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Economia e Empreender

Carne bovina, suína e soja lideram exportações e mudam perfil econômico do Acre entre 2010 e 2025

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A expansão das exportações de carne bovina, carne suína e soja alterou a estrutura econômica do Acre e reduziu a dependência do extrativismo ao longo dos últimos 16 anos, segundo dados do relatório Panorama do Comércio Exterior do Acre: Evolução e Tendências (2010–2025), elaborado pela Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan). O levantamento aponta que o estado acumulou superávit de US$ 490 milhões no período e registrou crescimento médio anual de 11% nas exportações, resultado associado à diversificação da produção e à ampliação da presença acreana em novos mercados internacionais.

No início da série histórica, o Acre ainda apresentava forte concentração em produtos florestais. Entre 2010 e 2014, madeira e castanha representavam 85% das exportações, enquanto o Reino Unido concentrava quase metade das compras externas. A retração média anual de 23,2% nas exportações nesse período evidenciou a vulnerabilidade do modelo baseado no extrativismo e impulsionou mudanças na estrutura produtiva, com maior participação da agropecuária.

A partir de 2015, houve crescimento gradual das exportações de proteínas animais, consolidado com a expansão da soja entre 2020 e 2022. Nesse intervalo, o valor exportado do grão aumentou de US$ 1,2 milhão para US$ 14,3 milhões, com crescimento médio anual de 242%. O avanço marcou a ampliação da participação agrícola nas exportações e a inserção do estado em novas cadeias produtivas voltadas ao comércio internacional.

Entre 2023 e 2025, o crescimento das exportações se intensificou, com média anual de 46,9% e total de US$ 98,9 milhões em 2025, o maior valor da série histórica. A carne bovina assumiu a liderança nas vendas externas, seguida pela soja e pela carne suína, refletindo a consolidação da agropecuária como principal base exportadora. O desempenho foi reforçado pelo aumento das vendas no último trimestre, com destaque para carne bovina e castanha.

A expansão das exportações também foi acompanhada pela redistribuição territorial da atividade econômica. Em 2010, Rio Branco concentrava 61% das vendas externas. Em 2025, Brasileia passou a liderar com US$ 26,66 milhões, impulsionada pela exportação de carne suína e castanha, enquanto Senador Guiomard se consolidou como principal polo exportador de carne bovina. O movimento indica a ampliação da participação de municípios do interior na economia exportadora.

Os destinos comerciais do Acre também se diversificaram. O Peru passou a responder por 27,2% das exportações e assumiu o posto de principal parceiro comercial, tanto como mercado consumidor quanto como rota logística. Emirados Árabes Unidos e Turquia ampliaram as compras de carne bovina acreana, consolidando a presença do estado em mercados do Oriente Médio e fortalecendo sua inserção internacional.

O relatório também aponta mudanças na logística de transporte. A participação da via rodoviária nas exportações aumentou de 2,2% em 2010 para 27,6% em 2025, resultado associado à atuação da Receita Federal em Assis Brasil e à utilização de rotas terrestres até o Oceano Pacífico. A possibilidade de acesso ao porto de Chancay, no Peru, é considerada um fator que pode ampliar o alcance das exportações acreanas para mercados asiáticos e norte-americanos.

Apesar do crescimento, o relatório aponta desafios estruturais que afetam a competitividade das exportações, incluindo as condições das rodovias BR-364 e BR-317, a necessidade de melhorias nas estruturas aduaneiras e a importância de obras como o Anel Viário de Brasileia e a ferrovia de integração com o Pacífico. O documento indica que o superávit comercial de US$ 93,72 milhões em 2025 demonstra a capacidade de expansão da economia acreana, condicionada à continuidade de investimentos em infraestrutura e logística.

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Norte ganha espaço no mapa das agtechs e pressão por tecnologia no campo acelera expansão pelo Brasil

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Da Amazônia às áreas de fronteira agrícola, o avanço de tecnologia aplicada ao agro vem deixando de ser um fenômeno restrito aos grandes centros do Sudeste e do Sul. Um levantamento da Embrapa mostra que as startups agropecuárias passaram a aparecer com mais força fora do eixo tradicional e que o Norte ampliou participação no ecossistema de agtechs, puxado por novos negócios e por uma presença maior de soluções voltadas a desafios locais, como logística, conectividade e produção em ambientes mais complexos.

A sexta edição do Radar Agtech Brasil mapeou 2.075 startups agropecuárias em atividade em 2025, alta de 5% em relação a 2024, num ritmo mais moderado do que o registrado nos anos de expansão acelerada do setor. No recorte regional, o estudo apontou aumento proporcional no Norte, que passou a concentrar 7,6% das agtechs do País. Em 2019, Norte e Nordeste somavam 5% do total; em 2025, a presença do Norte e do Nordeste aparece mais alta, com 7,6% e 6,5%, respectivamente, enquanto o Centro-Oeste ficou com 7,1%, sinalizando um espalhamento mais amplo do empreendedorismo do agro.

O detalhamento por Estados reforça a tendência. O Amazonas apareceu com 17 agtechs no levantamento, número que chama atenção pela distância histórica dos principais polos de inovação do setor. A distribuição, embora ainda pequena quando comparada à concentração do Sudeste e do Sul, indica um ecossistema em formação e mais conectado ao campo, com startups buscando operar mais perto do produtor e de cadeias produtivas regionais.

Mesmo com a expansão para novas áreas, o mapa segue concentrado: Sudeste e Sul reúnem 79% das agtechs, com 55,2% e 23,7%, respectivamente. Ainda assim, a dispersão territorial é um dos sinais de mudança apontados pelo Radar, que também registrou redes de apoio e ambientes de inovação em transformação. O estudo contabilizou 390 ambientes de inovação no Brasil e mostrou que o Sul ultrapassou o Sudeste nessa métrica, com 37,18% contra 32,82%, impulsionado pelo avanço de incubadoras, especialmente no Rio Grande do Sul.

O coordenador do Radar Agtech e analista da Embrapa, Aurélio Favarin, associou o crescimento das incubadoras à construção da base do ecossistema. “Incubadoras trabalham na fase inicial do processo de inovação. Faz sentido que um estado, pensando no desenvolvimento de um ecossistema, comece pelas incubadoras”, afirmou. No Sudeste, o Radar apontou maior presença de hubs, aceleradoras e estruturas com governança, que costumam aparecer quando o mercado já tem empresas mais maduras e maior densidade de capital e conexões.

A desaceleração no crescimento do número total de startups foi atribuída ao amadurecimento do setor após o salto de 2019 a 2021. O pesquisador da Embrapa Vitor Mondo relacionou o novo ritmo ao ciclo de consolidação. “Entre 2019 e 2021 houve um boom de ambientes de inovação e fundos de investimentos, o que contribuiu para um grande aumento na quantidade de agtechs… É um comportamento esperado e que mostra a maturidade do ecossistema de inovação”, disse. Ele também apontou que a expansão territorial acompanha um movimento de maior atuação dentro das fazendas, com startups mais presentes no dia a dia do produtor.

No recorte por áreas de atuação, as agtechs se concentram principalmente em soluções “dentro da fazenda” (41,1%) e “depois da fazenda” (40,5%). “Alimentos inovadores e novas tendências alimentares” liderou com 15% das startups, seguido por “Sistemas de gestão da propriedade rural” (8%) e “Plataformas integradoras de sistemas, soluções e dados” (7,5%). O levantamento também registrou a disseminação de inteligência artificial: 83% das agtechs usam IA em processos ou produtos e 35% têm a tecnologia como base central do negócio. “Esse dado sinaliza que a tecnologia digital deixou de ser diferencial pontual e passou a construir camada estrutural do modelo de negócio”, afirmou Favarin.

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, definiu o Radar como um instrumento de articulação do setor. “O Radar Agtech Brasil funciona como um mapa vivo da inovação no campo brasileiro. Ele revela talentos, conecta ideias e orienta investimentos”, disse. A leitura de investidores reforçou um cenário mais seletivo para capital. “Nos últimos dois ou três anos, o ambiente para captação de recursos ficou mais desafiador… vemos hoje startups sendo construídas com uma mentalidade mais focada em eficiência e rentabilidade desde os estágios iniciais”, afirmou Pedro Jábali, da SP Ventures.

Com o Norte ampliando presença e Estados como o Amazonas aparecendo com mais startups no mapeamento, a tendência é que a inovação no agro avance por rotas menos óbvias, impulsionada por demandas locais e por soluções que precisam funcionar longe dos grandes polos. O próximo passo do Radar mira uma vitrine maior: o projeto prepara uma edição para América Latina e Caribe, com lançamento previsto para junho, e a versão brasileira de 2025 deve ganhar publicações em inglês e espanhol, ampliando o alcance do retrato do setor.

Fonte: Embrapa

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Prefeitura de Rio Branco inaugura Fábrica de Leite de Soja com capacidade para 4 mil litros diários

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A Prefeitura de Rio Branco inaugurou na manhã desta terça-feira (31) a Fábrica de Leite de Soja, localizada na Rodovia Transacreana, nas proximidades da Ceasa. A unidade integra a estratégia municipal de segurança alimentar e destinará sua produção para estudantes da rede pública de ensino e famílias em situação de vulnerabilidade social cadastradas na Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos.

A estrutura demandou um investimento de R$ 1,75 milhão e possui capacidade operacional para processar até 4 mil litros da bebida por dia. Na fase inicial, o maquinário envasará cerca de 2 mil litros diários do produto, que será distribuído em embalagens e versões saborizadas, como morango e chocolate. O empreendimento compõe o Complexo de Agricultura Familiar, um polo agroindustrial recém-construído que recebeu mais de R$ 20 milhões em recursos próprios do município para modernizar o beneficiamento de arroz, feijão e milho cultivados na região.

O projeto de processamento do grão remonta a planos desenhados na década de 1990 pelo atual chefe do Executivo municipal, quando administrava a cidade de Acrelândia. Durante a cerimônia de entrega, o prefeito Tião Bocalom mencionou a concretização da proposta e a necessidade de reter os recursos na economia local. “Não há como melhorar a vida das pessoas sem trabalho e geração de renda. Queremos consumir o arroz do Acre, o feijão do Acre, ampliar a produção local e evitar que o dinheiro saia do estado”, declarou.

A operação da nova agroindústria modifica a composição nutricional da merenda escolar da capital e cria uma demanda fixa de compra institucional para os produtores rurais. A absorção governamental das safras locais garante previsibilidade de receita para a agricultura familiar e fomenta a expansão das lavouras no entorno de Rio Branco, diminuindo a dependência de produtos alimentícios importados de outras regiões do país.

Foto: Sérgio Vale

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Lei 15.357 autoriza farmácias em supermercados e pressiona farmácias de bairro

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A Lei nº 15.357/2026 entrou em vigor após a publicação no Diário Oficial e passou a permitir a instalação de farmácias ou drogarias dentro da área de vendas de supermercados, desde que em espaço separado e com regras sanitárias específicas, abrindo uma nova frente de concorrência para milhares de pequenos negócios do setor no país.

Pelo texto, a farmácia instalada no supermercado precisa funcionar de forma independente dos demais setores e contar com estrutura própria para recebimento e armazenamento de produtos, incluindo controle de temperatura e umidade. A norma também obriga a presença de farmacêutico legalmente habilitado durante todo o horário de funcionamento, mantendo as exigências de vigilância sanitária já aplicadas ao comércio de medicamentos.

A regra central impede que o supermercado transforme remédios em item de gôndola. A instalação deve ocorrer em ambiente físico delimitado e exclusivo para a atividade farmacêutica. Para medicamentos sujeitos a controle especial, a dispensação fica condicionada a procedimentos que evitem a circulação livre desses produtos no estabelecimento, com entrega ao consumidor em condições de segurança e rastreabilidade.

No varejo de pequeno porte, o foco passa a ser a retenção de clientes por atendimento e conveniência. “É o bom e velho relacionamento com o público, compreender, ter uma boa base de conhecimento, entender os seus hábitos de consumo e, a partir daí, trabalhar esse relacionamento”, afirmou o analista de Competitividade do Sebrae, Flávio Petry. Ele também defendeu reforço do atendimento em canais digitais e entregas rápidas como diferenciais para farmácias de bairro diante da entrada do serviço em supermercados.

A mudança tende a acelerar o movimento de adaptação das pequenas farmácias em cidades e bairros, enquanto redes e supermercados avaliam o novo espaço como categoria complementar dentro da operação. Com a lei em vigor, o setor deve acompanhar a fiscalização sanitária e a implementação prática das exigências de estrutura e presença profissional, fatores que podem definir o ritmo de abertura desses pontos e o impacto na disputa por preço, conveniência e fidelização do consumidor.

Fonte: Sebrae

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