A isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, a geração de empregos formais e a ampliação do acesso ao crédito marcaram o desempenho dos pequenos negócios em 2025, segundo balanço apresentado pelo presidente do Sebrae, Décio Lima, em entrevista à Agência Sebrae de Notícias, publicada em 5 de janeiro de 2026. De acordo com os dados, micro e pequenas empresas concentraram a maior parte das vagas criadas no país e responderam pela abertura da maioria dos novos empreendimentos, em um cenário de redução do desemprego e ampliação do consumo.
Ao longo de 2025, o Brasil registrou a criação de 1,8 milhão de empregos com carteira assinada, dos quais 1,23 milhão foram gerados por micro e pequenas empresas, o equivalente a quase 70% do total. No mesmo período, a taxa de desemprego caiu para 5,4%, o menor nível em 12 anos. Segundo Décio Lima, o resultado reforça o papel estrutural dos pequenos negócios no mercado de trabalho e na dinâmica econômica nacional. “De janeiro a outubro de 2025, o Brasil já criou 1,8 milhão de novos empregos com carteira assinada. Desses, 1.230.000 são oriundos dos pequenos negócios”, afirmou.
O presidente do Sebrae destacou que a isenção do Imposto de Renda para rendimentos mensais de até R$ 5 mil, prevista no Projeto de Lei 1087/2025, deve beneficiar cerca de 80% dos pequenos negócios. A medida começa a produzir efeitos a partir de 2026 e, segundo estimativa apresentada na entrevista, pode injetar aproximadamente R$ 28 bilhões na economia. “Esse alívio no Imposto de Renda significa mais dinheiro no bolso do nosso povo, maior poder de compra e aumento do consumo”, disse Décio Lima.
Além da política tributária, o acesso ao crédito foi apontado como um dos principais fatores de sustentação do desempenho dos pequenos empreendimentos. Entre janeiro e outubro de 2025, o programa Acredita Sebrae viabilizou quase R$ 10 bilhões em crédito assistido, com a utilização do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe). A expectativa é encerrar o ano com cerca de R$ 12 bilhões liberados, um aumento significativo em relação ao patamar anual de aproximadamente R$ 1 bilhão registrado em anos anteriores. Para Décio Lima, a ampliação do crédito permitiu alcançar diferentes setores e regiões do país, fortalecendo a economia local.
Os dados apresentados também mostram crescimento na abertura de empresas. Em 2025, foram registradas cerca de 4,5 milhões de novas empresas no Brasil, sendo 4,3 milhões de micro e pequenas empresas. O movimento ocorre em um contexto de inflação controlada e maior estabilidade econômica, fatores que, segundo o Sebrae, contribuem para a inclusão produtiva e para a formalização de novos negócios.
No campo do atendimento e dos serviços oferecidos pela instituição, o Sebrae informou que realizou 58 milhões de atendimentos até outubro de 2025, número próximo ao total de 60 milhões registrados em todo o ano de 2024. Entre os serviços mais demandados estão cursos virtuais, com quase 3 milhões de matrículas, além do aplicativo do Sebrae, que superou 4,5 milhões de atendimentos. O emissor de notas fiscais eletrônicas da instituição registrou a emissão de mais de R$ 48 bilhões em notas fiscais no período.
O balanço também aponta impactos em políticas de acesso a mercados e inclusão social. As iniciativas do Sebrae voltadas à inserção de micro e pequenas empresas em cadeias produtivas geraram mais de R$ 407 milhões em negócios ao longo de 2025. Programas como o Pró-Catadores passaram a operar em 18 estados, com a meta de atender quase 6 mil catadores e 333 cooperativas ligadas à economia circular. Parcerias com o Ministério do Desenvolvimento Social também ampliaram a formalização de microempreendedores individuais inscritos no Cadastro Único, que atualmente soma cerca de 16 milhões de MEIs no país.
Outro eixo destacado foi o empreendedorismo feminino. Segundo Décio Lima, o Sebrae garantiu 100% de aval para cerca de R$ 700 milhões em empréstimos destinados a empreendedoras em 2025. O país conta hoje com cerca de 10 milhões de mulheres empreendedoras ou trabalhadoras por conta própria, o que representa 34% do total de empregadores ou autônomos. Metade desse grupo é composta por mulheres chefes de família, público considerado prioritário nas ações da instituição.
Para 2026, o presidente do Sebrae afirmou que a expectativa é de continuidade do crescimento, com a consolidação dos efeitos da isenção do Imposto de Renda e a ampliação das políticas de crédito. Ele lembrou que a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas e o Simples Nacional completam 20 anos em 2026, período em que o número de pequenos negócios no país passou de cerca de 2,5 milhões, em 2006, para aproximadamente 25 milhões atualmente. A meta, segundo ele, é viabilizar até R$ 30 bilhões em crédito ao longo de três anos, mantendo o foco na geração de renda e oportunidades.
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