

O representante também criticou a justificativa apresentada no edital para terceirizar a gestão, que apontaria incapacidade técnica do Estado para administrar a unidade em região remota. Ao comentar o argumento, afirmou: “O Estado tem capacidade técnica sim de gerir o hospital e já gere vários hospitais”.

Na sequência, a técnica de enfermagem Roberta de Oliveira, que atua na unidade, defendeu o cancelamento do edital e disse que o problema central não seria ausência de especialistas, mas a política de contratação e remuneração. Para ela, a fixação de profissionais no interior passa por pagar o plantão conforme a especialidade: “Se pagar como especialista, nós teremos especialistas no hospital. Não justifica essa terceirização. Basta valorizar e pagar o profissional como tal”.

Entre os parlamentares, a deputada Michelle Melo (PDT) disse compreender a mobilização dos trabalhadores e relatou sinalização de abertura do Executivo para diálogo, destacando que o tema ainda exigiria análise. Ela afirmou ter recebido indicação de que governo e vice-governo estavam ouvindo a categoria “para que esse processo seja conduzido com responsabilidade e escuta”.

O deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB) criticou o modo como o processo avançou e questionou a falta de debate prévio no Conselho Estadual de Saúde, além da realização de audiência pública depois da publicação do chamamento. Ele defendeu que alternativas fossem esgotadas antes de qualquer contrato e citou a possibilidade de melhor aproveitamento dos especialistas já existentes, sustentando que, se houver entraves legais para valorização e fixação no interior, a legislação pode ser alterada.

Ao final do debate, o secretário de Governo, Luiz Calixto, informou que a terceirização está suspensa administrativamente desde 19 de fevereiro e que, no âmbito do Executivo, não haverá continuidade dos trâmites. Ele também frisou que existe uma ação civil pública em andamento, fora do controle do governo, e que a administração estadual aguarda decisão judicial.

No relato publicado após a reunião, Calixto afirmou que a proposta havia sido suspensa para esclarecimentos e que a decisão do governo é não encaminhar reabertura, mas pontuou a limitação administrativa diante do processo em curso na Justiça. Em outro momento, reforçou que o Executivo suspendeu “a nossa parte” e que não pode cancelar algo judicializado.

A presidente do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem, Alesta Costa, comemorou o anúncio durante a reunião e citou apoio político local: “A vitória hoje foi certa. Está enterrada a terceirização do hospital do Alto Acre, lá de Brasiléia. A vitória de todos nós”.

Encerrando o encontro, Adailton Cruz disse que, com a confirmação da suspensão administrativa, o ponto principal do debate estava superado naquele momento, mas defendeu acompanhamento permanente e participação de sindicatos, Conselho Estadual de Saúde e Ministério Público em qualquer nova discussão sobre a oferta de especialidades e a gestão da unidade. Na reunião, ele resumiu o eixo do debate ao afirmar que “a bandeira aqui é a vida do nosso povo”.

Foto: Sérgio Vale

Política

Passagens aéreas para municípios isolados do Acre entram em debate na Aleac

Deputado Edvaldo Magalhães cobra explicações sobre reajuste nas tarifas e pede discussão com órgãos de fiscalização

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O aumento no valor das passagens aéreas para municípios isolados do Acre passou a ser tema de debate na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). A discussão foi levada à tribuna pelo deputado estadual Edvaldo Magalhães, que questionou os critérios adotados para o reajuste das tarifas em rotas que atendem cidades de difícil acesso.

De acordo com o parlamentar, os novos valores atingem trechos operados entre Rio Branco e municípios do interior, como Santa Rosa do Purus, Jordão e Tarauacá. O tema ganhou repercussão por envolver deslocamentos considerados essenciais para moradores dessas localidades.

Na Assembleia, Edvaldo Magalhães defendeu que sejam apresentados esclarecimentos públicos sobre a composição dos preços cobrados. Ele também citou a necessidade de participação de órgãos de controle e fiscalização na análise do caso, além de representantes da empresa responsável pelos voos e de setores do poder público ligados ao transporte regional.

“Estamos cobrando explicações sobre o aumento das passagens porque esse reajuste afeta diretamente a população dos municípios isolados.” — Deputado Edvaldo Magalhães / Foto: Sérgio Vale

O deputado argumenta que a discussão envolve não apenas a política de preços praticada pela empresa, mas também o impacto do reajuste sobre a mobilidade da população de municípios isolados. Segundo ele, o aumento pode comprometer o acesso a serviços e programas públicos voltados ao deslocamento de pessoas em situação de vulnerabilidade.

A proposta apresentada na Aleac é a realização de uma reunião para discutir os critérios do reajuste e os efeitos da medida para os usuários do serviço. O caso também mobiliza órgãos de defesa do consumidor e instituições de fiscalização, que buscam informações sobre a justificativa para a alteração nos valores.

Imagem: Governo do Acre / Aleac

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Política

Bocalom inicia agenda pelo Juruá e relembra eleição de 2010: “Sentimento de compensação”

Em entrevista ao jornalista Chico Melo, o ex-prefeito de Rio Branco explicou por que escolheu a região para abrir sua pré-campanha ao Governo

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O ex-prefeito de Rio Branco e pré-candidato ao Governo do Estado, Tião Bocalom, iniciou nesta semana uma agenda estratégica pela região do Juruá. Em entrevista concedida ao jornalista Chico Melo, na rádio Integração, Bocalom detalhou os motivos que o levaram a começar sua jornada pelo Vale do Juruá, relembrou a histórica eleição de 2010 e rebateu análises sobre sua saída da prefeitura da capital.

“BR-364, é um trabalho que não prestou… vou fazer de concreto”

A viagem até Cruzeiro do Sul foi de carro pela BR-364. Bocalom fez questão de percorrer o trajeto por terra, enfrentando quase 14 horas de estrada, para segundo ele “sentir o que o povo sente”. Ele classificou a situação da rodovia como uma “tristeza” e afirmou que a obra, entregue há 15 anos, nunca teve uma solução definitiva, exigindo reparos anuais que não resolvem o problema estrutural. “É um trabalho que não prestou”. O prefeito defendeu que sua experiência administrativa o qualifica para buscar uma solução final para o isolamento terrestre da região.

Para o pré-candidato, o Juruá foi o divisor de águas na eleição de 2010, quando perdeu a disputa estadual por apenas 0,5% dos votos. Segundo ele, há um sentimento de mudança na região. “Muitas pessoas me dizem: ‘Bocalom, aquela vez você perdeu por causa de nós’. Existe um desejo da população de compensar o que aconteceu no passado, agora que viram o que fiz em Acrelândia e o que estou fazendo em Rio Branco”, afirmou.

Bocalom relatou que, em suas conversas com a população, é comum ouvir relatos de arrependimento. Ele destacou que, na época, muitos eleitores foram influenciados por pesquisas que apontavam a vitória de seu adversário, o que gerou o receio de “perder o voto”. O ex-prefeito fez uma distinção sobre o comportamento do eleitorado na época, afirmando que, conforme os relatos que ouve, as mulheres foram mais ousadas e mantiveram o voto em seu projeto. Segundo a conclusão de Bocalom, os homens têm mais tendência a seguir as pesquisas, enquanto as mulheres arriscam mais e são mais fiéis.”

Para ele, o cenário agora é outro, pois o eleitor pode comparar o que foi prometido no passado com os resultados que ele apresenta hoje na capital e, anteriormente, em Acrelândia.

Apostando no “sentimento de reparação” do Juruá para consolidar projeto estadual, Bocalom escolhe a região como ponto de partida de sua caminhada por uma questão histórica: a eleição de 2010. Segundo o pré-candidato, existe hoje no eleitorado local um desejo latente de compensar a derrota sofrida há mais de uma década, quando ele perdeu o governo por uma margem de apenas 0,5% dos votos, diferença essa decidida justamente na região.

Questionado por Chico Melo sobre a divulgação das declarações do ex-governador Tião Viana que chamou Bocalom de “fenômeno político” e alertou seus aliados dizendo “cuidado com esse homem”, lembrando que em 2010 Bocalom quase venceu a máquina pública “apenas na sola do sapato”, o ex-prefeito recebeu o comentário como um reconhecimento de sua força popular.

Bocalom pontuou que, se naquela época, sem estrutura e contra o governo federal, ele foi competitivo, hoje o cenário é de maior maturidade política e entregas administrativas.

Sobre as críticas de que seria “loucura” deixar a Prefeitura de Rio Branco em um momento de alta aprovação e obras em andamento, Bocalom defendeu sua decisão. Ele garantiu que deixa a capital com “dinheiro em caixa”, mais de 2 mil unidades habitacionais encaminhadas e servidores valorizados.

“O Bocalom não deixa a prefeitura de qualquer jeito. Deixo uma gestão organizada para o Alisson Bestene dar continuidade. Saio para um projeto maior pelo estado do Acre”, concluiu Bocalom

Fonte: Entrevista ao Jornalista Chico Melo/Rádio Integração

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Política

Bocalom diz que quer levar modelo de gestão de Rio Branco para o Estado e promete foco em produção, saúde e segurança

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Em entrevista ao programa Café com Alexandre Gomes, da Juruá Comunicação, na sexta-feira, 17 de abril de 2026, o pré-candidato ao governo do Acre Tião Bocalom afirmou que entra na disputa estadual com o discurso de experiência administrativa e defesa do setor produtivo. Ao justificar a decisão de deixar a Prefeitura de Rio Branco para buscar o Palácio Rio Branco, ele disse que “estou aqui para servir” e sustentou que quer repetir, em nível estadual, o que considera ter feito na capital e em Acrelândia.

Durante a conversa, Bocalom fez um balanço da passagem pela prefeitura e citou obras de infraestrutura, abertura de creches, reformas em unidades de saúde e reforço no atendimento médico como marcas de sua gestão. Segundo ele, a capital ficou com obras em andamento, recursos em caixa e uma estrutura administrativa capaz de manter a continuidade das ações. O ex-prefeito também afirmou que houve melhora no abastecimento de medicamentos, na realização de exames e na presença de profissionais nas unidades de saúde.

No campo político, Bocalom voltou a apostar no discurso que vem usando desde outras campanhas e resumiu sua proposta no slogan “produzir para empregar”. Na entrevista, ele defendeu que o Acre precisa voltar a investir fortemente no campo, com apoio à produção de café, grãos, leite e outras cadeias agropecuárias. Para ele, o Estado perdeu capacidade econômica ao deixar de priorizar quem produz e passou a depender de mercadorias vindas de fora, especialmente de Rondônia. Na visão do pré-candidato, “cidade rica, só se o campo for rico”.

Ao criticar gestões anteriores, Bocalom disse que o Acre “andou para trás” e afirmou que a economia estadual só ganhará força com incentivo direto ao produtor rural, tecnologia, crédito e abertura para novos investimentos. Ele citou o avanço recente de culturas como soja, milho e café como sinais de que o Estado tem potencial para ampliar produção e exportação, desde que haja decisão política e apoio governamental.

Na área de segurança, o pré-candidato defendeu uma atuação mais integrada entre Estado e prefeituras. Como exemplo, citou a instalação de câmeras de monitoramento em Rio Branco e afirmou que pretende ampliar o uso de tecnologia em escolas, unidades de saúde e espaços públicos caso seja eleito governador. Bocalom também disse que o combate à criminalidade precisa ser mais rápido e mais conectado com inteligência e vigilância.

Sobre o cenário eleitoral, Bocalom procurou demonstrar confiança e minimizou o peso dos levantamentos de intenção de voto. “Não dou bola para pesquisa”, afirmou. Ele disse que prefere medir a campanha pelo contato direto com a população e avaliou que sua presença no Juruá reforça uma base histórica de apoio na região. Na entrevista, também sinalizou que, em um eventual segundo turno, espera unidade no campo político aliado.

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